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Apreciar o vinho: arte para todos

Comer e beber

‘Vou gostar muito ou pouco?’ Eis a alegria de um apreciador diante do copo de vinho. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva, sobre como avaliar um vinho e ainda três sugestões para serem devidamente apreciadas

A primeira regra para apreciar um vinho é ignorar o rótulo, esquecer o preço e deixar-se levar apenas por uma coisa: gosto muito ou pouco do que tenho no copo? A regra, tão simples e tão clara, é enunciada por Hugh Johnson, porventura o escritor de vinhos mais vendido no mundo, na introdução ao seu livrinho Como Apreciar Vinhos (publicado entre nós pelas Edições Cotovia), convidando o leitor a “beber com o objetivo de avaliar o vinho atentamente”, em vez de ser mais um dos “bebedores que nunca se detêm para saborear o que bebem”. É que estes poderão, quando muito, distinguir um vinho bom de um vinho mau, não as qualidades distintas de vinhos diferentes. E passam, ingloriamente, ao lado do essencial.

Avaliar um vinho é um exercício sensorial aliciante que envolve sobretudo os olhos, o nariz e a boca. Os olhos avaliam não só a cor e a limpidez mas também a textura e o brilho do vinho. Desvalorizar este aspeto é como retirar significado à beleza. O nariz avalia os aromas; ora, como só deteta substâncias voláteis, é preciso arejar o vinho para “obrigar” o aroma a mostrar-se, e daí o quase ritual de fazer o vinho rodar nos copos, antes de o levar ao nariz, primeiro, e à boca, depois. A boca avalia o sabor: doçura, amargor, acidez, frutado, taninos mais ou menos presentes, mais duros ou macios.

Engolir o vinho sem lhe prestar atenção, desprezando os elementos que lhe dão a identidade, é coisa que um apreciador nunca poderá fazer. Os três vinhos que apresentamos acabam de chegar ao mercado e são muito diferentes entre si, mas todos merecem ser apreciados. Veja as diferenças e anote quanto lhe agradam.

Marquês de Borba Branco 2016

Com chancela de João Portugal Ramos, o que vale por dizer que é um vinho muito bem feito, tem cor citrina bastante aberta, aroma intenso com notas cítricas e apontamentos minerais, sabor elegante com boa estrutura e acidez bem vincada. Insinua-se para aperitivo e para acompanhar pratos leves. €5,49

CH by Chocapalha Branco 2015

É um novo e grande vinho que acaba de chegar ao mercado este monocasta Arinto, que apresenta um aroma muito fino com notas cítricas e minerais, um sabor vivo e fresco com boa textura, e um final muito longo. Denota óbvia aptidão gastronómica e grande potencial de envelhecimento. €22

Quinta da Manoella Vinhas Velhas Douro Tinto 2014

Feito de uvas de uma vinha centenária com mais de 20 castas autóctones, este vinho é mais uma grande revelação do Douro: aroma concentrado a frutos pretos com notas minerais e de especiarias; sabor aveludado com taninos muito finos, acidez correta e estrutura elegante; e um final longo, fresco, portentoso. Um vinho raro. €60