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Lenita: Familiar, simples, bom

Comer e beber

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O Lenita, em Odivelas, é um restaurante de bairro com uma cozinheira de mão cheia, ambiente familiar e verdadeiro gosto de bem servir. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva

A ementa baseia-se nas sugestões do dia, entre as quais se destaca um prato fixo. Além destes, há sempre boas carnes, como o naco na telha e o “costeletão” de novilho

A ementa baseia-se nas sugestões do dia, entre as quais se destaca um prato fixo. Além destes, há sempre boas carnes, como o naco na telha e o “costeletão” de novilho

Mário João

Porque é que se fala tão pouco dos restaurantes tradicionais, fiéis à culinária, aos produtos, aos temperos e aos sabores genuinamente portugueses, e porque é que praticamente se ignoram as velhas cozinheiras que herdaram os segredos da avó e da mãe e passaram a vida a apurar a mão para fazer de cada petisco e de cada prato um hino ao bom-gosto? A resposta a estas perguntas, que são recorrentes, não é fácil, nem cabe neste espaço. Vieram à baila por causa do restaurante Lenita, na Quinta do Mendes, em Odivelas, onde há comida portuguesa muito bem feita pela Dª Fernanda, que é uma cozinheira de mão-cheia (tal como Dª Conceição, coproprietária do restaurante, que durante muitos anos desempenhou esse cargo e ainda aparece para ajudar). Não obstante, nunca foram aqui referidos…

É um local ambivalente, restaurante e café, tendo à entrada, do lado esquerdo, um escaparate de jornais e revistas, duas mesas e um balcão, que dá para a cozinha, e do lado direito a sala de refeições com mesas pequenas (de café) que à hora das refeições são cobertas com toalhas de pano e de papel. Decoração singela. Ambiente familiar, por vezes ruidoso, em especial quando há futebol na televisão (dois ecrãs).

O fulcro da ementa está nas sugestões do dia, entre as quais se destaca um prato fixo: segunda- -feira, bacalhau, ou com grão, ou no forno, ou de outro modo; terça, feijoada à transmontana; quarta, arroz malandro, que muitas vezes é de coelho, mas pode ser de outras coisas; quinta, cozido; sexta, um prato tradicional “de substância”, como a mão de vaca, o rabo de boi, a dobrada e, na época, sardinhas assadas; sábado, muamba com o seu funje e os seus quiabos, herança de uma cozinheira angolana que por lá passou. Além destes, há sempre boas carnes, como o naco na telha, os bifes e bitoques do lombo, o “costeletão” de novilho, as espetadas mistas, a francesinha. Mais pobre é a oferta piscícola, limitada a um peixe para cozer (corvina ou perca, quase sempre) e outro para grelhar ou fritar. Boa doçaria tradicional feita na casa, de que são exemplos o arroz-doce e a musse de chocolate. Pequena garrafeira com boas opções de vinho a copo. Serviço muito simpático.

Lenita > R. Amadeu Sousa Cardoso, 10, Quinta do Mendes, Odivelas > T. 21 932 3660 > seg-sáb 6h30-23h > €10 (preço médio)