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Almourol: Sabores do Tejo

Comer e beber

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Reduto da gastronomia regional onde se privilegiam produtos e recuperam receitas locais. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva sobre o restaurante Almourol, em Vila Nova da Barquinha

As enguias são uma iguaria digna de apreço durante todo o ano: as mais grossas podem ser servidas em molhata, que é uma espécie de caldeirada com o molho mais espesso

As enguias são uma iguaria digna de apreço durante todo o ano: as mais grossas podem ser servidas em molhata, que é uma espécie de caldeirada com o molho mais espesso

Na estrada que liga Vila Nova da Barquinha a Constância vê-se, junto do desvio para o Cais de Tancos, na margem do Tejo, uma casa grande com alpendre envidraçado, parque de estacionamento e vista encantadora do rio e da outra margem. Ali funciona o restaurante Almourol – que tomou o nome do famoso castelo erguido numa pequena ilha, a poucas centenas de metros de distância, para montante –, que tem instalações e cozinha também atraentes, esta muito focada nos produtos e nas receitas da região.

A gastronomia regional rege-se pela sazonalidade dos produtos, com os consequentes acertos da ementa ao longo do ano. Nesta época, estão em evidência a lampreia e o sável, ambos confecionados com um toque local que os torna diferentes: a lampreia é feita com vinho maduro, pouco vinagre e nada de cominhos, resultando um molho mais leve do que o habitual, mas não menos saboroso; o sável é cortado em postas relativamente grossas e marinado em limão e vinagre, que dissolve parte das espinhas, apresentando-se na boca com boa textura, na companhia da inevitável açorda de ovas.

As enguias são outra iguaria digna de apreço, esta durante todo o ano: as mais finas fritam-se em azeite e vão à mesa com arroz de tomate a acompanhar; as mais grossas, ou vão para a molhata, que é uma espécie de caldeirada com o molho mais espesso, ou dão lombinhos compridos e sem espinhas que, ao serem grelhados, perdem o excesso de gordura e ficam muito saborosos, sendo acompanhados com migas de couve ou batatas a murro. Também não falta o bacalhau – nem quem o aprecie, seja com broa seja à moda da casa –, que é uma boa posta grelhada, servida com molho de azeite, alho e louro, e guarnecida com batatas a murro.

Entre os pratos de carne destaca-se o cabrito assado no forno com batatas de rebolão (cozidas e salteadas). Boa doçaria, de que são exemplos o doce regional de Tancos, feito de gemas de ovo, açúcar amarelo, pão e água (uma sopa dourada tão simples como agradável), fatias de Tomar (de pastelaria), pudim Abade de Priscos e musse de chocolate caseira (sem açúcar, mas com a textura e o sabor de que gostamos). Garrafeira bem representativa dos vinhos do Tejo. Serviço simpático e atento.

Almourol > Av. e Cais de Tancos, 2-6, Tancos, Vila Nova da Barquinha > T. 249 720 100 > qua-seg 12h-14h30, 19h30-22h > €18 (preço médio)