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Vela Latina: Rumo ao futuro

Comer e beber

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Anuncia-se uma remodelação para atualizar o restaurante, sem mudar a filosofia. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva, sobre o restaurante Vela Latina, em Lisboa

O restaurante Vela Latina, junto à Torre de Belém, em Lisboa, manterá a mesma cozinha de tradição portuguesa, mas a entrada de um sócio experiente no mundo do sushi conduzirá à abertura de um novo restaurante

O restaurante Vela Latina, junto à Torre de Belém, em Lisboa, manterá a mesma cozinha de tradição portuguesa, mas a entrada de um sócio experiente no mundo do sushi conduzirá à abertura de um novo restaurante

Telmo Miller

O tempo passa sem deixar vestígios visíveis no restaurante Vela Latina, que mantém a sua presença atrativa à beira do Tejo, junto da Torre de Belém, e a sua legião de clientes, maioritariamente ligados ao mundo dos negócios, com alguns pares de namorados pelo meio. Aparentemente, nada tem mudado, quer na estrutura quer na filosofia do restaurante, e já lá vão quase 30 anos. Agora, com a saída de um dos fundadores e a entrada de um novo sócio muito experiente no mundo do sushi, anuncia-se uma “atualização” do espaço Vela Latina, com um bar e dois restaurantes: um destinado ao novo conceito e outro de cozinha tradicional portuguesa, que é o que já existe. É deste que falamos para, em vésperas das obras e da consequente paragem, entre fins deste mês e princípios de março, tranquilizar quem o aprecia: mudará o restaurante e a decoração, mas não o ambiente, o serviço e a cozinha.

Quer isto dizer que o Vela Latina vai aparecer mais bonito e confortável lá para a primavera, mas com a mesma cozinha de tradição portuguesa: das sopas de legumes, dos rissóis, dos pastéis de massa tenra, do peixe fresco na brasa e no forno, do bife à chefe, das farófias e do leite-creme, entre outras iguarias, servidas como deve ser, isto é, com atenção e delicadeza. Um dos capítulos interessantes da ementa respeita às sugestões do chefe, em regra quatro, que num destes dias eram: creme de cogumelos com foie gras, medalhões de tamboril com amêijoas e coentros, pastéis de massa tenra com arroz de grelos e pargo assado com batatinhas e cebolinhas. Muitos clientes dispensam outras leituras, embora não faltem atrativos como, por exemplo, o carpaccio de novilho com queijo da ilha, os raviolis de lagostins e o foie gras com boletos e batata-doce, nas entradas; os filetes de pescada com risoto de berbigão e salsa (que atrai com a simplicidade e a frescura), os rolinhos de linguado com gambas, o arroz de coentros com lagosta e o bacalhau com migas de pão de milho, que são clássicos ou para lá caminham, nos pratos de peixe e de marisco; os fígados de aves em tarte de maçã, o entrecôte black angus à Café de Paris ou à Portuguesa e o bife do lombo black angus à moda do chefe com boletos, nas carnes. Doçaria diversificada e apelativa, de que são exemplos: tarte de maçã, panna cotta, pastel de nata e farófias com leite-creme. Boa garrafeira, com dois brancos e dois tintos servidos a copo e escolhidos com critérios entre marcas e regiões que vão mudando.

Telmo Miller

Vela Latina > Doca do Bom Sucesso, Lisboa > T. 21 301 7118 e 91 017 4024 > seg-sáb 12h30-15h, 20h-22h30 > €35 (preço médio)