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No Duplex, tudo muda para que tudo fique (quase) igual

Comer e beber

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Sai o chefe de cozinha, fica o seu braço-direito. Altera-se a carta, os sabores são idênticos. O que antes era bar, agora é boteco. O restaurante Duplex não está na mesma, mas ainda assim dá para reconhecê-lo facilmente

No piso de cima, as mudanças só são percetíveis no teto, com plantas suspensas, ou no prato. Já no andar de baixo, o antigo bar é agora boteco, com copos e petiscos, à brasileira

No piso de cima, as mudanças só são percetíveis no teto, com plantas suspensas, ou no prato. Já no andar de baixo, o antigo bar é agora boteco, com copos e petiscos, à brasileira

As portas do Duplex, que dão para a rua mais movimentada do Cais do Sodré, em Lisboa, estiveram fechadas três semanas. Pouco tempo, podíamos pensar, já que a saída pacífica do chefe de cozinha Nuno Bergonse, para um período sabático, levou a que o restaurante-bar se reposicionasse. Sem grandes revoluções.

A mudança mais evidente aos olhos dos menos atentos está logo no piso térreo, aquele que se dá a ver, a partir da rua cor-de-rosa, mesmo a quem não entra. Agora estão lá duas mesas corridas de madeira, para mostrar bem que o que antes era um bar, ao estilo club, passa a imitar alguns botecos brasileiros. Além de nos darem uma comanda de consumo (vulgo papelinho onde se vai apontando o que se pede), a lista de comidas rápidas é a maior novidade – ostras da ria (€2 cada), dim sum (€3,50), polenta com parmesão e ervas (€5,50), bife tártaro (€10,50) e ainda hambúrgueres, croquetes, saladas e tábuas de queijos e enchidos.

Quando o frio se for embora, prometem que as grandes vidraças serão abertas, quase como se fosse uma esplanada. A oferta de bebidas para acompanhar os petiscos também se mantém variada, de cocktails de autor ao simples copo de vinho.

No andar de cima, as mudanças são mais subtis. E quem não entra pela cozinha adentro, para falar com o chefe que agora tomou o comando, não fica a perceber tudo. Há umas plantas suspensas no teto, é verdade, e a luz está mais intensa, mas à vista desarmada tudo permanece na mesma. Até a instalação de Bordalo II, que recria o Cais do Sodré a partir de lixo apanhado nas ruas.

Mas, junto aos tachos, a coisa tornou-se mais informal. Pelo menos é o que nos diz Alberto Oliveira, 33 anos, o chefe brasileiro que já cá está há uma década, grande parte dela passada ao lado do amigo Nuno Bergonse. “Queremos perder a rigidez na cozinha, estimular cada vez mais o convívio, a conversa, a partilha.” Isso nota-se na ementa, em que os preços estão mais acessíveis, sem descer daquele patamar de comida de conforto elegante. O creme de castanhas com foie gras e goiabada (€4,90) é bastante aconchegante nestas noites frias.

E agora, que parece ter pegado a moda, há dois ramens na lista (com chachu marinado ou vegetariano, ambos por €14). Já o regresso do Duplex de chocolate com avelã (€6,50), com as suas petazetas douradas, será saudado pelos mais gulosos.

Bacalhau com Puré de Batata Vitelotte e Creme de Coentros

Bacalhau com Puré de Batata Vitelotte e Creme de Coentros

Duplex > R. Nova do Carvalho, 58-60, Lisboa > T. 91 516 2808 > seg 18h-24h, ter-qui 18h-1h, sex-sáb 18h-3h (o restaurante só abre às 20h)