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Restaurante D’Esquina: No conforto da casa delas

Comer e beber

Este restaurante no Bairro Alto, em Lisboa, não é só para turista ver. No D'Esquina come-se genuíno e facilmente os clientes se tornam amigos de Carla e Patrícia, as donas. Se duvida, faça-lhes uma visita

“Cozinho como se estivesse em casa e as receitas são nossas”, diz Carla Graça sobre a ementa do D'Esquina

“Cozinho como se estivesse em casa e as receitas são nossas”, diz Carla Graça sobre a ementa do D'Esquina

Marcos Borga

Não dá para ir ao D’Esquina como se vai a outro restaurante qualquer. Apesar de ter apenas 22 lugares, estamos numa casa cheia de simpatia e por isso a ideia é sentarmo-nos, saborearmos a comida e convivermos – como se estivéssemos na sala de jantar de Patrícia Cruz e de Carla Graça, as anfitriãs deste novo poiso no sempre eterno Bairro Alto, em Lisboa.

Carla está aos tachos, ajustando-se como sabe na minúscula cozinha. Patrícia traz as iguarias para as mesas, enquanto faz as honras. Nas suas mãos pode vir um queijo da Azoia, da zona do cabo Espichel – cá para nós que ninguém nos ouve, é bem melhor do que o afamado Azeitão –, e um copo de vinho e isso já dará para princípio de conversa. Nem por acaso, lê-se num dos placards da sala: “People who love to eat are always the best people” (as pessoas que gostam de comer são sempre as melhores pessoas).

No entretanto, topa-se que a restante decoração também é lá de casa, coisa que as próprias hão de corroborar e até deixar cair que andaram a lixar as mesas do restaurante que antes ficava nesta morada. Aqui tudo se aproveita: há tachos e panelas nas paredes e no teto, um candeeiro tipicamente lisboeta a um canto, alguns santinhos da cidade e galos de Barcelos estilizados. Se alguma peça lhe piscar o olho, pergunte o preço, pois pode estar à venda.

A ementa – porque o queijo e o maravilhoso pão do Meco já acabaram e há que decidir o que vem a seguir – não será estanque, dizem, e o especial do dia muda conforme o que lhes dá na gana (quem sabe, sai qualquer coisa a meio caminho entre umas favas guisadas com entrecosto ou a feijoada à brasileira). As sobremesas também surgem com a inspiração do momento e podem variar entre pudim de queijo fresco com redução de vinho do Porto ou mousse de caipirinha (€4). “Cozinho como se estivesse em casa e as receitas são nossas”, volta a garantir Carla Graça, que pela primeira vez na vida se vê nestas lides.

Também há coisas fixas no menu, claro, e algumas até já fizeram história neste curto mês de experiência com a porta aberta – o inesperado camarão à Braz (€12) ou o folhado de galinha e cogumelos (€12). Os vinhos são portugueses (o da casa é Dona Ermelinda) e os produtos quase todos da zona da Aldeia do Meco, de onde Carla e Patrícia vêm todos os dias para receber os convidados para o jantar.

Os mais indecisos podem optar pelo menu degustação (€45 para dois), que contempla bruscheta de sardinha, camembert no forno, folhado de bacalhau, bochechas de porco, sobremesa do dia e uma bebida por pessoa.

 Apesar de ter apenas 22 lugares, estamos numa casa cheia de simpatia e por isso a ideia é sentarmo-nos, saborearmos a comida e convivermos

Apesar de ter apenas 22 lugares, estamos numa casa cheia de simpatia e por isso a ideia é sentarmo-nos, saborearmos a comida e convivermos

Marcos Borga

D'Esquina > R. do Diário de Notícias, 27, Lisboa > T. 21 137 0993 > ter-dom 18h30-23h45