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Bagos Chiado: Arroz com (quase) tudo

Comer e beber

Pequeno, discreto, informal, com uma cozinha que propõe uma viagem pelo arroz de vários tipos e em diversas preparações, e que surpreende. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva, sobre o restaurante Bagos Chiado, em Lisboa

Com a abertura do Bagos Chiado, Henrique Mouro regressa aos comandos de uma cozinha, depois do encerramento do Assinatura

Com a abertura do Bagos Chiado, Henrique Mouro regressa aos comandos de uma cozinha, depois do encerramento do Assinatura

Mário João

A abertura do restaurante Bagos Chiado e o regresso de Henrique Mouro ao comando de uma cozinha foram notícia, há seis meses, sublinhando-se, em relação ao estabelecimento, o facto de introduzir um conceito novo de gastronomia no coração de Lisboa, baseado no arroz, e, no que respeita ao profissional, a competência que fez dele “cozinheiro do ano” ainda muito jovem, em 2001. Havia boas expectativas que se confirmaram passados seis meses.

O restaurante tem uma cozinha original e diversificada com o arroz omnipresente por opção do chefe, que sempre gostou de trabalhar este produto. Mas há muito mais: na ementa atual – outono/inverno – não faltam os cogumelos, 
as couves, o feijão, a abóbora, a romã, a caça 
e outros produtos característicos da época, em combinações por vezes surpreendentes. 
O restaurante é convidativo, embora seja pequeno e discreto: salinha à entrada com apenas 12 lugares, outra sala no interior, alguns degraus abaixo, com 20, e cozinha em frente, bem à vista. Mesas de bom tamanho, assentos confortáveis, decoração minimalista e ambiente informal.

A ementa é relativamente extensa com seis entradas, quatro pratos de peixe, cinco de carne e cinco sobremesas. Todos os itens começam por arroz, embora no “requeijão panado, molho de manga, caril e romã”, excelente entrada com lógica vegetariana e reminiscências indianas, os únicos bagos sejam da fruta. Outras entradas apetitosas são as “navalheiras numa bisque com asas de morcego”, em que o caldo é ligado com farinha de arroz e resulta suave e delicado; e a “terrina e trouxa do cozido em caldo de hortelã”, resumo do cozido, muito leve.

Entre os pratos principais, destacamos o “bacalhau em lombardo e malandrinho de caldeirada”, que é cativante, exceto para quem não apreciar o aroma e o sabor fortes do poejo; o “polvo em vinho tinto, arroz de castanhas e batata-doce”, que harmoniza sabores contrastantes; a “vazia de vitela maronesa, arroz de cogumelos silvestres”, que casa na perfeição a carne com os boletos; e o “leitão assado, arroz de feijão-frade, grelos de couve”, carne tenra e pele crocante da barriga, enrolada e assada no forno.

Todas as sobremesas são de arroz-doce, em várias formas: do tradicional, ligado com gemas de ovo e canela e acompanhado com vinho quente e espuma de arroz-doce, até ao bolo de chocolate com arroz-doce no recheio. Garrafeira com seleção criteriosa dos vinhos. Serviço eficiente e simpático.

Bagos Chiado > R. António Maria Cardoso, 15B, Lisboa > T. 21 342 0802 > ter-sáb 12h-15h, 19h-23h > €30 (preço médio)