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O Mercador tem alma de viajante

Comer e beber

Passou de armazém de atoalhados a café, juntando um ambiente cosmopolita e acolhedor ao encanto de outros de tempos. É assim o Mercador, no Porto

O que foi possível preservar do antigo armazém de atoalhados, deixou-se ficar, como o balcão comprido, o armário gigantesco a cobrir uma das paredes e as divisórias em madeira e vitrais coloridos do escritório, que escondem agora a cozinha

O que foi possível preservar do antigo armazém de atoalhados, deixou-se ficar, como o balcão comprido, o armário gigantesco a cobrir uma das paredes e as divisórias em madeira e vitrais coloridos do escritório, que escondem agora a cozinha

Lucília Monteiro

A rua mais pequena do Porto leva o nome de Afonso Martins Alho, o mercador portuense que firmou, no século XIV, o primeiro tratado comercial anglo-luso, e a quem se deve a expressão “fino como o alho”. É aí que Luís e Madalena Pinheiro estão rodados no atendimento da clientela fiel do Caseirinho, casa mantida há 22 anos. As filhas, Ana e Joana, lançaram-se agora em voos mais altos, na perpendicular e mais ilustre Rua das Flores, mas não esqueceram as origens. Ficou registado como Mercador, este novo café, aberto no passado dia 14, naquele que foi outrora um armazém de atoalhados. “Já tínhamos criado um alojamento local e queríamos fortalecer a presença nesta zona”, contam as irmãs.

O que foi possível preservar da loja, deixaram ficar, como o balcão comprido, o armário gigantesco a cobrir uma das paredes e as divisórias em madeira e vitrais coloridos do escritório, que escondem agora a cozinha. “Quisemos manter a alma do espaço, que era muito clássico e ganhou um ar mais cosmopolita e acolhedor”, diz Joana, antiga hospedeira de bordo, a quem pertencem algumas das peças decorativas, a remeter para paragens mais longínquas, como se um mercador tivesse deixado por ali o seu rasto.

A oferta apela aos imensos turistas que passam diariamente nesta rua e também aos locais, muitos deles conhecidos do Caseirinho. Há pequenos-almoços reforçados (com granola, sumos naturais e ovos à escolha, além da tradicional pastelaria), três pratos diários ao almoço e um menu com diferentes sugestões, das mais cuidadas (lombo de bacalhau confitado ou magret de pato, por exemplo), às mais simples (tostas, tábuas de queijos e enchidos, hambúrgueres e saladas). Na confeção, contam com muitos produtos vindos de Mirandela, da quinta da família.

Ao lanche, não faltam bolos caseiros (normalmente, feitos pela mãe de Ana e Joana), chás e cafés variados (como o de saco). A pensar sobretudo nos turistas, há conservas, compotas, biscoitos, azeite, queijos e vinhos, para levar. Porque a alma de mercador não se perdeu por aqui.

Mercador > R. das Flores, 180, Porto > T. 22 332 3041 > seg-sáb 8h30-20h