Visão Sete

Siga-nos nas redes

Perfil

Barca Velha Tinto 2008: Rumo à perfeição

Comer e beber

Oito anos depois de ter sido criado, o mais recente Barca Velha apresenta-se e justifica a expetativa com que era aguardado. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva

Sérgio Ferreira

Acabo de escrever o título, propositadamente incitativo, e penso no número de vezes que a mesma expressão terá sido utilizada por quantos provaram o Barca Velha ou escreveram sobre este vinho singular. À falta de imaginação, é o que ocorre dizer, como provavelmente aconteceu em 1952, quando o seu criador, Fernando Nicolau de Almeida, o deu a conhecer, e nos anos posteriores em que foi comercializado: 1953, 1954, 1957, 1964, 1965, 1966, 1978, 1981, 1982, 1983, 1985, 1991, 1995, 1999, 2000, 2004 e 2008. São 18 edições em tantas décadas, porque a Casa Ferreirinha (integrada na Sogrape desde 1979) só declara Barca Velha em anos verdadeiramente excecionais. E, neste período, o Barca Velha teve apenas três enólogos: Fernando Nicolau de Almeida, José Maria Soares Franco e Luís Sottomayor.

Na colheita de 2008 foram produzidas apenas 18 mil garrafas de Barca Velha. O vinho foi elaborado exclusivamente com uvas da Quinta da Leda (50% Touriga Franca, 30% Touriga Nacional, 10% Tinta Roriz, 10% Tinto Cão) e o seu criador, Luís Sottomayor considera-o “misterioso”, porque, ao contrário de outros, que “nasceram Barca Velha”, este exigiu tempo, apesar de sempre ter tido estrutura e complexidade, de ser vivo na boca, de mostrar enorme carácter. E assevera: "Este é certamente um vinho que vai estar muito tempo connosco". Custa a crer. Não por falta de potencial de guarda e de capacidade para evoluir positivamente na garrafa, que são enormes, prevendo-se que atinja o apogeu dentro de 15 a 20 anos, mas por já estar pronto para consumir e não haver como resistir-lhe. É verdadeiramente inebriante: um vinho de entontecer.

Barca Velha Tinto 2008 Impressiona com a cor rubi profunda; o aroma intenso e complexo com notas de frutos vermelhos e de especiarias; o paladar elegante com admirável volume, taninos poderosos, acidez viva bem integrada, as notas de fruta e de especiarias, a estrutura e o equilíbrio, o final muito longo e harmonioso. Um vinho inebriante. Deve ser decantado e servido à temperatura de 16ºC a 18ºC com pratos sofisticados de carne e de caça ou mesmo queijos de qualidade superior. €350