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Mr. Lu: Artes de chinês

Comer e beber

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O senhor Lu veio do Nordeste da China, onde tinha um restaurante, para Arroios, em Lisboa, onde faz a mesma comida, diz ele. O crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva, escreve sobre Mr. Lu

Tiago Miranda

Instalado há dois anos e meio no rés do chão de um prédio de gaveto que dá para as ruas António Pedro e Marques da Silva, em Arroios (traseiras da Portugália, lado sul), o restaurante Mr. Lu identifica-se pelos carateres chineses que tem no exterior, sem grande aparato, diga-se, apesar do inevitável fundo vermelho. A sua presença é discreta. No interior, a mesma contenção: sala ampla com mesas espaçosas e cadeiras confortáveis de madeira preta, toalhas de cor bege-dourado sobre outras de azul-forte, decoração sóbria com escassos elementos orientais. Tem ar de restaurante de bairro, que podia ser português, e comida chinesa.

Mais afirmativo é o cartão de visita do restaurante Mr. Lu, onde se lê: “Alta cozinha oriental.” Sem conhecimentos para opinar sobre isso, diremos apenas que o senhor Lu é um grande cozinheiro e que no seu restaurante se come muito bem. Os ingredientes têm qualidade, as combinações resultam, os sabores harmonizam--se, às vezes de forma surpreendente, fortes, cheios de especiarias, respeitando e valorizando sempre o produto principal. Por exemplo, o “peixe inteiro com molho agridoce” apresenta-nos um robalo hirto, com a cabeça e a cauda para cima, a nadar num caldo avermelhado que conhecemos de outras experiências de cozinha oriental, e tememos pela delicadeza da sua carne e do seu sabor, mas ao cortá-la vemos a carne branca e firme, em resultado de uma fritura correta, e o sabor bem equilibrado com a doçura ácida do molho; o “cabrito assado com cominhos” e as “lulas com aipo” sugerem harmonia e proximidade, que realmente existem, a par de um aliciante perfume; as “gambas picantes com couve num wok” e o “frango picante com legumes” trazem o desafio e o prazer que se imaginam, embora contidos; os “corações de frango”, as pernas de rã fritas” (ou picantes no wok) e as várias “espetadinhas” de marisco, carne e legumes são outros petiscos a saborear sem hesitação.

É uma cozinha diferente e, ao que tudo indica, mais autêntica do que a da generalidade dos restaurantes que se autoproclamam chineses. O senhor Lu veio da região de Shandong, no Nordeste da China, e diz que se mantém fiel às suas raízes. Nós acreditamos e gostamos muito das raízes dele. Garrafeira diminuta (meia dúzia de referências e só entradas de gama a preços condizentes). Serviço muito simpático mas pouco eficiente, além do mais porque a senhora Hua, mulher de Lu, quase só fala chinês e não tem ajuda que baste.

Mr. Lu > R. António Pedro, 95, Lisboa > T. 21 352 0613 e 96 941 6756 > seg-dom 11h30-15h, 18h30-24h > €15 (preço médio)