Visão Sete

Siga-nos nas redes

Perfil

Os 10 novos 'wine bars' de Lisboa e do Porto

Comer e beber

  • 333

Em tempo de uvas e vindimas, um roteiro pelos 10 novos wine bars de Lisboa e do Porto. Lugares onde tudo gira à volta dos tintos, dos brancos e dos rosés, onde se come e bebe moderadamente (ou talvez não...) e onde, afinal, o mundo parece caber numa só prova

O Casa da Praia Tapas Bar & Wine Bar, em Lisboa, apenas serve os vinhos produzidos pela família Santos Lima, proprietária de várias quintas

O Casa da Praia Tapas Bar & Wine Bar, em Lisboa, apenas serve os vinhos produzidos pela família Santos Lima, proprietária de várias quintas

1. Casa da Praia Tapas Bar & Wine Bar

Esta Casa da Praia fica longe dos areais, mas bem perto de uma das melhores vistas de Lisboa. Começou por vender roupa, durante os meses mais quentes, e peças em caxemira, no inverno. Foi assim durante oito anos. No final de março, Paula Farinha, a proprietária, decidiu acrescentar os vinhos e os petiscos à sua Casa da Praia citadina. Rapidamente percebeu que a falta de espaço não dava para incluir os dois negócios e assim optou pelo wine bar. “Desenvolvi um grande gosto pela gastronomia e pelos vinhos quando fiz parte da gestão do restaurante El Gordo”, conta. Uma paixão antiga e que agora ganha lugar de destaque na rebatizada Casa da Praia Tapas Bar & Wine Bar. Ali, apenas serve os vinhos produzidos pela família Santos Lima, proprietária de várias quintas em Lisboa, no Alentejo e no Douro. “Agrada-me a sua relação qualidade/preço”, diz a anfitriã, que gosta de se sentar à mesa com os clientes, a dar dois dedos de conversa. A copo ou à garrafa, serve os brancos da marca Azulejo e Joya (€4/copo, €14/garrafa), produzidos perto de Lisboa. “São vinhos mais leves e frescos”, nota. Para quem preferir um tinto encorpado, aconselha o da Quinta de Porrais, do Douro (€7/copo). Fica a sugestão, para beber acompanhado com uma tortilha, um foie gras, uma tábua de presunto pata negra ou uma das saladas, como a de sardinhas em molho de tomate picante. Tudo isto ao som de Nina Simone, Marvin Gaye ou Frank Sinatra. R. D. Pedro V, 5, Lisboa > T. 21 347 4099/91 373 8899 > seg-sáb 12h-24h, dom 17h-24h

Na Gota a Gota Wine House, no Porto, destacam-se os vinhos nacionais que não se encontram nas grandes superfícies

Na Gota a Gota Wine House, no Porto, destacam-se os vinhos nacionais que não se encontram nas grandes superfícies

2. Gota a Gota Wine House

Quando se decidiram a avançar com um negócio próprio, Mariana Durão e Dinis Almeida viram na paixão pelos vinhos muito campo por desbravar. “Tentamos ser competitivos. Estamos constantemente a fazer pesquisas e há sempre coisas novas a surgir neste mercado”, sublinha Mariana. Na Gota a Gota, procuram distinguir-se privilegiando “vinhos nacionais q”, conta. Nas prateleiras da garrafeira, no piso térreo, estão atualmente 320 referências, arrumadas por regiões. A lista de vinhos à prova (quatro brancos, três tintos e dois Portos, entre os €2,40 e os €3,80) muda regularmente, para dá-los a conhecer aos clientes, que também podem pedir para abrir qualquer outra garrafa, pagando uma taxa adicional de 4 euros. Para acompanhar as provas, existem uns petiscos muito simples, como enchidos, queijos ou azeitonas. Nesta casa, diz Mariana, “os vinhos são os protagonistas”. Mensalmente, costumam agendar a apresentação de vinhos e respetivas provas com a presença do enólogo ou do produtor, sentando os convidados na mesa ampla da mezzanine. Uma forma de envolverem os clientes neste vasto mundo dos vinhos, que é já uma marca do atendimento personalizado da Gota a Gota. R. de Cedofeita, 572, Porto > T. 22 319 7854 > ter-qui 11h-20h, sex-sáb 11h-22h

3. Lisbon Winery

Todos os dias, há provas de vinho no Lisbon Winery, aberto em dezembro último, no Bairro Alto, em Lisboa. Durante duas horas, experimentam-se cinco vinhos de origem nacional, com as explicações dos escanções de serviço: Luís Carreira, Teresa Barbosa e Ricardo Morais. “Começa sempre com um vinho verde e termina com um Porto. Pelo meio, brincamos com o gosto de cada cliente”, diz Adriana Afonso, uma das sócias do bar. O desafio é encontrar um vinho que agrade aos diferentes palatos de quem se senta numa das mesas forradas com as caixas de quintas e produtores. Ali, só a presença da cisterna datada do século XVI, que serve de garrafeira, distrai o olhar dos copos. “Antes de abrirmos, andamos seis anos a provar vinhos de uma forma intensa. Experimentamos vinhos de todas as regiões vinícolas. Apostamos nos dos pequenos produtores portugueses, que são feitos ainda à moda antiga”, acrescenta Alexandra Almeida. Uma escolha que nem sempre ajuda na distribuição. “Era mais fácil ter um camião a descarregar à porta”, comenta, a brincar, Adriana Afonso. A ideia é fazer uma viagem a Portugal pelos sabores, por isso, além dos vinhos, vendidos a copo (a partir dos €4) ou à garrafa, há queijos, enchidos e presunto de pata negra – também de origem portuguesa. “Temos por exemplo um queijo da ilha, com nove meses de cura, que vale a pena experimentar”, diz Adriana. Principalmente, continua, se for com um cálice de vinho do Porto branco, com mais de 50 anos (€45/copo). Um verdadeiro luxo. R. da Barroca, 13, Lisboa > T. 21 826 0132 > ter- -dom 15h-24h

A Lisbon Winery oferece uma viagem a Portugal pelos sabores, por isso, além dos vinhos, há queijos, enchidos e presunto de pata negra – também de origem portuguesa

A Lisbon Winery oferece uma viagem a Portugal pelos sabores, por isso, além dos vinhos, há queijos, enchidos e presunto de pata negra – também de origem portuguesa

A Capela Incomum, no Porto, quer ajudar a democratizar o consumo dos vinhos portugueses

A Capela Incomum, no Porto, quer ajudar a democratizar o consumo dos vinhos portugueses

4. Capela Incomum

Não foi preciso erguer um altar ao deus Baco, porque o retábulo já lá estava. A designer de interiores Francisca Lobão só precisou de aproveitar o potencial desta antiga capela para outras rezas, de copo erguido. Para não cometer sacrilégio, chegou até a consultar altas instâncias da igreja portuguesa, que lhe deram a bênção desejada para abrir a Capela Incomum. Francisca quer fazer o mesmo com o vinho: dessacralizá--lo e torná-lo acessível aos comuns mortais. “Somos um País produtor de vinhos, mas são poucos os verdadeiros apreciadores, atentos às diferenças entre regiões e castas, a maioria das pessoas anda um pouco à deriva”, considera. Sem cair num discurso fechado ou numa postura professoral, quer ajudar a democratizar o consumo dos vinhos portugueses. Optou, por isso, por selecionar representantes das várias regiões vitivinícolas, com garrafas entre os €10 e os €40 e copos entre os €3 e os €4 (cerca de 20 vinhos de mesa, brancos e tintos, e cinco do Porto). Para acompanhar, há sempre tábuas de queijos e enchidos, chouriço e morcela assados na mesa e, para os apreciadores de doces, mousse de chocolate, doce de limão e pudim de requeijão. Para provar sem medo de pecar. Travessa do Carregal, 77-81, Porto > T. 22 201 1849 > ter-qua 16h-00h, qui-sáb 16h-02h

No The Wine Cellar há vinhos para todos os gostos e carteiras, escolhidos a dedo pelo casal António Baeta e Sílvia Mendes

No The Wine Cellar há vinhos para todos os gostos e carteiras, escolhidos a dedo pelo casal António Baeta e Sílvia Mendes

5. The Wine Cellar

Abriu em meados de março, no Cais do Sodré. Chama-se The Wine Cellar e pertence aos mesmos proprietários do Grapes & Bites, considerado pela Revista de Vinhos o Melhor Wine Bar de Portugal em 2015, conhecido no Bairro Alto pela qualidade e quantidade de vinhos servidos: cerca de mil referências. “Neste novo bar, mais pequeno, há pequenas alterações, quer nos vinhos quer na comida, mas a ideia é a mesma”, diz António Baeta que, juntamente com Sílvia Mendes, são os chefes operacionais de serviço. A carta do The Wine Cellar é composta por perto de 100 vinhos, servidos a copo, entre brancos, tintos, rosés, moscatéis e Porto. Inclui, na sua globalidade, mais de 250 referências. Temos vinhos desde o Algarve até ao Minho”, explica António Baeta. Aqui, pode pedir-se desde um copo de Pedra Cancela (branco ou tinto) – que custa €3 e que “é um vinho excecional” – a um Pera Manca – que pode atingir os 80 euros. Já à garrafa, os valores são mais elevados, um Principal Grande Reserva 2009 anda à volta dos €180 e o Real Companhia Velha Vintage de 1938 pode chegar aos 1700 euros. Não se assuste o leitor com os valores, que neste wine bar há vinhos para todos os gostos e carteiras, escolhidos a dedo pelo casal António Baeta e Sílvia Mendes. “Gostamos muito de viajar pelo País, de conhecer diferentes terras e de experimentar os seus produtos regionais.” Para um almoço (existe um menu completo por €12) ou um jantar mais reforçado, além das tábuas de queijo e de enchidos, há coxa de pato confitada com batata assada, lombo de bacalhau com crosta de broa de milho, entre outros pratos de cozinha tradicional portuguesa. R. São Paulo, 49, Lisboa > T. 21 347 0098, 96 126 6898 > seg-dom 12h-1h

A quase centenária produtora de vinhos do Porto abriu as portas das suas caves, em Vila Nova de Gaia, a visitas

A quase centenária produtora de vinhos do Porto abriu as portas das suas caves, em Vila Nova de Gaia, a visitas

6. Caves Poças Júnior

São um dos dignos representantes de empresas familiares, produtoras de vinhos do Porto, mantidas em mãos portuguesas, já com membros da quarta geração na gestão. Em junho, decidiram abrir as portas das caves da Poças Júnior a visitas, mas mantendo o normal funcionamento do armazém de envelhecimento, do engarrafamento e dos escritórios. “A família não quis esconder nada nem pôr as coisas mais bonitas do que são”, conta Maria do Céu Gonçalves, a diretora de turismo. Apenas uma sala de reuniões foi sujeita a remodelação e transformada no centro de visitas, com várias mesas corridas de madeira, onde decorrem as provas e vendas das várias gamas da Poças Júnior. Quem ali chega, começa por fazer uma visita guiada (de cerca de 40 minutos) às restantes instalações, embrenhadas dos aromas que se soltam dos enormes balseiros (de 30 mil litros) e das pipas de madeira, onde envelhecem os Porto Tawny e os colheita antigos (a mais antiga é de 1964). Durante o percurso, explicam as características de cada tipo de vinho, dos terrenos durienses e das exigências da produção. No final, há a devida recompensa: a prova de três vinhos do Porto, à escolha (no mínimo, reservas). Há outras opções de provas a copo, entre os €2,50 e os €20 (um Old Tawny 40 anos). Quem quiser comprar um vintage (o mais caro custa €98) e saboreá-lo ali mesmo, também pode fazê-lo. Manuel Poças, que em 1918 fundou a casa, apreciaria o gesto. R. Visconde das Devesas, 224, Vila Nova de Gaia > T. 22 320 3257 > seg-dom 10h-20h

No Wine Not?, em Lisboa, os vinhos da Casa Ermelinda Freitas são combinados com os pratos

No Wine Not?, em Lisboa, os vinhos da Casa Ermelinda Freitas são combinados com os pratos

7. Wine Not?

Durante mais de uma década, Rute e João Ribeiro foram os proprietários do restaurante New Black, no Chiado. Em janeiro deste ano, mudaram não só a decoração como a ementa e a própria área de negócio, passando a ser um wine bar e loja de vinhos. Desde essa altura que a loja tem um novo nome, Wine Not? e um parceiro, a Casa Ermelinda Freitas, de Setúbal. “Escolhi este produtor pela afinidade que tenho com a região, onde vivo, mas também pelo meu gosto pessoal. Sempre bebi e gostei destes vinhos”, explica João Ribeiro. Foram precisos apenas 30 minutos para criar esta união: “A empatia com Leonor Freitas, a responsável pela Casa Ermelinda Freitas, foi imediata”.
A ideia no Wine Not? é combinar os vinhos com os pratos: os croquetes artesanais com emulsão de mostarda Dijon (€4), por exemplo, pedem vinhos jovens e frutados como o Sauvignon Blanc. Já as trufas de alheira caseira no forno, com ovos de codorniz e grelos (€5) e o requeijão de Azeitão com ovas de salmão e funcho (€6) combinam com vinhos mais complexos e elegantes como o Dona Ermelinda Branco ou o Casa Ermelinda. Apenas três exemplos (no total, existem 26 referências de vinho branco, tinto, rosé, espumantes, moscatel e aguarde) que podem ser consumidos a copo (€1,60 a €4,50) ou à garrafa (a partir €6) no restaurante, ou, levando a garrafa para casa, a partir de 3 euros. R. Ivens, 45, Lisboa > T. 21 347 4077 > seg-sáb 11h-24h

No Terapia Wine Bar, de dimensões reduzidas, optou-se por uma seleção cuidadosa dos vinhos à venda

No Terapia Wine Bar, de dimensões reduzidas, optou-se por uma seleção cuidadosa dos vinhos à venda

8. Terapia Wine Bar

O efeito contágio tem a sua força e, no Porto, a invasão de turistas muito tem contribuído para alegrar as ruas da cidade. António Neves gostaria que também ajudasse a introduzir um hábito entre os locais: o beber um copo depois do trabalho, libertando as preocupações acumuladas durante o dia. O Terapia Wine Bar, aberto no início de agosto, não tem sofá para psicanálise, apenas meia dúzia de mesas espalhadas entre o pequeno cubículo e a esplanada. “Temos cerca de 20 referências de vinhos, porque o sítio não permite mais”, explica António. Optou por uma seleção mais cuidadosa, procurando um equilíbrio entre a qualidade e os preços. A copo, tem sempre cinco escolhas (brancos, tintos e rosé), entre €1,20 e 3,80 euros. Para petiscar, há bola caseira, prego no pão com queijo da serra, calamares, revueltos, sanduíche de presunto e alheira com grelos e ovo. O serviço é despretensioso, embalado pela música calma (sobretudo jazz clássico). Nas paredes estão expostos desenhos feitos por António, um gosto que sempre o acompanhou e que acabou por influenciar a localização do bar, a dois passos da Faculdade de Belas Artes. R. Barão de S. Cosme, 155, Porto > T. 22 322 5085 > seg-qui 10h-01h, sex-sáb 10h-02h

No wine bar ou no restaurante do The Sandeman Chiado, em Lisboa, aconselham-se refeições acompanhadas por um vinho do Porto

No wine bar ou no restaurante do The Sandeman Chiado, em Lisboa, aconselham-se refeições acompanhadas por um vinho do Porto

9. The Sandeman Chiado

Desde o início de maio que a Sandeman, a marca fundada em 1790 pelo escocês George Sandeman, encontrou no Chiado uma morada fixa para se mostrar a lisboetas e a turistas. Tanto no wine bar que funciona no piso térreo, e serve uma ementa mais leve, composta por tostas, saladas e tábuas de queijo, como no restaurante, que ocupa o andar superior, com sugestões mais elaboradas, aconselha-se que a refeição, da entrada à sobremesa, seja acompanhada por um vinho do Porto – ou não fosse a casa especialista neste vinho, servido a copo ou à garrafa. A propósito, sabia que o Porto se bebe melhor frio? “Queremos provar que se trata de um vinho versátil e que, por isso, é servido num copo de vinho normal e não no cálice tradicional”, explica Ricardo Raimundo, wine adviser da Sandeman e responsável pelas provas que ali acontecem. A cada prato da lista pensada pelo chefe Luís Américo, com o contributo de João Pupo Lameiras, sugere-se um vinho distinto. A tosta de rosbife com rúcula e brie (€8) vai bem com um Sandeman Ruby (€2,50/copo), as línguas de bacalhau com ovo a baixa temperatura e molho de tomate (€7) liga com o Tawny de dez anos (€4,50/copo), já a feijoada de pernil de porco (€20, para duas pessoas) acompanha com um Sandeman White (€2,50/copo), por exemplo. Há, também, menus vinícolas e uma carta com cocktails, como o Sandeman On The Rocks, servido com gelo, Porto Founders Reserve, hortelã e laranja (€7,50). Lg. Rafael Bordalo Pinheiro, 27-28, Lisboa > T. 93 785 0068 > seg-dom 11h30-24h

10. Hüva

Começaram por criar uma distribuidora de vinhos vocacionada para pequenos produtores, ainda a desbravar caminho. Mais tarde, quiseram perceber se a coisa poderia vingar numa loja aberta ao público, onde pudessem receber os clientes e aproveitar para fazer provas ou vender umas garrafas aos passantes. Optaram por uma pequena, nas Galerias Lumière, no Porto, rodeada por outros negócios ligados à restauração. Das cerca de 25 referências alinhadas nas prateleiras (sobretudo do Douro, pela maior proximidade), quiseram privilegiar (e valorizar) os vinhos com castas portuguesas. A garrafa mais cara custa 17 euros. “Até nos perguntam se os preços são os das provas a copo”, conta Catarina Cortês, umas das responsáveis. Esses, andam entre €1,50 e 3 euros. “Queremos mostrar que, para ter qualidade, um vinho não precisa de ser excessivamente caro”, acrescenta. Como funcionam como embaixadores das marcas, sentem uma responsabilidade acrescida e desdobram-se em explicações aos clientes. Até sobre os acompanhamentos que caem melhor com cada vinho. Ali, a oferta não vai além das tábuas de queijos e enchidos, das mini sanduíches, das azeitonas e tremoços e de uma dose diária de felicidade (o tradicional Romeu e Julieta). Os vinhos são, afinal, os protagonistas da Hüva. Galerias Lumière > R. José Falcão, 157, Porto > T. 91 836 3609 > seg-sex 11h-20h, sáb 12h-20h

Os vinhos de pequenos produtores são os protagonistas da Hüva, no Porto

Os vinhos de pequenos produtores são os protagonistas da Hüva, no Porto