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Cortes de Cima: Singularidades alentejanas

Comer e beber

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Aos grandes vinhos produzidos no interior do Alentejo juntam-se os do litoral, num portefólio cada vez mais entusiasmante. A opinião do crítico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva

Em finais da década de 80 do século passado chegou ao Alentejo um casal estrangeiro decidido a radicar-se ali, a plantar vinhas e a constituir família. O lugar escolhido foi a Vidigueira, onde Carrie, americana, e Hans Jorgensen, dinamarquês, viram nascer o seu primeiro filho, em 1991, ano em que Hans plantou a primeira vinha. Optou por castas tintas, como a Syrah, numa região conhecida pelos vinhos brancos, certo de encontrar ali condições favoráveis para vinhos tintos com boa acidez. E da Syrah fez o Incógnito, com grande sucesso, que mantém. Cortes de Cima produz tintos notáveis, como o Reserva e os monocastas Touriga Nacional e Syrah, entre outros.

Já neste século, e de novo contra a corrente, Hans Jorgensen decidiu apostar nos brancos de qualidade, mas longe da Vidigueira, no litoral alentejano, a três quilómetros do mar, perto de Vila Nova de Milfontes. Plantou 50 hectares de vinha na herdade do Zambujeiro Velho e voltou a surpreender, quer com os brancos quer com o primeiro tinto das vinhas plantadas nestes terrenos arenosos: o Cortes de Cima Pinot Noir 2014, que acaba de chegar ao mercado. A casta, que tem muito carácter, mas é delicada e frágil, adaptou-se bem às características do solo e do clima. Mesmo assim, foram precisas quatro vindimas e muitas vinificações na adega experimental para obter o resultado desejado e decidir engarrafar e comercializar o vinho. Valeu a pena.

Também foram agora lançados o Cortes de Cima Sauvignon Blanc 2015, das novas vinhas da beira-mar, e o Cortes de Cima Rosé 2015, das vinhas do interior. Todos diferentes, todos sedutores.

Cortes de Cima Pinot Noir 2014 Tem o caráter da casta, expresso na cor aberta, no aroma complexo com notas de frutos vermelhos e de terra molhada, mitigadas pela madeira, e no paladar fresco, mas macio, com taninos simples e bons, acidez elevada, fruta e mineralidade sugestivas, estrutura elegante. Difícil será apenas não gostar dele. €27

Cortes de Cima Sauvignon Blanc 2015 Bela expressão da casta com o característico aroma vegetal a espargos verdes e a relva cortada com ténues notas cítricas e tropicais, e o paladar intenso e volumoso com acidez viva que lhe confere uma frescura cativante. É para beber assim: jovem, intenso e fresco, em qualquer ocasião. €10

Cortes de Cima Rosé 2015 Feito de uvas das castas Aragonez e Merlot, em partes iguais, apresenta uma cor leve e brilhante, um aroma intenso a frutos, como o pêssego e o alperce, com alegres notas florais, um paladar fresco e delicado e um final persistente com acentuada mineralidade, já pressentida no nariz. Óbvia aptidão gastronómica que lhe deve garantir lugar à mesa. €10,50