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14 novos lugares para beber uma cerveja. Fresquinha, de preferência

Comer e beber

Agora que o calor se instalou e o Europeu de futebol vai de feição, reunimos os bares de cerveja artesanal que andam a abrir por aí. Para celebrar os golos e beber com moderação

Susana Cascais criou a cerveja Dois Corvos, que funciona em Marvila, Lisboa

Susana Cascais criou a cerveja Dois Corvos, que funciona em Marvila, Lisboa

Alexandre Bordalo

Dois Corvos, Lisboa

Chama-se Fuzeta, como a ilha do Sotavento algarvio, a mais recente criação do casal cervejeiro Susana Cascais e Scott Steffens. Esta “double ipa”, de cor de mel dourado e uma espuma cremosa, vai buscar o seu aroma frutado e floral forte ao ananás, à manga e à casca de laranja, tudo combinado com uma presença leve do malte. Nada melhor do que uma ida ao tap room, em Marvila, para provar a alquimia destas cervejas artesanais. Na “sala de provas”, nas mesmas instalações da fábrica, por baixo de uma grande ardósia preta, com os nomes das cervejas, o estilo, o teor alcoólico e os preços, ficam as dez torneiras para servir à pressão as diversas cervejas. A tábua com cinco copos pequenos (€8) é a melhor opção para os iniciados nestas lides. “Deve começar-se das mais claras para as mais escuras, o que equivale à intensidade, vamos das mais leves e fáceis às mais intensas e encorpadas”, explica Susana Cascais. Quem quiser levar para casa tem as garrafas de 33cl, a rondar os €2,50, ou as growlers, belas garrafas de vidro escuro, de um ou dois litros, com um preço de vasilhame (€4 ou €7), que depois pode sempre voltar para encher de novo. Basta um dia de sol e já há motivos para celebrar. R. Capitão Leitão, 94, Lisboa > T. 91 444 0326 > dom-qui 14h-21h, sex-sáb 14h-24h

Nicolas Billard, Victor Silva e Nuno Marques abriram um brew pub em Oliveira de Azeméis

Nicolas Billard, Victor Silva e Nuno Marques abriram um brew pub em Oliveira de Azeméis

Rui Duarte Silva

Vadia Brew Pub, Oliveira de Azeméis

A Vadia de Ginja é a mais recente cerveja, que veio juntar-se, há poucos dias, às sete já existentes (Trigo, Ruiva, Loira, Preta, Rubi, Extra e Orgânica) e que podem beber-se no brew pub, nascido há cinco meses, entre Vale de Cambra e Oliveira de Azeméis. A pensar na exportação, os três cervejeiros desta marca artesanal, já premiada com dez medalhas, queriam apostar “num produto que os diferenciasse”. “A Ginja de Óbidos é um produto que é reconhecido como sendo português”, conta-nos Victor Silva, um dos cervejeiros, juntamente com Nicolas Billard e Nuno Marques. “É uma cerveja frutada, de fermentação baixa.” Neste brew pub há sempre seis cervejas disponíveis à pressão (as restantes em garrafa) ou numa tábua de provas (€7), que poderá acompanhar com queijos da região e presunto, conservas e hambúrgueres artesanais. Inserido nas novas instalações da fábrica, que pode ser visitada mediante marcação, este brew pub é mais do que um bar. É um lugar para espetáculos e concertos: já está confirmada a atuação dos The Sundays (11 jun), dos Whales (17 jun) e dos Lola Lola (25 jun). Concertos que, segundo Nicolas Billard, resume a história da própria marca: “Desde as amizades às noites fora de casa.” Não é à toa que ficaram conhecidos como os “vadios”. R. Comendador Artur J. G. Barbosa, 576, Ossela, Oliveira de Azeméis > T. 256 482 151 > sex 18h-01h, sáb 18h-03h

Sara Esteves e Diogo Coelho têm 250 referências de cervejas no Lisbeer, em Lisboa

Sara Esteves e Diogo Coelho têm 250 referências de cervejas no Lisbeer, em Lisboa

Luís Coelho

Lisbeer, Lisboa

A forma mais simples de dizer o que beber neste bar, entre a Rua dos Bacalhoeiros e a Sé, está na extensa carta mesmo à mão de semear. Simples porque lá vem tudo explicadinho sobre as 250 referências de cerveja nacionais e estrangeiras disponíveis, a servir de boa introdução a quem quiser saber mais sobre este mundo. Melhor ainda, aconselhamos nós, é socorrer-se da sabedoria de Diogo Coelho que, à falta de oferta de qualidade e variada em Lisboa, decidiu abrir o Lisbeer com a namorada, Sara Esteves. O gosto, partilhado por ambos, apuraram-no na Alemanha e na Bélgica, países onde andaram a fazer Erasmus. À jornalista, uma iniciada nestas andanças, Diogo explica que é possível começar pelas pale lager, o género onde se incluem a Sagres ou a Super Bock, para daí passar para as cervejas de trigo, mais leves. O passo seguinte inclui as belgas, mais encorpadas, para daí experimentar as pretas e, já com o paladar treinado, apreciar as indian pale ale (um tipo de cerveja com mais lúpulo e, por isso, mais amarga). Para provar, de uma assentada, uma maior variedade é optar pelo menu de degustação (€18), um tabuleiro com seis copos de 15 cl, acompanhado por seis tipos de queijo, um para cada cerveja (sem queijos custa €10). É que, pelas torneiras de tirar à pressão, vão rodando, com alguma regularidade, diferentes paladares. Como a American Strong Ale, resultado da colaboração entre as marcas portuguesas Oitava Colina e Passarola, acabadinha de chegar quando por lá passámos. Beco do Arco Escuro, 1, Lisboa > T. 21 886 4021 > ter-qui 16h-1h, sex-sáb até às 3h, dom até às 24h

A Praxis é a primeira microcervejeira artesanal de Coimbra

A Praxis é a primeira microcervejeira artesanal de Coimbra

Lucília Monteiro

Praxis, Coimbra

A Praxis, a primeira microcervejeira artesanal de Coimbra, é simultaneamente fábrica, cervejaria, bar e museu – cartazes e rótulos levam-nos em viagem pela extinta Fábrica de Cerveja de Coimbra que, outrora, produziu a Topázio e a Onix. Cá dentro, a produção não para. Às Pilsener, Dunkel, Ambar e Weiss juntou-se, há dias, a cerveja sazonal American Pale Ale (APA), “encorpada, em tons acobreados”, descreve Pedro Baptista, um dos responsáveis pela Praxis. E, daqui a duas semanas, será a vez da White Beer, já a pensar nos dias quentes: “Uma cerveja mais fresca, tipo belga, de trigo, turva e fresca.” Nesta cervejaria/fábrica pode provar as cinco cervejas em copos pequenos (€3), à pressão (€1,50) ou em garrafas de 0,5 litro (€4). A maior parte da produção da Praxis serve para consumo da cervejaria mas, aos poucos, a marca está a chegar a algumas lojas e bares do Porto e Lisboa. E este verão o leitor poderá encontrá-la em versão camião- -bar ambulante, um carro dos bombeiros restaurado, em algumas festas por aí fora. R. António Gonçalves, Lote 28/29, Santa Clara, Coimbra > T. 239 440 207 > seg-dom 9h30-02h

Na Letraria, em Vila Verde, estão sempre a ser feitos testes de novos sabores de cervejas artesanais

Na Letraria, em Vila Verde, estão sempre a ser feitos testes de novos sabores de cervejas artesanais

Luís Lobato

Letraria, Vila Verde

Nas tardes de sábado, os mestres cervejeiros Francisco Pereira e Filipe Macieira não abandonam o posto e acompanham as visitas guiadas à fábrica de Vila Verde, com um desvio a uma plantação de lúpulo e um final que inclui uma prova consoladora. Os investigadores da Universidade do Minho, criadores da Letra, foram um dos pioneiros em Portugal neste mercado da cerveja artesanal. A Letraria, o brew pub aberto em junho de 2015, veio permitir, diz Francisco, “uma experiência do malte até ao copo”. Quem não consiga participar na visita, pode acompanhar o processo de produção a partir de uma das janelas do bar. Para além das variedades de cerveja registadas com um abecedário de A a F (desde a Weiss à India Pale Ale), a Letra está sempre a testar novos sabores e a fazer edições especiais, como a On Oak, maturada em cascos reutilizados de vinho do Porto. Na Letraria, uma chefe de cozinha desenvolve pratos que se possam casar com as cervejas da empresa ou que as tenham como ingrediente, desde a sanduíche stout (com carne de porco estufada em cerveja) à mousse de chocolate. Av. Professor Machado Vilela, Vila Verde, T. 96 421 2951 > ter-qui/dom 17h-00h, sex-sáb 17h-02h

Pedro Lima, Miguel Nozolino e Tiago Castel-Branco (e Vítor Faria, ausente na foto) fizeram uma prova cega para escolher as cervejas que servem no Duque Brewpub, em Lisboa

Pedro Lima, Miguel Nozolino e Tiago Castel-Branco (e Vítor Faria, ausente na foto) fizeram uma prova cega para escolher as cervejas que servem no Duque Brewpub, em Lisboa

Duque Brewpub, Lisboa

Explique-se a palavra brewpub para ficar a saber que, neste bar da Calçada do Duque, também se produz cerveja artesanal. À Aroeira, a marca da casa, juntam-se outras 11, portuguesas, que passaram com distinção na prova cega feita pelos proprietários Pedro Lima, Miguel Nozolino, Tiago Castel-Branco e Vítor Faria. Da lista das eleitas fazem parte a Oitava Colina, Dois Corvos, Bolina, Letra, Maldita, Mean Sardine, Passarola, Musa, D’Ourique, Against the Tide e Post Scriptum. Desdobre-se depois o número em subgéneros – com nomes como pilsner, lager, indian pale ale, porter, russian imperial stout, belgian brown ale, entre outros –, e já se vê que há cerveja para todos os gostos. Com mais ou menos álcool, mais leves ou mais encorpadas, loiras ou ruivas que saem das nove torneiras à pressão ou servidas em garrafa. Quem quer provar várias, pode optar pelo tasting tray (€10), ou travessa de prova, em bom português, composta por cinco variedades que chegam à mesa em copos pequenos. Seja dentro de portas, seja na esplanada, que funciona até às 23 horas. Cç. do Duque, 49-51, Lisboa > T. 21 346 9947 > qua 13h-24h, qui até 1h, sex-sáb até 2h, dom 15h-24h

O Chimera Brewpub é um pub especializado em cervejas artesanais

O Chimera Brewpub é um pub especializado em cervejas artesanais

Mário João

Chimera Brewpub, Lisboa

Adam Heller e Thomas Mancini são os mais recentes cervejeiros da capital. Os chefes do restaurante Chimera, abriram na passada terça, 7, um pub especializado em cervejas artesanais. Ali para os lados de Alcântara, num túnel do século XVIII que ia dar ao Palácio das Necessidades, está tudo a postos para as transmissões televisivas dos jogos das melhores seleções de futebol da Europa. Há 68 lugares, petiscos e cervejas. O que mais se pode querer? Ao americano Adam Heller fazia-lhe falta um brewpub, como os que existem nos Estados Unidos e em Londres, um bar com comida e cerveja, onde também se produz cerveja. As viagens do brasileiro Thomas Mancini por Bruxelas e Dublin, associado ao que foram aprendendo de forma autónoma, deu-lhes ferramentas para criarem uma gama de 12, da mais clara à mais escura (€2/copo de prova, €2,50 half pint 28cl, €4,50 pint 56cl). “Este tipo de cerveja puxa para uma experiência mais gastronómica”, explica Adam. Por isso é que na ementa há algumas iguarias para degustar como a sanduíche pastrami, que vai bem com uma ale, larger ou blonde; a bagel de salmão curado, que pede uma mais cítrica (pale ale ou ipa); e a cerveja de chocolate, que liga bem com tudo. Onde antigamente funcionou o bar Retiro de Baco, há agora uma dúzia de cervejas, oito próprias e mais quatro: Dois Corvos, Oitava Colina, Musa, Post Scriptum. Em uníssono dizem não querer é estar isolados, viva a concorrência. R. Prior do Crato, 6, Lisboa > T. 91 871 7050 > ter-sáb 17h-2h

A Cerveteca foi o primeiro bar dedicado em exclusivo às cervejas artesanais

A Cerveteca foi o primeiro bar dedicado em exclusivo às cervejas artesanais

Luís Barra

Cerveteca, Lisboa
Conta já dois anos aquele que foi o primeiro bar dedicado, em exclusivo, à cerveja artesanal a abrir em Lisboa. E é todo um mundo novo que se abre a quem entra nesta porta, onde à venda estão mais de 100 referências, entre marcas portuguesas e estrangeiras. A carta não é fixa e, por isso, há sempre novidades, seja nas 11 torneiras à pressão seja em garrafa. Pç. das Flores, 62, Lisboa > seg-qui 15h30-1h, sex-sáb até 2h

Na BeerCascais há mais de uma dezena de cervejas à pressão e muitas centenas à garrafa

Na BeerCascais há mais de uma dezena de cervejas à pressão e muitas centenas à garrafa

Marcos Borga

BeerCascais, Cascais
Quando abriu portas, em 2013, perto da baía de Cascais, funcionava apenas como loja especializada em venda de cerveja nacional, importada e artesanal. Com a mudança, há cerca de um ano, para o Mercado da Vila, passou também a poder beber-se na BeerCascais. À prova, há mais de uma dezena de cervejas à pressão e muitas centenas à garrafa, especialidades que podem ser degustadas o ano inteiro na esplanada do Mercado. Mercado da Vila > R. Padre Moisés da Silva, lj. 41-42, Cascais > T. 91 318 0829 > seg-qui 12h-24h, sex 12h-2h, sáb 9h30-2h, dom 11h-24h

A Malte Taberna, na Trofa, tem cerca de 80 referência de cervejas

A Malte Taberna, na Trofa, tem cerca de 80 referência de cervejas

Malte Taberna, Trofa
O gosto pela cerveja foi crescendo, ao ponto desta taberna no centro da Trofa ter, atualmente, cerca de 80 referências de cerveja, a maioria da Bélgica e da Escócia. As portuguesas, só artesanais, também estão bem representadas. O stock está sempre a mudar, para acompanhar as novidades da produção cervejeira. A puxar por mais um copo, há petiscos como amêijoas à Bulhão Pato ou camarão com alho. Av. Paradela, 3, Trofa > T. 22 404 2083 > seg-sex 12h-1h, sáb-dom 13h-3h

Na Lovecraft Beer Shop, em Aveiro, vendem-se cervejas artesanais nacionais e estrangeiras

Na Lovecraft Beer Shop, em Aveiro, vendem-se cervejas artesanais nacionais e estrangeiras

Lovecraft Beer Shop, Aveiro
Aberta desde janeiro, vende várias marcas de cervejas artesanais nacionais e estrangeiras, juntando, em simultâneo, alguns objetos ligados “à cultura cervejeira”. É possível encontrar, por exemplo, a Maldita (produzida em Aveiro e a mais vendida na loja), a Passarola, a Mean Sardine, a OPO 74, a Oitava Colina, ao lado da Brew Dog (Escócia) ou da Mikkeller (Dinamarca). Os proprietários, a empresa Original 1920, preparam-se para abrir uma segunda loja, junto ao Mercado do Peixe, também em Aveiro. R. 31 de Janeiro, 39, Aveiro > T. 91 200 5196 > ter-sáb 13h-20h

Empório da Cerveja, Lisboa
A copo ou à pressão, de várias tonalidades e com diferentes sabores. É assim que se bebe no Empório da Cerveja, aberto há sete meses pelo baiano Pascoal Fernandes. Apesar dos 50 metros quadrados de loja, ali há espaço suficiente para se arrumar os 278 rótulos disponíveis, entre especiais e artesanais, vindos de vários países. E até para ter algumas mesas, onde se sentam 25 pessoas no total, para beber uma cerveja acompanhada de um petisco preparado por Dalva, a companheira de Pascoal. R. Cecílio de Sousa, 67A, Lisboa > T. 91 694 5070 > dom-qui 15h-2h, sex-sáb até 3h

Catraio – Craft Beer Shop, Porto
Dedicada à cerveja artesanal, esta loja quis apostar sobretudo numa seleção nacional, com marcas de todo o País. Possui um espaço de degustação e, com isso, pretende ajudar a celebrar a cultura cervejeira, com workshops, palestras, lançamentos de marcas e encontros de mestres cervejeiros e de produtores. R. de Cedofeita, 256, Porto > T. 93 436 0070 > ter-qui 16h-00h, sex-sáb 16h-02h

João Birra criou a cerveja artesanal Burra e abriu a Birraria, em Cacilhas

João Birra criou a cerveja artesanal Burra e abriu a Birraria, em Cacilhas

Luís Barra

Birraria, Cacilhas
Atravesse-se o Tejo de barco em direção a Cacilhas, que vale bem o passeio. Depois, é percorrer alguns metros da Rua Cândido dos Reis, e logo se encontra o bar de João Birra. Ele, que gosta tanto de cerveja que até criou a sua própria marca – a Burra –, muito em breve ali a ser produzida, nos fermentadores com capacidade para 300 litros. “Resolvi dar uma volta na Birraria, fiz obras para começar a produzir e reduzi a oferta ao barril”, conta. Das dez torneiras à pressão saem agora as quatro variedades da Super Bock 1927 (Imperial Stout, Cascade Blod Lager, Munich Dunkel e Bavaria Weiss) e as portuguesas artesanais Dois Corvos, Mean Sardine, a Sant’ana LX, entre outras. R. Cândido dos Reis, 142, Cacilhas > T. 21 274 5938 > ter-qui 18h-24h, sex-sáb 18h-2h