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A nova bienal

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É ano de mudança em Cerveira. Aquela que é considerada uma das maiores mostras de artes plásticas do País, tem novo director, uma fundação quase constituída e obras (cada) vez mais arrojadas

era Goulart, autodidacta, brasileira de 55 anos, já ouvira falar da Bienal de Cerveira (BC) nas poucas vezes que vinha a Portugal, ao longo dos últimos anos em que tem estado ligada à Galeria Arthobler, no Porto. Foi, aliás, por causa de uma dessas exposições que aqui chegou. Augusto Canedo, pintor e o novo director da Bienal convidou-a a participar na edição deste ano, a XV. Ela é uma das artistas que leva o seu trabalho fora dos limites daquela que é conhecida por "vila das artes". Te Levarei Sempre Comigo, é o título da instalação/performance que inaugurou, aliás, sábado passado no Posto de Turismo da fortaleza de Valença. É uma das exposições que levam a mostra artística a Caminha, Monção, Melgaço, Paredes de Coura e Tui (Galiza), esta última com obras de associados da Galeria Projecto, organizadora da BC.

O núcleo principal, no Fórum Cultural e noutros espaços de Cerveira, só inaugura, contudo, este sábado, 25, onde permanecerá até finais de Setembro. Aí, enquanto ainda se escutam os martelos, se penduram os últimos quadros, se testam equipamentos multimédia e vídeo, Vera confessa estar ansiosa pela reacção do público ao seu trabalho. Devido "a uma confusão de datas", talvez já não consiga estar em Portugal muitos mais dias. E gostaria de assistir "à reacção de Portugal à sua obra".

A artista, que já expôs na ARCO, em Madrid, em várias galerias do Brasil, Suíça e não só, explica que executou os seus objectos tridimensionais mesmo em Cerveira, na Casa do Artista. "Deu-me total calma, o lugar é bonito e fala a minha língua." O seu trabalho "é meio surrealista, como se fosse um conto de fadas. Gosto de mexer dentro do espectador".

O seu projecto acaba por ser o reflexo de várias questões. "As minhas angústias, o meu amado que já não é amado, as minhas perguntas, as esperanças, a vontade de ser...", conta, assumindo-se "primeiro artista plástica e, depois, mulher apaixonada pelo teatro".

Três décadas de arte

A Bienal de Cerveira começou há 31 anos e desde então tem marcado a vila minhota que, por causa dela, se viu "invadida" por inúmeros projectos artísticos (hoje são mais de 20) em jardins e praças. Conhecida pela imagem de um cervo, há muito se habituou a ver passar artistas de várias nacionalidades, culturas e "manias". Hoje, sem as "perseguições políticas" de outros tempos. Nesta edição participam 269 artistas, vindos de 32 países, que apresentam 480 projectos. Ao concurso internacional concorreram 439 criadores, tendo sido seleccionados 83 (com 115 trabalhos). Metade dos participantes são estrangeiros. Chegam da Alemanha, Angola, Bélgica, Argentina, Brasil, Espanha, China, Lituânia, Nepal, Turquia, República Checa...

O escultor português Jorge Vieira (falecido em 1998 e pai do músico Manuel João Vieira) é o homenageado desta edição marcada pelo início de um novo ciclo, mas que aposta na continuidade.

O novo director conhece a bienal há muito. Foi nela aliás, em 1984, que obteve o Prémio Revelação. Conheceu o trabalho dos dois anteriores responsáveis: primeiro Jaime Isidoro, depois, Henrique Silva. "Fui conhecendo os cantos à casa", ri-se Augusto Canedo, que apenas lamenta a falta de resposta das entidades oficiais aos 500 mil euros necessários para esta bienal. Por enquanto, só pode contar com o habitual apoio da autarquia. Por isso, nesta sua primeira direcção, não pretendeu "criar nenhuma ruptura com o modelo anterior". Apesar de existirem ligeiras alterações como a "recuperação da apresentação de performances, como acontecia até aos anos 80". As residências de artistas foram mantidas, mas há novas propostas de curadores: Fátima Lambert, Carlos França, Silvestre Pestana e do espanhol Orlando Britto Jinório.

Fórum de artistas

O fórum será, até final de Setembro, uma grande mostra de obras de arte, dos quatro cantos do mundo. A começar pelos portugueses, como Isaque Pinheiro (que apresenta um cabideiro em forma de colarinhos de camisa e uma árvore totalmente reconstruída), Rui Chafes, Regina Silveira, João Tabarra, entre outros. Entre os projectos que ainda estão a ser ordenados, saltam à vista as esculturas em tamanho real do americano Marc Sijan, um polícia e uma mulher de limpeza "colocadas em sítios estratégicos para confundir o público", o caixão que "enterra" Barack Obama da autoria do romeno Laureano Gisca, os cães em grés policromado do espanhol Victor Pulido, a ousada fotografia digital da brasileira Rachel Korman.

"Os convidados têm mais expressão e o projecto deles também", assegura

Augusto Canedo. Quem vai com certeza surpreender são as sedutoras pin'ups do espanhol Alfredo Garcia Revuelta. O artista madrileno - que tem exposto o seu trabalho na Galeria Trem, no Algarve - apresenta esculturas feitas em resina, reproduzindo fielmente uma mulher e misturando imagens vídeo. Alfredo participa pela primeira vez na bienal e já é um entusiasta. "Gosto muito da organização. Para um povo tão pequeno, é uma coisa incrível", diz, enquanto liga todos os fios para que a mulher que há-de surgir no vídeo comece a "seduzir" o visitante. Outro projecto invulgar é o do brasileiro Marcelo Moscheta: "Galiza: deslocando territórios". O artista, que expõe em Portugal pela primeira vez, quis trazer a Galiza para cá. Como? Escolheu 30 pedras em território galego, marcou a sua localização exacta com GPS, e vai agora expô-las. "É como se fosse reconstruir a paisagem", conta. 

A dois dias da abertura oficial da bienal, a vila anseia pelo Verão de arte

que aí vem. Estão previstos workshops de vídeo e arte digital, ateliês infantis, performances, conferências. O programa completo pode ser consultado em www.bienaldecerveira.org.

 

>> Henrique Silva

75 anos, artista plástico, ex-director da Bienal de Cerveira e um dos elementos da Galeria Projecto NDC na Fundação da Bienal de Cerveira

Este ano ocupa-se do projecto de televisão. Como vai funcionar?

É uma tentativa de passar em directo o que se passa na bienal, aproveitando a página da Internet (www.bienaldecerveira.org/webtv) e colocando em diferido os restantes momentos.

Como se sente neste primeiro ano em que já não dirige a bienal?

Ainda estou um bocadinho como aquelas pessoas que bebem de mais, a curar a ressaca de todas estas transformações que estão a haver. Agora sou espectador, mas quero ver o que acontece.

Já conhece os projectos desta edição. Como os define?

Agora com o novo projecto as coisas mudam, é a visão do Augusto embora tenha muito do início da bienal. Há muitos projectos diferentes, novas instalações, que correspondem ao movimento actual. É a nova visão dos artistas sobre a arte.

Que episódios recorda dos primeiros anos?

Tantos... Nas primeiras bienais revelavam-se as fotografias à noite, e no dia seguinte enviavam-se as fotos em papel para os jornais. Tenho 40 bobinas das primeiras bienais... e recortes de imprensa.

Dirigiu a bienal durante anos. Como se sente?

Tenho orgulho no que fiz nestes 12/13 anos à frente da bienal, fui muito contestado mas é bom, faz bem. Hoje há mais de 20 esculturas espalhadas e que demonstram a interacção com a bienal.

Como vê a arte actual?

É diferente. A meu ver a palavra arte já não existe. Pode chamar-se comunicação. Um objecto de arte tem um conteúdo. Hoje o conceito é mais o ambiente, e o ambiente para mim é comunicação. O que estes jovens são transparece na obra. Acredito que é uma época que vai mudar rapidamente, é como a moda das senhoras [risos]. Vamos voltar atrás uns 20 anos, há obra em si.

 

>> FÉRIAS COM ARTE

Aproveite a bienal e parta à descoberta do Minho e, porque não, da Galiza

  • ONDE DORMIR

CAMINHA

Hotel Porta do Sol T. 258 710 360

Hotel Rural Casa da Anta T. 258 721 595

Casa da Torre T. 258 721 333

 

Melgaço 

Hotel Monte Prado T. 251 400 130

Hotel Castrum Villae T. 251 460 010

 

MONÇÃO

Hotel Termas de Monção T. 251 640 110

 

PAREDES DE COURA 

Quinta de Favaes T. 255 922 025

Casa do Outeirinho T. 251 783 715

 

VALENÇA

Hotel Valença do Minho

T. 251 824 144

 

VILA NOVA DE CERVEIRA

Estalagem da Boega T. 251 700 500

Quinta das Mineirinhas T. 251 708400

Quinta de S. Roque T. 251 795 227

Hotel Rural da Malaposta T. 251 794 730

Hotel Turismo do Minho T. 251 700 245

Pousada da Juventude T. 251 796 113

 

TUI - GALIZA

Hotel Parador de Tui

www.paradores-spain.com

Hotel Cólon Tuy

www.hotelcolontuy.com

 

>> O QUE VISITAR

Além da bienal espalhada pelo Fórum Cultural, Galeria Projecto, Salão de Bombeiros, Biblioteca Municipal, Convento de San Payo, Centro Acolhimento, Escola Superior Gallaecia e Hotel Turismo do Minho - pode visitar o Aquamuseu do rio Minho (ter-dom 10h-12h30, 14h-19h) ou dar um passeio de barco pelo rio (partida do Parque do Castelinho Inf. 93 703 1741).

 

TUI - GALIZA

  • Catedral de Tui (Museo Catedralicio de Tui)
  • Casco Histórico
  • Catedral de Santa Maria
  • Parque Natural Monte Aloia