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Uma vida em África

Especial aniversário

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Há um ano em Angola, a coordenar equipas de combate à malária, ao serviço da organização humanitária PSI, os dias deste ribatejano nunca são iguais - que aqui partilha o que vê e sente, na primeira pessoa. VEJA AS FOTOS

B.I. - Bruno Neto, 34 anos Cooordenador da organização humanitária PSI, em Angola. Já levou água potável a aldeias isoladas das Honduras, «pregou» a paz no Médio Oriente e coordenou a campanha Pobreza Zero, em Portugal
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B.I. - Bruno Neto, 34 anos Cooordenador da organização humanitária PSI, em Angola. Já levou água potável a aldeias isoladas das Honduras, «pregou» a paz no Médio Oriente e coordenou a campanha Pobreza Zero, em Portugal

Nunca tinha conhecido esta África tão especial e tão intensa. Onde todos têm tão pouco – mas tanto, ao mesmo tempo (legenda FOTO 1 em baixo)
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Nunca tinha conhecido esta África tão especial e tão intensa. Onde todos têm tão pouco – mas tanto, ao mesmo tempo (legenda FOTO 1 em baixo)

Vivo uma vida simples, ao lado de gente que vai à lavra todos os dias (legenda FOTO 2 em baixo)
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Vivo uma vida simples, ao lado de gente que vai à lavra todos os dias (legenda FOTO 2 em baixo)

Aqui falta quase tudo, em termos materiais. Esta é a sala de aula da Teresinha, que tem 8 anos (legenda FOTO 3 em baixo)
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Aqui falta quase tudo, em termos materiais. Esta é a sala de aula da Teresinha, que tem 8 anos (legenda FOTO 3 em baixo)

Com pouco se faz muito. Eis uma máxima que me é relembrada todos os dias pelas crianças com que me cruzo nas ruas (legenda FOTOS 4, 5, 6, 7 e 8 em baixo)
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Com pouco se faz muito. Eis uma máxima que me é relembrada todos os dias pelas crianças com que me cruzo nas ruas (legenda FOTOS 4, 5, 6, 7 e 8 em baixo)

Com pouco se faz muito. Eis uma máxima que me é relembrada todos os dias pelas crianças com que me cruzo nas ruas (legenda FOTOS 4, 5, 6, 7 e 8 em baixo)
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Com pouco se faz muito. Eis uma máxima que me é relembrada todos os dias pelas crianças com que me cruzo nas ruas (legenda FOTOS 4, 5, 6, 7 e 8 em baixo)

Com pouco se faz muito. Eis uma máxima que me é relembrada todos os dias pelas crianças com que me cruzo nas ruas (legenda FOTOS 4, 5, 6, 7 e 8 em baixo)
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Com pouco se faz muito. Eis uma máxima que me é relembrada todos os dias pelas crianças com que me cruzo nas ruas (legenda FOTOS 4, 5, 6, 7 e 8 em baixo)

Com pouco se faz muito. Eis uma máxima que me é relembrada todos os dias pelas crianças com que me cruzo nas ruas (legenda FOTOS 4, 5, 6, 7 e 8 em baixo)
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Com pouco se faz muito. Eis uma máxima que me é relembrada todos os dias pelas crianças com que me cruzo nas ruas (legenda FOTOS 4, 5, 6, 7 e 8 em baixo)

Com pouco se faz muito. Eis uma máxima que me é relembrada todos os dias pelas crianças com que me cruzo nas ruas (legenda FOTOS 4, 5, 6, 7 e 8 em baixo)
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Com pouco se faz muito. Eis uma máxima que me é relembrada todos os dias pelas crianças com que me cruzo nas ruas (legenda FOTOS 4, 5, 6, 7 e 8 em baixo)

A missão mais difícil, até ao momento, foi em Dongo Wazanga, Malanje. Aqui, uma foto de família de toda a aldeia (legenda FOTO 9 em baixo)
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A missão mais difícil, até ao momento, foi em Dongo Wazanga, Malanje. Aqui, uma foto de família de toda a aldeia (legenda FOTO 9 em baixo)

Esta jovem mulher levava a sua bebé a uma consulta no hospital. Atirou-me um sorriso e eu engoli as lágrimas para lhe sorrir de volta (legenda FOTO 10 em baixo)
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Esta jovem mulher levava a sua bebé a uma consulta no hospital. Atirou-me um sorriso e eu engoli as lágrimas para lhe sorrir de volta (legenda FOTO 10 em baixo)

FOTO 1 - Quando aceitei a proposta dos Médicos do Mundo de Espanha e mudei toda a minha vida para o Kuanza Norte, no interior de Angola, esperava encontrar gente boa e paisagens arrebatadoras, mas nada me podia preparar para beleza, natural e humana, de Angola. Já tinha trabalhado fora de Portugal (na Europa, no Médio Oriente, na América Central) mas nunca tinha conhecido esta África tão especial e tão intensa. Onde todos têm tão pouco - mas tanto, ao mesmo tempo.

FOTO 2 - Cheguei a Angola em março de 2012 e fui viver inicialmente para N'dalatando. Depressa aprendi que a água nem sempre vem e que, quando a eletricidade regressa, há gritos de felicidade imensa pelas ruas. Vivo uma vida simples, ao lado de gente que vai à lavra todos os dias. Trabalho sem horário (apesar de entrar às 8h) e tanto posso estar no escritório, onde a internet é um luxo a que nem sempre tenho acesso, como andar no campo, a visitar aldeias que ficam a 5 ou 6 horas de viagem em todo-o-terreno. As minhas grandes aliadas nestas comunidades são as mamãs, parteiras tradicionais. A nossa missão: melhorar a saúde sexual e reprodutiva das mulheres e jovens da província do Kuanza Norte.

FOTO 3 - Aqui falta quase tudo, em termos materiais. Esta é a sala de aula da Teresinha, que tem 8 anos e vive em Camabatela, no município de Ambaca. Todas as manhãs, cada um traz a sua cadeira, ou então senta-se no chão, para ouvir o professor João. Cheira um pouquinho mal... porque à noite dormem aqui as cabras do senhor Quimuanga, que mora ao lado da escola.

FOTOS 4, 5, 6, 7 e 8 - Com pouco se faz muito. Eis uma máxima que me é relembrada todos os dias pelas crianças com que me cruzo nas ruas. Brincam com pneus, transformam latas em carrinhos, alguidares em navios. E os seus sorrisos, transbordantes de alegria, ajudam a dissipar a tristeza que, por vezes, ameaça apoderar-se de mim, perante as situações difíceis que encontro.

FOTO 9 - No início de 2013 mudei-me para Luanda e passei a trabalhar com a organização humanitária PSI, no combate à malária. Uma das formas mais eficazes de controlar a doença é distribuir gratuitamente mosquiteiros - focamo-nos sobretudo nas comunidades mais isoladas, no interior de Angola. A missão mais difícil, até ao momento, foi em Dongo Wazanga, Malanje, para visitar três comunas isoladas desde a destruição de uma ponte durante a guerra, em 1989. Foi preciso viajar de piroga durante horas, fintando os crocodilos para lá chegar. Mas o esforço valeu a pena. Aqui, uma foto de família de toda a aldeia (com o Soba e o Regedor, ao fundo, de chapéu).

FOTO 10 - Numa visita ao hospital do Tomboco, no Zaire, fiquei chocado com a quantidade de casos de Malária: 80% por cento dos testes são positivos e a maioria dos infetados são crianças. Estar com pessoas à beira da morte faz-nos repensar a vida toda... À saída fotografei esta jovem mulher, que levava a sua bebé a uma consulta. Atirou-me um sorriso e eu engoli as lágrimas para lhe sorrir de volta. Há que ganhar coragem e continuar. Há tanto por fazer!