Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Caras do Futuro - Nuno Figueiredo

VISÃO 20 anos

  • 333

A escolha de Leonor Beleza é o Cirurgião na Fundação Champalimaud, investigador. Especialista em cirurgia do cólon e reto

Nuno Figueiredo, 35 anos - Cirurgião na Fundação Champalimaud, investigador. Especialista em cirurgia do cólon e reto. Doutorado pelo Programa Gulbenkian de Formação Médica Avançada

Por detrás da parede de vidro do consultório branco imaculado, na Fundação Champalimaud, em Lisboa, um painel colorido mostra pessoas a escalar uma parede. Há esforço na cena, mas também determinação e uma certa expressão de vitória naqueles que chegam lá acima. Nuno Figueiredo, 35 anos, cirurgião, não participou na escolha da pintura, mas admite que é uma boa metáfora para o que se passa no rés do chão do edifício amplo, de arquitetura impressiva. Neste piso, tratam-se pessoas, enfrentam-se batalhas pela vida e pronuncia-se, muitas vezes, uma palavra que ainda assusta: cancro. No andar de cima, procuram-se novos caminhos, soluções à medida, capazes de fintar a doença e as suas múltiplas estratégias de ataque. O cirurgião tem um pé em cada piso. No laboratório, tenta aperfeiçoar as técnicas cirúrgicas e as opções terapêuticas na sua área de eleição: a cirurgia do cólon e reto. Não é uma opção de carreira comum em Portugal. Mas, para o cirurgião, faz todo o sentido. "É a chamada ciência de translação, com a investigação aliada à cirurgia. O que nos permite resolver alguns dos problemas com que nos deparamos no bloco operatório."

Um doente, uma solução

Só no final do secundário é que Nuno se decidiu pelo curso de Medicina, depois de ter considerado seguir Engenharia ou Física. Já a opção pela especialidade tornou-se clara logo no primeiro ano da licenciatura. "Adoro operar, sinto-me muito confortável, no bloco." Terminada a especialidade, seguiu o programa de doutoramento em Formação Médica Avançada, da Gulbenkian/Champalimaud. "Foi uma oportunidade de ouro. Reformata-nos a cabeça", sublinha.

"É reconfortante para um doente saber que o seu médico está envolvido na investigação", acredita. Esta multiplicidade de funções implica muito sacrifício pessoal e a harmonia familiar mantém-se "graças ao apoio da família", considera. Nem sempre chega a casa a tempo de ver as filhas, de 3 e 5 anos, acordadas. O telemóvel está sempre ligado porque, defende, a disponibilidade para os doentes deve ser total. Mas o mais difícil é mesmo dar as más notícias. "Ainda não conseguimos tratar todas as pessoas e, frequentemente, levo os doentes comigo para casa. O que me vale são as brincadeiras com as minhas filhas, nada me descontrai mais do que isso", confidencia. 

Uma vontade férrea de oferecer as melhores terapêuticas e a convicção de que pode fazer a diferença alimentam o seu grande objetivo de vida: "Temos de ser capazes de propor ao doente várias opções, desde a cirurgia radical à mini-invasiva. Ou até mesmo evitar a operação. Não faz sentido dar um tratamento igual a todas as pessoas", defende. E afirma, sem lirismos: "O que eu quero é que, daqui a dez anos, não haja um único doente para quem não tenhamos solução." 

A escolha de Leonor Beleza...é Nuno Figueiredo da Fundação Champalimaud

'Um médico que gosta de ser médico' 

"É um médico cientificamente preparado para fazer avançar a Ciência, na prevenção e no tratamento de doenças que, no caso dele, é, predominantemente, o cancro do aparelho digestivo. Numa área em que os números maus são muito elevados, precisamos de saber mais e de preparar melhor as pessoas para conseguirem detetar a doença, num momento precoce e tratá-la. É novo, cheio de ambição e determinação, estuda e trabalha muito. Ele pertence a uma categoria de pessoas muito importante para que avance o conhecimento científico das doenças. Precisamos de mais médicos a fazer Ciência."