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Caras do Futuro - João Pedro Mamede

VISÃO 20 anos

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João Pedro Mamede é a escolha de Jorge Silva Melo. A terminar o curso de teatro no Conservatório de Lisboa, o ator tem subido aos palcos, fascinado com o tempo próprio que ali se vive   

João Pedro Mamede, 21 anos, ator. Enquanto a Sala das Janelas, do Teatro da Politécnica, em Lisboa, se ia enchendo de espectadores, o ator João Pedro Mamede não parava quieto. Olhava, percorria o espaço em frente da plateia, virava as costas. É essa relação com o público que o alimenta como ator, diz. "Ver as pessoas entrarem e sentarem-se, essa tensão, uso-a durante o espetáculo inteiro. Tenho que aproveitar isso, não tenho que não estar nervoso. O que me interessa no teatro é a relação com o espectador, essa relação de permanente sedução", explica.

Sozinho em cena, vestiu a pele do personagem de A 20 de Novembro, um jovem de 18 anos que entrou numa escola e disparou sobre alunos e professores, antes de se suicidar. Em palco, transfigurava-se, o seu tom de voz sumido e tímido dava lugar a outro bem diferente, determinado e poderoso. João Pedro Mamede descobriu o encanto "do tempo em teatro" quando frequentava uma formação teatral na Cena Múltipla, dirigida por Francis Seleck. Tinha-se inscrito aos 14 anos, típico adolescente de Almada, sem nenhuma vontade especial de subir ao palco, mas curioso com um panfleto que anunciava o ensino da "linguagem do espetáculo". "Punha o teatro no sítio certo, o de hobby. Era o que eu fazia aos sábados", conta. Mas o entusiasmo foi-se instalando e, aos 17 anos, tinha a certeza de que era mesmo aquilo que queria fazer - era aquela "vida real ao quadrado", como lhe dissera Seleck, que desejava viver. Hoje, está no último semestre do terceiro ano do curso de Teatro do Conservatório de Lisboa, mas já deu nas vistas fora da escola. Quando, no ano passado, fez figuração em A Morte de Danton, chamou a atenção de Silva Melo ("Entrava em cena e o olhar ia para ele", recorda o encenador). Pela sua mão, havia de repor, este ano, A 20 de Novembro (já a tinha estreado em 2006, encenada por Seleck) e, mais tarde, estreou A Paz. Agora prepara-se para começar os ensaios de Sala Vip, um texto de Silva Melo, encenado por Pedro Gil, com estreia marcada para o início de julho. Pelo meio, vai desenvolvendo outros projetos (como a peça Playground Sessions, que apresentou recentemente) e vai escrevendo "coisas" (lembra-se de sempre o ter feito, de passar assim o tempo quando, em criança, ia para o escritório do pai). Talvez um dia, elas saiam da gaveta e subam ao palco. Por enquanto, é só ele que o faz - com as palavras dos outros e grande estrondo. 

A escolha de Jorge Silva Melo - Encenador e diretor dos Artistas Unidos

"É um rapaz muito determinado, firme e sensível. Possui uma facilidade natural que muito pouca gente tem. É muitíssimo dotado e exigente consigo próprio. Há nele uma intensidade e uma vibração e a isso alia o rigor, a dedicação e muito trabalho. Não pensa fazer outra coisa que não seja representar. Sabe muito bem aquilo que quer e nada o fará parar. Não é pessoa para ter desânimos e dizer 'vou emigrar, porque não consigo viver aqui'. Não tem um tostão para fazer teatro, mas faz na mesma. Tenho a certeza de que irá fazer um mundo dele."