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Viver numa ilha, no centro do Porto

Sociedade

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Criadas há mais de um século para acolher os operários fabris vindos do campo, as ilhas do Porto conquistam agora os mais jovens, que começam a ensaiar ali uma nova forma de habitar o centro da cidade.VEJA AS FOTOS

As ilhas são uma espécie de prédios em versão horizontal, que cresce nas traseiras das casas: um corredor estreito, ao longo do qual se alinham pequenas habitações
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As ilhas são uma espécie de prédios em versão horizontal, que cresce nas traseiras das casas: um corredor estreito, ao longo do qual se alinham pequenas habitações

Nas janelas, entre cortinas rendadas, alguém espreita o movimento das crianças que brincam em liberdade
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Nas janelas, entre cortinas rendadas, alguém espreita o movimento das crianças que brincam em liberdade

Às portas, além da vassoura e do estendal, há sempre vasos com plantas
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Às portas, além da vassoura e do estendal, há sempre vasos com plantas

Mariana Pinto e António Dias, ela segurança, ele mecânico de automóveis, compraram uma casa a pronto pagamento na Ilha do Sousa, na Rua de São Victor
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Mariana Pinto e António Dias, ela segurança, ele mecânico de automóveis, compraram uma casa a pronto pagamento na Ilha do Sousa, na Rua de São Victor

Alexandra Fonseca, advogada de 44 anos, queria o impossível: «Uma casa barata, no centro, com jardim e que desse para recuperar»
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Alexandra Fonseca, advogada de 44 anos, queria o impossível: «Uma casa barata, no centro, com jardim e que desse para recuperar»

A artista plástica Dalila Vaz comprou uma ilha inteira na Rua de São Victor e, para a recuperar, pediu ajuda ao arquitecto Bernardo Amaral. Ali surgirá um «espaço para estudar como poderá ser a vida em comunidade»
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A artista plástica Dalila Vaz comprou uma ilha inteira na Rua de São Victor e, para a recuperar, pediu ajuda ao arquitecto Bernardo Amaral. Ali surgirá um «espaço para estudar como poderá ser a vida em comunidade»

Em 2001, um estudo camarário revelava que havia 20 mil portuenses a viver em ilhas
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Em 2001, um estudo camarário revelava que havia 20 mil portuenses a viver em ilhas

Os estudantes e ex-estudantes da vizinha Faculdade de Belas-Artes do Porto estão a dar uma nova vida à Rua de São Victor. Muitos moram ou têm ateliês na rua
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Os estudantes e ex-estudantes da vizinha Faculdade de Belas-Artes do Porto estão a dar uma nova vida à Rua de São Victor. Muitos moram ou têm ateliês na rua

Graças aos novos inquilinos, desde há três anos que o Sporting Clube de São Victor volta a representar a freguesia das Fontainhas nas Rusgas de São João. Aqui moradores novos e antigos preparam os cenários
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Graças aos novos inquilinos, desde há três anos que o Sporting Clube de São Victor volta a representar a freguesia das Fontainhas nas Rusgas de São João. Aqui moradores novos e antigos preparam os cenários

Transversal à Rua de Santa Catarina, na Rua Formosa, em pleno centro do Porto, há muitas ilhas «escondidas»
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Transversal à Rua de Santa Catarina, na Rua Formosa, em pleno centro do Porto, há muitas ilhas «escondidas»

Eloísa Correia, 26 anos, viu na ilha uma oportunidade de ter uma casa só para si, mas considera a renda (200 euros) alta para as condições da casa: «Tem frinchas e tinha uma parede a cair»
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Eloísa Correia, 26 anos, viu na ilha uma oportunidade de ter uma casa só para si, mas considera a renda (200 euros) alta para as condições da casa: «Tem frinchas e tinha uma parede a cair»

Liliana tem a sensação de «estar no campo no meio da cidade». Limpou o lixo e tirou as ervas daninhas ao quintal abandonado no fundo da ilha e fez uma horta biológica. A casa onde vive e pela qual paga 200 euros não está nova
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Liliana tem a sensação de «estar no campo no meio da cidade». Limpou o lixo e tirou as ervas daninhas ao quintal abandonado no fundo da ilha e fez uma horta biológica. A casa onde vive e pela qual paga 200 euros não está nova

Só resta uma ilha camarária na cidade. Mas há centenas, privadas, espalhadas pelo Porto. De Boavista a Campanhã, de Santa Catarina às Fontainhas, onde prevalece um espírito de entreajuda
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Só resta uma ilha camarária na cidade. Mas há centenas, privadas, espalhadas pelo Porto. De Boavista a Campanhã, de Santa Catarina às Fontainhas, onde prevalece um espírito de entreajuda

Há quem garanta que não larga a sua «ilha», nem que lhe saia o euromilhões
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Há quem garanta que não larga a sua «ilha», nem que lhe saia o euromilhões

O antropólogo Fernando Matos Rodrigues interessa-se pelo «arquipélago» portuense desde início dos anos 90. Tem lutado pela sua erradicação: «É preciso olhar para as ilhas não como uma tipologia do estigma, mas como espaços a qualificar e a valorizar»
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O antropólogo Fernando Matos Rodrigues interessa-se pelo «arquipélago» portuense desde início dos anos 90. Tem lutado pela sua erradicação: «É preciso olhar para as ilhas não como uma tipologia do estigma, mas como espaços a qualificar e a valorizar»

André Carvalho, 24 anos, estudante de marketing e produtor de eventos, surpreendeu-se com a Ilha da Escada, na rua D. João VI: «Não corresponde à ideia que eu tinha das ilhas. É arrumada, limpa, não há partilha de casas de banho, tem todas as condições»
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André Carvalho, 24 anos, estudante de marketing e produtor de eventos, surpreendeu-se com a Ilha da Escada, na rua D. João VI: «Não corresponde à ideia que eu tinha das ilhas. É arrumada, limpa, não há partilha de casas de banho, tem todas as condições»

São Victor está longe de ser uma das ruas mais visitadas do Porto. Não tem uma beleza que salte à vista, não consta dos guias turísticos. E, no entanto, da calçada empedrada daquela rua, a beijar as Fontainhas, espreita-se um Porto genuíno. De São Victor, alguém disse ser "o maior arquipélago da cidade". Quem passa ao largo nem imagina, mas ali moram mais de 2 mil pessoas.

LEIA A REPORTAGEM COMPLETA NA EDIÇÃO 1064 da VISÃO

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