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Silêncio é má notícia

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Investigações em animais revelam o que todos os pais de crianças pequenas comprovam diariamente

O medo é a mais primitiva das emoções. Todos os animais - dos insetos aos humanos - nascem com a capacidade de detetar e responder a certos tipos de perigos: um rato sabe que tem de fugir de um gato, mesmo sem nunca ter presenciado o ataque de um felino. Desde o nascimento que Homem e animais são também capazes de aprender a reconhecer novas ameaças. "Há as respostas inatas e as que se adquirem por transmissão social", explica Marta Moita, neurocientista da Fundação Champalimaud. Num artigo científico publicado recentemente na revista Current Biology, aquela investigadora, responsável por um laboratório de comportamento, descreveu a importância do silêncio na sinalização do perigo. No estudo, feito com ratos, um bom modelo para as análises comportamentais, ficou demonstrado que o silêncio é um importante indicador de perigo. Tal como qualquer pai de uma criança pequena já sabe: quando não há barulho, é mau sinal.

A experiência consistiu em treinar um animal para ter medo de uma determinada buzinadela. A partir daí, quando ouvia aquele som, o rato imobilizava-se. Os vizinhos de gaiola, que não tinham sido treinados, passaram também a imobilizar-se, sempre que soava o sinal de alarme, imitando o comportamento do primeiro. A ausência de ruídos associados ao movimento, ou seja, o silêncio, era a forma como os animais se apercebiam do perigo. Por outro lado, o som do movimento funciona como um indicador de segurança. "Descobrimos que a ausência de som era necessária e suficiente para induzir o medo nos ratinhos observadores", lê-se no artigo. "Uma vez que a imobilidade é uma resposta ao medo, comum a várias espécies de vertebrados, acreditamos que o silêncio constitui uma verdadeira pista pública que rapidamente se espalha por todo o ecossistema."

Marta Moita percebeu também que, quando os animais estão na companhia do seu parceiro, sentem menos medo, imobilizando-se por menos tempo. "Cria-se uma espécie de 'almofada social', ou, dito de outra forma, 'o sofrimento gosta de companhia'." 

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