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'Ser campeão mundial é uma utopia'

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O único português na alta roda do surf fala da pressão de competir em Portugal, diz que há duas divisões na campeonato do mundo e fala sobre o fim da carreira

BEATRIZ - Tinha apenas 15 meses quando lhe foi diagnosticado «síndrome hemafagocítico». O corpo destruía o sangue que ele próprio produzia. Esteve anémica, com o fígado no limite e fibroses a impedirem a regeneração da medula. No seu caso, a quimioterapia e as transfusões de sangue não surtiam efeito
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BEATRIZ - Tinha apenas 15 meses quando lhe foi diagnosticado «síndrome hemafagocítico». O corpo destruía o sangue que ele próprio produzia. Esteve anémica, com o fígado no limite e fibroses a impedirem a regeneração da medula. No seu caso, a quimioterapia e as transfusões de sangue não surtiam efeito

INOVAÇÃO - Beatriz esteve internada sete meses no Hospital Amadora-Sintra até a transferirem para o Instituto Português de Oncologia. Aqui, foi-lhe feito um transplante de medula do irmão, protegida com células do pai. A técnica usada era totalmente inovadora
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INOVAÇÃO - Beatriz esteve internada sete meses no Hospital Amadora-Sintra até a transferirem para o Instituto Português de Oncologia. Aqui, foi-lhe feito um transplante de medula do irmão, protegida com células do pai. A técnica usada era totalmente inovadora

RECORDAÇÕES - Beatriz regressou a casa a tempo de festejar o seu segundo aniversário. Daquele tempo, tem apenas as boas recordações. As enfermeiras que a acompanharam na altura são agora tratadas por «tias» e costumam ser visitas «lá de casa»
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RECORDAÇÕES - Beatriz regressou a casa a tempo de festejar o seu segundo aniversário. Daquele tempo, tem apenas as boas recordações. As enfermeiras que a acompanharam na altura são agora tratadas por «tias» e costumam ser visitas «lá de casa»

CURA - A técnica utilizada na cura de Beatriz estava a ser desenvolvida por dois estudantes de doutoramento do Instituto Superior Técnico. Francisco dos Santos e Pedro Andrade não tinham ainda 25 anos quando a sua investigação permitiu salvar sete vidas. Beatriz foi apenas uma delas
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CURA - A técnica utilizada na cura de Beatriz estava a ser desenvolvida por dois estudantes de doutoramento do Instituto Superior Técnico. Francisco dos Santos e Pedro Andrade não tinham ainda 25 anos quando a sua investigação permitiu salvar sete vidas. Beatriz foi apenas uma delas

SAÚDE - Passaram-se quatro anos e meio. Beatriz perdeu quase dois anos de desenvolvimento, mas está muito bem de saúde. Vai à escola, brinca muito e adora a Hello Kitty, como qualquer criança da sua idade
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SAÚDE - Passaram-se quatro anos e meio. Beatriz perdeu quase dois anos de desenvolvimento, mas está muito bem de saúde. Vai à escola, brinca muito e adora a Hello Kitty, como qualquer criança da sua idade

FAMÍLIA - Leonor, Francisca e Inês Carvalho e Silva (da esquerda para a direita) são filhas de Jaime, o mais velho de cinco irmãos. Todos cinco se doutoraram. Hoje, um é bastonário da Ordem dos Médicos. Outro, o reitor da Universidade de Coimbra
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FAMÍLIA - Leonor, Francisca e Inês Carvalho e Silva (da esquerda para a direita) são filhas de Jaime, o mais velho de cinco irmãos. Todos cinco se doutoraram. Hoje, um é bastonário da Ordem dos Médicos. Outro, o reitor da Universidade de Coimbra

SABER MAIS - Inês tem um emprego estável. Fez um mestrado em medicina desportiva. E está a arrancar com o doutoramento sobre a diabetes. Continua na faculdade por gosto. Porque quer saber mais, ir mais longe. E paga o doutoramento com o dinheiro que ganha no dia a dia, a ver e a tratar doentes
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SABER MAIS - Inês tem um emprego estável. Fez um mestrado em medicina desportiva. E está a arrancar com o doutoramento sobre a diabetes. Continua na faculdade por gosto. Porque quer saber mais, ir mais longe. E paga o doutoramento com o dinheiro que ganha no dia a dia, a ver e a tratar doentes

ALTERNATIVA - Leonor tirou Economia e já tinha emprego numa multinacional antes de acabar o curso. Um novo convite trocou-lhe as voltas e levou-a ao desemprego há pouco mais de um ano. Ocupa-se treinando, em regime de voluntariado, duas equipas de basquetebol do Olivais Futebol Clube
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ALTERNATIVA - Leonor tirou Economia e já tinha emprego numa multinacional antes de acabar o curso. Um novo convite trocou-lhe as voltas e levou-a ao desemprego há pouco mais de um ano. Ocupa-se treinando, em regime de voluntariado, duas equipas de basquetebol do Olivais Futebol Clube

Antes de partir para França, onde arrancou, a 28 de setembro, a fase europeia do circuito mundial de surf, Tiago Pires fez uma paragem na Ericeira e falou com a VISÃO. No rescaldo de uma eliminação polémica na 6ª etapa do circuito mundial, nos EUA, que motivou um não menos controverso comentário do atleta no Facebook - "Afinal a troika veio no mesmo avião que eu de Portugal! Vou ter que a despachar de barco!" - o primeiro e único português a integrar a elite mundial do surf confessa que já pôs de lado o sonho de ser campeão mundial. Fala, também, das duas divisões no World Championship Tour (WCT ou simplesmente tour) - os mais mediáticos e os outros, grupo onde se inclui - e explica porque ainda não conseguiu fazer um bom resultado em Peniche, onde estará, a partir de 10 de outubro, para o terceiro Rip Curl Pro consecutivo, a 8ª etapa do campeonato mundial (são 10, no total). Tiago diz estar no seu melhor, fisica e psicologicamente, mas já fala da vida depois da competição. E diz que será difícil encontrar quem lhe suceda, em breve.

Após a eliminação nos EUA, deixou um comentário sarcástico no Facebook. Está revoltado com o sistema?

Saí muito furioso da água. Quando conferi as notas e vi os vídeos continuei com a sensação de que não tinha perdido. Não é a primeira vez que me acontece... Noutros momentos manifestei-me de outras formas, fui mais impulsivo, mais agressivo com o júri. Evoluí como atleta e percebi que, por vezes, temos que deixar as coisas fluir e brincar um pouco com a situação. Foi isso que quis fazer com aquele comentário no Facebook. O heat foi renhido e tanto podia dar para um lado como para o outro...

Sente que, nessas situações, costuma dar mais para o outro lado?

Não gosto muito de me vitimizar. Já tive várias situações em que perco por quase nada, mas prefiro dar sempre o mérito ao júri, que viu no outro atleta algo mais.

Quando um atleta se manifesta efusivamente, como já fez, por exemplo, há dois anos em Peniche, quais são as consequências?

Não costuma haver consequências. E essa foi uma das coisas que aprendi. A forma mais correta é enviar uma reclamação, por escrito, para o júri, que responde pela mesma via. Mas isto não leva a lado nenhum. Eles não vão mudar o resultado do heat no momento, nem vão voltar atrás.

Isso é assim com todos os atletas do topo mundial?

Alguns, com nomes mais sonantes, têm o mesmo tipo de reações que eu, o mesmo tipo de manifestações e, apesar do júri não voltar atrás, em eliminatórias seguintes, ou provas seguintes, começam a ser mais beneficiados. Sabem que a situação não volta a repetir-se. Às vezes até pode ser produtivo, ir lá apontar o dedo, mostrar uma cara feia, para eles perceberem que, com aquele atleta, não se pode brincar. No meu caso, prefiro não ser assim tão reivindicativo. Sabia que, se fosse lá refilar, não iria ter qualquer efeito. Até pensei que pudesse acontecer o oposto. Até poderia estar a colocar-me numa posição crítica para a perna europeia do circuito mundial. Por vezes acontece, com os surfistas menos cotados, criticarem o júri e, depois, serem injustiçados várias vezes a seguir, porque os jurados também não gostam quando o trabalho deles é posto em causa.

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