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Saiba o que o seu cão lhe quer dizer

Sociedade

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Reuters

O estímulo e a imitação são fundamentais para o desenvolvimento da capacidade comunicativa dos cães. E estes "falam" de três maneiras distintas que cabe aos donos identificar

Os bebés aprendem a comunicar imitando o que vêem e o que ouvem. Brian Hare, antropólogo evolucionista americano e especialista em cognição animal, acredita que essa característica não é exclusiva do Homem. Para este investigador, os cães aprenderam a conviver com as pessoas, imitando-as. E, como "prova", lembra que os cães latem muito mais vezes do que os lobos.

Hare reúne esta e outras descobertas sobre a inteligência canina no novo livro The Genius of Dogs (O Génio dos Cães, ainda sem edição em português). Entre os novos dados estão as habilidades comunicativas do cão. Como resultado dos milhares de anos de interação com os humanos desenvolveram-se de três tipos de latidos: os de alerta, os para chamar a atenção e os para brincar. A altura, a duração e a frequência dos latidos marcam a distinção entre eles.

Alexandre Rossi, um dos principais especialistas em cognição canina do Brasil, defende que o latido que o cão usa contra os estranhos é mais grave e segue, normalmente, numa sequência curta. "Neste tipo de latidos é como se houvesse uma mordidela no fim", diz. Por outro lado, quando o cão quer brincar, o latido costuma ser mais espaçado e mais agudo. Em relação ao terceiro grupo de latidos, abrange as situações em que o cachorro quer chamar a atenção, caracterizando-se pela emissão de latidos nem tão graves, nem tão agudos, mas com mais espaço entre eles, do que os dois outros.

Para além destes casos, o cão consegue criar outras variações nos latidos, podendo fazer um som mais agudo, mais lento ou até choramingar. Rossi sublinha que o estímulo é vital para que o cão possa vir a desenvolver plenamente a habilidade de comunicar. "Dizer que o cão tem diferentes tipos de latir não quer dizer que ele é inteligente", diz Rossi. A inteligência reside na capacidade que o cão desenvolve para aprender novas maneiras de latir para atrair a atenção do dono.

Uma flexibilidade 'vocal' que pode ser vista nas mais variadas atividades quotidianas, quando o animal lambe o prato da comida apenas por estar com fome, e o dono acaba por dar-lhe a comida, por exemplo. Um processo de interacção que acaba por educar também os próprios donos destes animais de estimação.

Em relação aos animais que vivem em apartamento e são proibidos de latir, a comunicação por gestos pode revelar-se mais rica do que as subtilezas do latido. Nestes casos, é comum que o cachorro arranje outras maneiras de captar a atenção, olhando repetidamente para o objeto que quer e para o dono, ou indo e vindo na direção do que lhe interessa.