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Renato Seabra só volta a tribunal "à força"

Sociedade

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Renato Seabra recusa-se agora a voltar ao tribunal para o julgamento pelo homicídio do colunista Carlos Castro, depois de ter falhado as quatro últimas sessões. Os jurados começam amanhã a deliberar sobre o caso

Antes da sessão de terça-feira, o advogado de defesa David Touger informou  o juiz Daniel Fitzgerald da indisponibilidade de Seabra para voltar a tribunal,  e no final disse aos jornalistas que o réu diz que "só à força" volta ao  tribunal. 

Seabra, que veio da prisão de Rikers Island, manteve-se na cela do tribunal de Nova Iorque, depois de ser dispensado pelo juiz, segundo o advogado. O jovem abandonou o julgamento a 14 de novembro alegando estar demasiado cansado para assistir aos procedimentos, devido ao efeito de medicamentos.

Na sessão anterior, falou alto dentro da sala de tribunal, levando o  juiz a admoestá-lo e ameaçá-lo de expulsão, caso repetisse o comportamento. O julgamento do homicídio de 7 de janeiro de 2011 prosseguiu hoje, depois  de uma paragem de uma semana, para audição daquele que deverá ser o último  especialista ouvido, o psiquiatra Roger Harris, chamado pela defesa. 

Harris, que sustenta que os problemas mentais de Seabra o impediram  de ter consciência dos seus atos e como tal retiram-lhe responsabilidade  criminal, foi questionado pela procuradora Maxine Rosenthal, que chamou  atenção para contradições entre o relatório do especialista, e as notas  que tomou durante a entrevista ao jovem. 

Rosenthal procurou demonstrar que a alegada tentativa de suicídio de  Seabra depois do crime demonstra consciência do crime e culpa, mas o psiquiatra  defendeu que é incerto o que o réu tentou fazer. "Assumindo-se que o que ele fez aos pulsos foi uma tentativa de matar-se  - o que não é claro que é o que representa - então é possível que isso tenha  sido um reconhecimento momentâneo de que o que fez tinha sido errado", disse Harris. 

As várias declarações feitas por Seabra sobre o sucedido são inconsistentes,  adiantou, mas o homicida pode não ter "capacidade de reconstruir o que fez  durante aquele homicídio brutal". Contudo, defendeu, o relato mais fiável é o feito na unidade psiquiátrica  em que esteve internado nos primeiros meses após o crime, Bellevue, "de  que não estava a tentar matar-se, e que (cortar os pulsos) foi um instinto  animal". 

Escudando-se em relatórios de médicos que avaliaram o jovem em três  unidades psiquiátricas, a defesa afirma que na altura do crime, o jovem  "estava em pensamento delirante, num episódio maníaco e desordem bipolar  com características psicóticas graves" e, como tal, não deve ser considerado  culpado. 

Aponta ainda para a natureza brutal das agressões, incluindo mutilações  genitais da vítima, como prova de que Seabra estava sob efeito de uma psicose,  tal como o facto de ter relatado a dois psicólogos ter obedecido a "vozes"  dentro da sua cabeça, nomeadamente durante a mutilação. 

A acusação defende que Seabra estava consciente e que, a haver psicose,  esta terá sido desencadeada pelo crime em si, alegando mesmo que o jovem  terá exagerado e fingido sintomas para se declarar em tribunal não culpado  por razão de insanidade mental. Não está prevista a audiência de mais testemunhas ou especialistas depois  de Harris, devendo o julgamento partir para as alegações finais.  

A conclusão, que poderá ter lugar no final da semana, será a deliberação  dos jurados e a leitura da sentença pelo juiz.