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Relatório devastador para o banco público de células do cordão umbilical

Sociedade

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Kits para recolha guardados junto a sanitas, embalagens fora do prazo de validade e processos clínicos armazenados sem condições são alguns dos aspetos do Banco Público de Sangue do Cordão Umbilical, onde estão 8.441 colheitas, das quais só deverão ser aproveitadas 2.000

O estado deste banco público (Lusocord) foi hoje avançado pelo presidente do Instituto Português do Sangue e Transplantação (IPST), Helder Trindade, que desde 23 de agosto tem a responsabilidade deste centro, ouvido hoje na Comissão Parlamentar de Saúde, a pedido do Bloco de Esquerda.

A audição surgiu no seguimento do anúncio feito pelo IPST de suspensão de recolha de novas unidades e posterior demissão da diretora da Lusocord.

Perante os deputados, Helder Trindade desfiou um rol de irregularidades detetadas no Lusocord, ilustradas com fotografias que revelavam como alguns kits (para recolha do sangue do cordão umbilical, retirado na altura do parto) estavam armazenados, vários deles em casas de banho, junto a sanitas.

As fotografias mostraram igualmente kits molhados e deformados por água residual, bem como processos clínicos armazenados sem condições, embalagens prontas para recolher sangue do cordão umbilical, fora do prazo de validade ou salas sem condições, apesar de obrigatoriamente acéticas.

Segundo Helder Trindade, desde 2009 foram recolhidas 28.416 unidades de sangue do cordão umbilical, das quais apenas 8.441 foram criopreservadas, tendo o IPST detetado contaminação em 21,6% destas.

Sendo assim, apenas 6.618 amostras estarão em condições, embora Helder Trindade admita que só cerca de duas mil deverão ser usadas.

Além destas condições de funcionamento do Lusocord, Helder Trindade levantou algumas dúvidas com os gastos desta estrutura que, desde 2009, terá custado seis milhões de euros, um valor ao qual acresce montantes não contabilizados no decorrer das inspeções, por tal "não ter sido possível".

Sobre as questões relacionadas com os recursos humanos - cuja falta foi várias vezes elencada pela anterior e entretanto afastada diretora - Helder Trindade referiu que o total despendido, em três anos, atingiu os 1.031.157 euros.

Helder Trindade disse ainda que a ex-diretora terá recebido cerca de 12 mil euros por mês.

O Lusocord funciona no Centro de Histocompatibilidade do Norte (CHN), que integra também o Centro Nacional de Dadores de Células de Medula Óssea, Estaminais ou de Sangue do Cordão (CEDACE).

Em agosto, o Governo integrou o CHN no Instituto Português do Sangue e da Transplantação, que, no início de setembro, veio anunciar em comunicado a suspensão das recolhas "de novas unidades para o banco público de células do cordão, por um período previsível de 60 a 90 dias".