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Política com 'inspiração' divina!

Sociedade

Nova crónica da secção Gestão de Fraude, desta vez da autoria de Aurora Teixeira

Fine words! I wonder where you stole 'em.

(Jonathan Swift, escritor irlandês, n. 1667 - m. 1745) 

Embora pretendesse iniciar mais um novo ano com uma mensagem positiva, cheia de 'power' - palavras do meu filho de dez anos, quando deseja exprimir algo que o verdadeiramente anima (usualmente os golos do FCP... o que também não constituí, convenhamos, neste início de ano, um bom exemplo!) - o certo é que acontecimentos recentes me impedem de o fazer.

Depois de um ano verdadeiramente aterrador no que respeita à perda da já de si exígua credibilidade da nossa classe política e 'derivados', o término do malfadado ano foi acompanhado de mais um episódio que, como fielmente relatou o blog Rotund@s & Encruzilhad@s, "Não lembrava nem ao Diabo!!!".

Em Novembro de 2010 diversas notícias vieram a público, sobretudo em blogs e imprensa de índole mais regional (não obstante o JN e a Antena 1, pela voz do jornalista João Gobern, sempre cortando a direito no seu "Pano para Mangas", também tenham feito referência ao caso), que relatavam um episódio que mistura o 'divino' (religião) com o 'demo' (política). Reza assim a 'história': Teresa Freitas, politóloga e secretária do Governo Civil de Santarém e Presidente da Concelhia do PS de Alpiarça, numa crónica 'exclusiva' para o Jornal Alpiarcense intitulada, em jeito de epopeia, 'Portugal - Pensar o Futuro'(1), plagiou integralmente (em versão encurtada) uma comunicação de D. José Policarpo,(2) Cardeal Patriarca de Lisboa, apresentada no Encontro 'Portugal. Pensar o Futuro', que decorreu em 2 de Abril de 2004 no Salão Nobre do Mosteiro de S. Vicente de Fora. Para além do texto surripiado ao Cardeal, Teresa Freitas 'acrescentou' ainda outras passagens de comunicações proferidas, no mesmo Encontro, pela jornalista Teresa de Sousa (sobre a 'fraqueza das elites'!) e pelo ex-líder do CDS-PP, ex-ministro e professor catedrático, Adriano Moreira (sobre a 'soberania de serviço'...).

Sendo o plágio definido, de forma muito sintética, como 'roubo de palavras', este lastimável caso evidencia mais uma vez o nosso triste 'fado': crise económica, crise financeira, crise ética, crise moral, ... e crise de palavras!

Concluo esta distimia como a comecei, com uma citação, desta feita da autoria do intemporal Charles Chaplin: "Eu continuo a ser uma coisa só, apenas uma coisa - um palhaço, o que me coloca em nível bem mais alto que o de qualquer político."

Notas:

(1) In http://jornalalpiarcense.blogspot.com/2010/11/portugal-pensar-o-futuro.html, acedido em 1 de Janeiro de 2011.

(2) In http://www.patriarcado-lisboa.pt/vidacatolica/vcnum16/3_11_02_Portugal_futuro.doc, acedido em 1 de Janeiro de 2011.