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Os rostos reais da fome em Portugal

Sociedade

A FOTORREPORTAGEM da VISÃO mostra-lhe os dois lados da distribuição dos cabazes alimentares preparados pela instituição CASA: De um lado, os sacos que desaparecem, do outro, os retratos de quem deles precisa. VEJA AS FOTOS E O VÍDEO

Retratos de pessoas que deram a cara quando vão buscar, semanalmente ou de 15 em 15 dias, cabazes com alimentos que a instituição CASA distribui em Sete Rios:

Isabel Vicente, 40 anos Desempregada, vem buscar cabazes desde março, com a filha de 1 ano e 8 meses
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Isabel Vicente, 40 anos Desempregada, vem buscar cabazes desde março, com a filha de 1 ano e 8 meses

Matilde, 43 anos Com as filhas Telma,de 18 anos, e as gémeas Carolina e Catarina. Está desempregada e vem buscar cabazes de 15 em 15 dias
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Matilde, 43 anos Com as filhas Telma,de 18 anos, e as gémeas Carolina e Catarina. Está desempregada e vem buscar cabazes de 15 em 15 dias

Paula Antunes, 43 anos Sem emprego há dois anos,beneficia da ajuda alimentar de duas em duas semanas, desde janeiro
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Paula Antunes, 43 anos Sem emprego há dois anos,beneficia da ajuda alimentar de duas em duas semanas, desde janeiro

José Martins, 50 anos Trabalhava em hotelaria e está disposto a fazer qualquer coisa. Vive sozinho e desde há seis meses que recorre a esta ajuda
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José Martins, 50 anos Trabalhava em hotelaria e está disposto a fazer qualquer coisa. Vive sozinho e desde há seis meses que recorre a esta ajuda

Verónica Soares,36 anos Recebe Rendimento Social de Inserção. Veio buscar comida para as 6 pessoas da família, 4 das quais crianças
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Verónica Soares,36 anos Recebe Rendimento Social de Inserção. Veio buscar comida para as 6 pessoas da família, 4 das quais crianças

Vitória Pereira, 29 anos Empregada do Lidl, o seu contrato caduca este mês e não vai ser renovado. Vive com o filho de 7 anos, que tem problemas de saúde
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Vitória Pereira, 29 anos Empregada do Lidl, o seu contrato caduca este mês e não vai ser renovado. Vive com o filho de 7 anos, que tem problemas de saúde

Cláudia, 27 anos, e Pedro, 24 Ela tem trabalho, ele não.Há quatro pessoas em casa a quem teem de dar de comer. Vêm buscar comida todas as semanas
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Cláudia, 27 anos, e Pedro, 24 Ela tem trabalho, ele não.Há quatro pessoas em casa a quem teem de dar de comer. Vêm buscar comida todas as semanas

Cátia Salgado, 27 anos São dez pessoas à mesa, lá em casa. Vem todas as semanas com o filho Diogo, de um ano e meio, à CASA
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Cátia Salgado, 27 anos São dez pessoas à mesa, lá em casa. Vem todas as semanas com o filho Diogo, de um ano e meio, à CASA

"Estas imagens interpelam-nos! Poderia ser um ou uma de nós, os nossos filhos. São, muitas vezes, os nossos amigos. Parecem pessoas saudáveis, com capacidades para pôr ao serviço da comunidade, mas que estão desperdiçadas. Isto é um empobrecimento coletivo intolerável que a estatística traduz para Portugal em aumento da pobreza, da taxa de privação severa e do risco de pobreza ou exclusão social. Estes são rostos dessa estatística e, entre eles, estão os de crianças cujo futuro não deveria estar comprometido. Temos de lutar contra este desamparo e contra a 'humanidade subalterna' que a economia financeirizada pretende criar para melhor dominar. Há uma fase para acudir. É isso que CASA faz. É a ajuda de emergência. Mas há uma segunda fase: a de reconstruir. E é a reconstrução destas vidas, para que ganhem verdadeiro sentido para os próprios, que tem de nos mobilizar enquanto sociedade. E porque não fazê-lo através de iniciativas mediadas pelas autarquias no âmbito da economia social ou solidária, aquela que permite passar da concorrência à cooperação, num equilíbrio entre o direito à individualidade e o vínculo social."

Comentário de Maria de Belém Roseira, deputada e presidente do PS