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O último aniversário da Maternidade Alfredo da Costa

Sociedade

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Os cuidados intensivos aos recém-nascidos prematuros e o atendimento especializado de grávidas com doenças crónicas - pontos altos da obstetrícia em Portugal - deram os primeiros passos na Maternidade Alfredo da Costa, que faz esta quarta-feira 80 anos. VEJA AS FOTOS

MÁSCARA, CAOS E SILÊNCIO - É a primeira sensação e uma espécie de passaporte para uma nova realidade: o momento em que nos colocam a máscara de oxigénioe, na maca, entramos num mundo de caos e de silêncios, onde o medo se confunde com a esperança que nos colocam a máscara de oxigénioe, na maca, entramos num mundo de caos e de silêncios, onde o medo se
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MÁSCARA, CAOS E SILÊNCIO - É a primeira sensação e uma espécie de passaporte para uma nova realidade: o momento em que nos colocam a máscara de oxigénioe, na maca, entramos num mundo de caos e de silêncios, onde o medo se confunde com a esperança que nos colocam a máscara de oxigénioe, na maca, entramos num mundo de caos e de silêncios, onde o medo se

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A propósito deste aniversário, o último a ser celebrado pela instituição como hoje existe, já que no próximo ano será transferida para as unidades do Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC), o antigo diretor Dória Nóbrega lembrou o pioneirismo das equipas desta instituição.

"Existem duas datas que marcaram a obstetrícia em Portugal, que ocorreram na Maternidade Alfredo da Costa (MAC) e que eu tive o privilégio de testemunhar", disse o diretor de serviço de obstetrícia e medicina materno-fetal entre 1993 e 1996.

A primeira foi em 1977, quando a MAC ofereceu, pela primeira vez em Portugal, a possibilidade dos bebés nascidos antes de uma gestação completa sobreviverem, assim como a mãe.

"Foi no mês de abril em que, pela primeira vez, se fez a extração eletiva de um bebé numa gravidez de 32 semanas, devido à doença da mãe, uma pré-eclampsia grave", contou.

Para o obstetra, "este gesto, que hoje é banal e vulgar, inverteu a atitude terapêutica de esperar pelo fim da gravidez, em que o mais provável era o feto nascer morto, além dos riscos para a mãe".

O resultado foi a inversão da taxa de mortalidade materna, que baixou brutalmente, bem como o aumento da sobrevivência dos fetos.

Atendimento especializado

Dória Nóbrega elege também o ano de 1989 como data de outro importante avanço de que a MAC foi palco, com o atendimento individualizado, por equipas especializadas, de grávidas com doenças crónicas como a diabetes, hipertensão, adolescentes e toxicodependentes.

"As grávidas passaram a ser seguidas sempre pelos mesmos profissionais e isso dava-lhes confiança, além de uma grande experiência aos médicos e enfermeiros", disse.

Esta viagem pelo passado não impede Dória Nóbrega de prever o que vai acontecer quando, no próximo ano, a MAC encerrar as portas: "Essas equipas estão em risco de ser esfrangalhadas".

"Querem meter o Rossio na Betesga, mas esquecem-se de que as equipas não funcionam desarticuladas", adiantou.

Para Dória Nóbrega, "tudo se pode perder, quando as pessoas sentirem que nada é validado".

O especialista considera que a MAC tem de fechar, até porque "o tempo dela acabou". No entanto, defende que fique como e onde está até ser transferida para o futuro hospital na zona oriental de Lisboa, que vai abrir em 2016.

Dória Nóbrega, que começou a trabalhar na maternidade em 1965, lembra que, nos anos 60, o importante era nascer.

Hoje, o objetivo é que mãe e filho cheguem em segurança ao final da gravidez, disse.