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O que elas sonham sobre sexo

Sociedade

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As cinquenta sombras de Grey trouxeram a literatura erótica para o top de venda  em todo o mundo. Portugal incluído. O seu segredo é falar de sexo - e de algemas, chicotes e afins... - na perspetiva da mulher. Afinal, o que sabemos sobre o que elas querem na cama?

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- Veja aqui a GALERIA DE FOTOS com a cronologia dos principais momentos da cronologia erótica

- Leia, em baixo, a entrevista com a escritora Maria Luísa Castro, autora de O Mundo Proibido de Daniel V

Anaïs Nin (1940) - Escreveu contos sob encomenda para um cliente rico interessado em pornografia. O resultado foram as coletâneas Delta de Vénus e Pequenos Pássaros, cuja publicação só foi autorizada pela autora francesa nos anos setenta
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Anaïs Nin (1940) - Escreveu contos sob encomenda para um cliente rico interessado em pornografia. O resultado foram as coletâneas Delta de Vénus e Pequenos Pássaros, cuja publicação só foi autorizada pela autora francesa nos anos setenta

Jacqueline Susann (1966) - Com sexo, drogas e mexericos, a escritora norte-americana vendeu 30 milhões de exemplares do seu O Vale das Bonecas. Em A Máquina do Amor, criou um herói sexy, frio e violento, como o Christian Grey de As cinquenta sombras de Grey.
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Jacqueline Susann (1966) - Com sexo, drogas e mexericos, a escritora norte-americana vendeu 30 milhões de exemplares do seu O Vale das Bonecas. Em A Máquina do Amor, criou um herói sexy, frio e violento, como o Christian Grey de As cinquenta sombras de Grey.

Erica Jong (1973) - Medo de Voar foi um dos estrondos editoriais da década de 70, com altas doses de erotismo, feminismo e palavrões. O escândalo maior, entretanto, ficou por conta da protagonista, que admitia praticar o adultério sem culpa nem remorso.
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Erica Jong (1973) - Medo de Voar foi um dos estrondos editoriais da década de 70, com altas doses de erotismo, feminismo e palavrões. O escândalo maior, entretanto, ficou por conta da protagonista, que admitia praticar o adultério sem culpa nem remorso.

'Emmanuelle' (1974) - Graças ao sucesso do filme com Sylvia Kristel, o livro de Emmanuelle Arsan, de 1959, chegou à lista dos mais vendidos. É a história da mulher de um diplomata que se entrega a fantasias sexuais na exótica Banguecoque.
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'Emmanuelle' (1974) - Graças ao sucesso do filme com Sylvia Kristel, o livro de Emmanuelle Arsan, de 1959, chegou à lista dos mais vendidos. É a história da mulher de um diplomata que se entrega a fantasias sexuais na exótica Banguecoque.

'História de O' (1975) - Outro caso de filme que fez a fama do livro, este escrito em 1954, por Anne Desclos, sob o pseudónimo de Pauline Réage. A jovem O é entregue a vários homens pelo próprio amante, que a submete a uma série de práticas sadomasoquistas.
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'História de O' (1975) - Outro caso de filme que fez a fama do livro, este escrito em 1954, por Anne Desclos, sob o pseudónimo de Pauline Réage. A jovem O é entregue a vários homens pelo próprio amante, que a submete a uma série de práticas sadomasoquistas.

Shere Hite (1976) - Muito mais comentado do que lido, O Relatório Hite é uma investigação sobre a sexualidade feminina que coloca em discussão assuntos até então tabu, como os orgasmos múltiplos e a masturbação. Considerada a primeira feminista bonita, Hite atualizou e republicou o livro em 2006.
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Shere Hite (1976) - Muito mais comentado do que lido, O Relatório Hite é uma investigação sobre a sexualidade feminina que coloca em discussão assuntos até então tabu, como os orgasmos múltiplos e a masturbação. Considerada a primeira feminista bonita, Hite atualizou e republicou o livro em 2006.

Judith Krantz (1982) - Ex-jornalista de moda, a escritora norte-americana gosta de personagens ricas e ambientes glamorosos e explora com gosto as cenas de sexo altamente gráficas, em romances como Luxúria, Princesa Margarida e A filha de mistral.
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Judith Krantz (1982) - Ex-jornalista de moda, a escritora norte-americana gosta de personagens ricas e ambientes glamorosos e explora com gosto as cenas de sexo altamente gráficas, em romances como Luxúria, Princesa Margarida e A filha de mistral.

Catherine Millet (2002) - A Vida Sexual de Catherine M. revelou um lado desconhecido da editora da prestigiosa revista francesa Art Press. Nesse diário, ela confessa com detalhes a sua preferência pelo sexo grupal mas sempre na companhia do marido.
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Catherine Millet (2002) - A Vida Sexual de Catherine M. revelou um lado desconhecido da editora da prestigiosa revista francesa Art Press. Nesse diário, ela confessa com detalhes a sua preferência pelo sexo grupal mas sempre na companhia do marido.

Entrevista com Maria Luísa Castro

'As pessoas gostam de histórias de amor com picante'

Na senda do fenómeno As cinquenta sombras de Grey, uma portuguesa lançou, sob pseudónimo, O Mundo Proibido de Daniel V (ed. Matéria-Prima, ¤15,90)

O que a levou a escrever algo deste género?

Foi um desafio da editora e aceitei, pelo gozo de escrever algo que, de outra forma, não seria alvo do meu tempo. Além disso, tendo lido alguns sucessos nesta área, achei que era fácil fazer melhor. 

E é melhor porquê?

Porque não é sobre uma jovenzinha virgem que, de repente, assina um contrato de submissão com um playboy. Tem o seu nível de erotismo e de cenas de teor sexual mas também uma contradição entre um homem e uma mulher, ambos adultos e com experiências anteriores. Procurei também levantar questões atuais como as da máfia e da escravatura branca, tal como da sexualidade escondida e dos traumas que podem influenciar comportamentos durante uma vida. Diria que é um livro adulto, enquanto o outro só brinca com situações que não são verosímeis, repetindo-as até à exaustão.

Em que se inspirou?

Li vários clássicos da literatura erótica, nomeadamente A História de O, muito mais hardcore do que qualquer das sequelas e recolhi testemunhos de homens e mulheres. Ao mesmo tempo, explorei aquela lenda urbana que diz que, em Cascais, na década de 60, havia uma casa onde se praticava o chamado sexo "livre".

Como se explica o sucesso deste tipo de romances eróticos?

O fenómeno não é de hoje e não é português. Os livros boy meets girl são, como sempre, best-sellers. E há ainda a pornografia, um negócio que não está em queda. É fácil concluir que as pessoas gostam de estímulo, da ideia do que não é convencional, de histórias de amor com picante que as fazem descolar da sua realidade. Os livros ditos eróticos podem ajudar a fantasiar. No Portugal moderno e em pleno século XXI, se perguntar na rua, a maioria das pessoas dirá que nunca entrou numa sex shop. Mente. A sexualidade ainda é um tabu.

São estas, de facto, as fantasias sexuais das mulheres?

Das mulheres e dos homens. Porque têm uma certa adrenalina, um gosto pelo jogo da sedução, pelo realizar algo fora do convencional. Os leitores, eles e elas, reveem-se em muitas coisas, do desejo de libertação a práticas que gostariam de realizar e não o fazem.

Ou serão aquilo que os homens esperam que sejam?

Há um mito urbano que diz que os homens estão sempre prontos para a brincadeira. Concluí, das diversas conversas que tive, que as mulheres são mais atrevidas, capazes de ter brinquedos sexuais às escondidas. Há muitos sexólogos que aconselham o visionamento de pornografia para que haja estímulo, para um casal ter uma vida sexual satisfatória. Há muitas mulheres que leem este tipo de livros e a seguir se masturbam. Não vejo mal nisso. A diferença é que o meu livro não traz apenas essa possibilidade.

O que querem mesmo as mulheres?

As mulheres e os homens querem a mesma coisa: satisfação e prazer, sendo que existem fetiches - práticas que implicam mais dor ou submissão ou agressão verbal, ou outras que se limitam a revelar todas as possibilidades de absoluto deleite que um corpo pode proporcionar a outro. Todos queremos o mesmo. Os cientistas dizem que a paixão dura dois anos, seja. Para manter uma relação e não andarmos sempre no desgaste de um novo princípio é preciso inovar - caso contrário, marcamos todas as terças-feiras, às 9 e meia da noite, na posição do missionário. E como o homem já passou dos 45 [anos], em alguns casos a ereção não se mantém e terminamos no sexo oral e estímulo manual.