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O fim do sonho

Sociedade

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Há dois anos falava no sonho de ser campeão do mundo. Ainda acredita que vai lá chegar?

Essa tarefa está cada vez mais difícil... Acho que vai acabar ser apenas um sonho...

A consciência de já não conseguir chegar ao primeiro lugar influencia, de alguma forma, o modo como encara as diferentes provas?

A vontade mantém-se. Até porque sinto que ainda não estou na fase descendente da minha carreira. Estou mais experiente e mais forte, mas a verdade é que a competição está mais aguerrida, mais difícil. Os miúdos surgem cada vez mais bem preparados... Julgo que a minha tarefa de chegar a campeão do mundo está muito dificultada.

Recorda-se do momento em que percebeu que o sonho iria ser apenas isso?

Não. Prefiro viver quase uma ilusão. Como desportista é melhor trabalhar para uma ilusão do que colocar tampas na nossa vontade.

O que resta, então, do sonho?

Não queria acabar a minha carreira sem ganhar uma das provas ou estar entre os 10 melhores do mundo.

São sonhos possíveis?

Sim, são objetivos alcançáveis. Ser campeão do mundo - hoje sei o que é preciso para lá chegar - é uma utopia.

O que faltou para atingir aquele objetivo?

O meu repertório de manobras aéreas e mais progressivas devia ser mais trabalhado. Depois, é necessária consistência. Nunca consegui ter 5 resultados ótimos e um campeão do mundo tem que estar sempre por cima.

Qual a origem dessa inconsistência?

Não sei, julgo que está dentro de cada um, cada atleta é o que é. Para ser campeão do mundo também é preciso ter muita experiência, nomeadamente para lidar com a pressão. E apesar de nunca ter tipo a pressão de estar a lutar pelo título, já passei pela luta para me manter no tour...

Já não sente essa pressão?

Sinto. Não quero sair do tour, quero alcançar coisas ainda maiores.