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O desfecho do "cometa do século"

Sociedade

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O cometa ISON tem hoje a aproximação máxima do Sol. Este aglomerado de poeiras, gelo e pequenos fragmentos rochosos corre agora o risco de explodir ou de criar uma grande cauda luminosa em torno do sol. VEJA O VÍDEO

O cometa foi descoberto há pouco mais de um ano por dois astrofísicos russos, Vitali Nevski e Artyom Novichonok, devido à vastidão do seu brilho. Não se sabe ao certo as consequências da passagem do cometa pela periferia do Sol, mas qualquer dos desfechos previstos será causa dos efeitos da radiação e ventos solares.

Matthew Knight, do Observatório Lowell, no Arizona, aponta, segundo cita a BBC, que o desfecho mais provável será a vaporização do gelo e o aquecimento dos gases do cometa, originando uma cauda de brilho - tal como aconteceu com o Ikeya-Seki, em 1965. No entanto, é também possível que tenha um desfecho idêntico ao do cometa Lovejoy, explodindo e resultando na divisão em pequenos fragmentos; ou até mesmo que fique em percurso pela órbita solar, tal como o Encke.

Prevê-se para hoje uma aproximação máxima de 1,6 milhões de quilómetros do Sol e que a temperatura atinja entre os 2.700 e os 5.000 graus celsius.

João Retrê, diretor do Departamento de Mediação Científica do CAAUL (Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Lisboa), explica, em declarações à Lusa, que este é um cometa especial que provém da nuvem de Oort, uma camada que rodeia todo o Sistema Solar e é formada por restos da nebulosa que deu origem ao Sol e aos planetas, há cerca de 4.600 milhões de anos. Retrê salienta, ainda, que a proximidade do cometa com o "astro-rei", levará a que o brilho do ISON seja "ofuscado pelo brilho do Sol, perdendo o contraste relativamente ao brilho de fundo do céu" - não sendo, portanto, visível durante essa altura.

Caso o "cometa do século" resista à passagem pelo Sol será possível vê-lo a olho nu ou com pequenos equipamentos durante o mês de dezembro e janeiro, durante a noite. No entanto, se o desfecho for a explosão e o comenta se restrinja a fragmentos essa possibilidade diminui fortemente. João Retrê acrescenta que a melhor altura para se ver o cometa será no início de dezembro, a leste, antes do nascer do Sol.

Alguns cientistas esperam, ainda, que, caso o desfecho não seja a explosão, o ISON consiga responder a algumas das grandes questões acerca das origens do mundo.