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O culto das motorizadas antigas

Sociedade

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Famel, Casal, Zundap, SIS Sachs e Macal são as velhas máquinas portuguesas, hoje mimadas por fãs de todas as idades, que as põem num brinco

Minutos antes de se nos reunir, já Sérgio Barros se fazia anunciar, com o inconfundível e agudo ronco da sua Famel XF 17. Este modelo é um dos mais procurados para restauro pelos novos fãs das velhas motorizadas nacionais, hoje transformadas em verdadeiras peças de coleção. Com sede em Águeda, a Fábrica de Produtos Metálicos Ltda. (Famel) foi uma das maiores empresas de motorizadas, em Portugal, entre as décadas de 1960 e 1990, e a XF a sua joia da coroa - durante mais de 20 anos.

"Era a moto que eu queria em miúdo, mas que a minha mãe nunca me deixou ter", revela, com humor, aquele vigilante aeroportuário, que, aos 32 anos, cumpriu, finalmente, o sonho de possuir uma XF. "Foi a minha primeira motorizada. Quando decidi comprar uma, optei por uma clássica e escolhi esta porque era a melhor que se fazia na altura", explica. E continua a funcionar como nova. O último modelo da XF saiu da fábrica em 1992 e as que ainda existem são hoje pagas a preço de ouro.

A de Sérgio Barros custou 1 200 euros, já recuperada. "Houve, entretanto, quem me oferecesse 1 800 euros por ela, mas não a vendo", assegura Sérgio que, recentemente, precisou de comprar umas manetes para a motorizada, pelas quais pagou 120 euros, mais de metade do preço que uma XF nova custava à época em que era fabricada - 40 contos ou 200 euros...

O crescente interesse pelas velhas motorizadas portuguesas, incluindo marcas como a Famel, a Casal, a SIS Sachs, a Zundap ou a Macal, entre outras, é visível pelo cada vez maior número de convívios dedicados a este nicho, realizados um pouco por todo o País. Um dos mais concorridos é o Encontro de Ciclomotores Clássicos de Sintra, que, este ano, a 2 de junho, cumpre já a sua 6.ª edição. "Verificámos que o interesse existente justificava a promoção de uma reunião exclusiva destas motorizadas", diz Feliciano Mendes, 50 anos, presidente do Moto Clube de Sintra.

Leia o artigo completo na edição desta semana da revista VISÃO