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Morte anunciada da gordura trans

Sociedade

José Carlos Carvalho

Nos EUA, a perseguição às gorduras trans vem de longe, mas esta semana fixou-se a data do seu fim: até 2018, a indústria alimentar terá de banir este ingrediente

Em meados do século passado percebeu-se que adicionando hidrogénio às gorduras vegetais líquidas se lhes alteravam as moléculas - ficavam mais sólidas e espessas. Nasceu assim a galinha de ovos de ouro da indústria alimentar, pois essas gorduras trans, além de serem mais baratas do que as provenientes de animais, passaram a dar meses de vida a determinados alimentos - mas à custa da nossa saúde. É só procurar nos rótulos e ver como elas andam aí.



  • As gorduras hidrogenadas aumentam o colesterol mau (LDL) e reduzem o bom (HDL), com várias consequências graves para a saúde vascular. Também estarão relacionadas com o aumento do número de casos de cancro e com o declinar da memória.
  • As alternativas que podem ser usadas pela indústria são o óleo de soja, milho, palma e coco, manteiga e outras gorduras animais (a saturada é menos nociva do que a hidrogenada)
  • A Dinamarca foi o primeiro país a criar legislação para controlar este tipo de gorduras.
  • No final de 2006, Nova Iorque tornou-se na primeira cidade americana a proibir a utilização de gorduras hidrogenadas em restaurantes. 
  • A FDA estima que banindo completamente as trans se conseguirá prevenir 20 mil ataques de coração e sete mil mortes por doença cardíaca em cada ano, só nos EUA.
  • Produtos congelados e comida processada são as principais fontes de gordura hidrogenada, mas ela também se encontra nas pipocas de micro-ondas, em margarinas, nas batatas fritas de pacote, nos pães com chocolate, em bolos de pastelaria, gelados, cremes de barrar ou bolachas.