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Homem cego "vê" através do som

Sociedade

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Daniel Kish perdeu a visão aos 13 meses de idade mas, através do som, consegue detetar objetos, indicando a sua distância, tamanho e forma. É o verdadeiro Batman VEJA O VÍDEO

Através da técnica de ecolocação, uma forma de detetar a posição de objetos e a sua distância através do eco do som, Daniel Kish consegue percecionar o mundo. Há mesmo quem lhe chame Batman (Morcego Humano)

"Eu acho que são umas botas. Não consigo dizer, com certeza, a esta distância, mas são sólidas", disse Kish na conferência PopTech, em Maine, nos Estados Unidos, onde foi um dos conferencistas.

Hoje, é esta a forma como Kish "vê" o mundo. Quando caminha em sítios que não lhe são familiares, faz estalidos com a língua e perceciona os objetos através do som que estes refletem.

Kish disse à CNN que treinou o seu cérebro para transformar os sons em diferentes tipos de imagens, um mapa auditivo que consegue através do auxílio de uma bengala.

"Quando se envia um pedido de som está-se a interrogar o ambiente. Onde estou? O que é que tu és? E o ambiente responde", disse Daniel Kish.

Daniel fundou a organização, sem fins lucrativos, Acesso ao mundo para cegos, em 2000, onde ensina a técnica de ecolocação humana, a cegos de todo o mundo. O grupo que Daniel coordena já atingiu as 500 pessoas. "Não é difícil ensinar. Eu acredito que uma parte do cérebro já está preparada para fazer isto", explicou Kish.

Contudo, a técnica ensinada por Daniel Kish não é uma inovação. O jornalista Daniel Engber, escreveu na revista Slate, que "a ecolocação humana foi redescoberta várias vezes ao longo das últimas décadas". "Alguns defensores dos cegos estão preocupados, que com a ecolocação eles sejam vistos como estranhos, com poderes especiais, mais do que algo compensador dos seus problemas", acrescentou.

Na apresentação na PopTec, uma conferência sobre novas ideias na ciência e na tecnologia, Daniel Kish defendeu que "não se trata de transformar os alunos em super-cegos. A preocupação é abrir oportunidades e ajudar os cegos a viver o dia-a-dia".