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Exames de português escoltados por centenas de agentes e militares

Sociedade

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Quando o despertador do Tiago tocou, às 07:00, já os exames de Português estavam a caminho das escolas. Uma hora depois, cruzou-se com as forças policiais que tinham acabado de distribuir mais de 100 mil enunciados por 1.153 escolas

Por volta das seis e meia da manhã, os polícias da Escola Segura já circulavam pelos corredores da esquadra de Oeiras, transportando dezenas de caixotes para os porta-bagagens dos carros. Entre as sete e as oito, os agentes tinham uma missão: entregar todos os exames do 4.º ano de Português nas 19 escolas do concelho.

O cenário repetiu-se por todo o país. No total, 755 polícias entregaram os exames em 708 escolas e agrupamentos. Nas restantes escolas, a tarefa esteve a cabo dos militares da GNR.

Quando, à hora do almoço, Tiago terminar o teste, as forças de segurança voltam a entrar nas escolas para recolher os exames.

A 'Operação Gaio 2013' começou a ser planeada há já alguns meses para garantir a "inviolabilidade, confidencialidade e segurança dos exames", contou à agência Lusa o subcomissário da PSP Sá Santos.

Na passada sexta-feira, agentes da PSP de todo o país encontraram-se na Editorial do Ministério da Educação e Ciência, em Mem Martins, para levantar os caixotes com os testes nacionais de Português e Matemática.

Os enunciados foram então transportados para os comandos da PSP de todo o país. Hoje de manhã, metade dos caixotes chegaram às escolas. A outra metade vai continuar nas esquadras até sexta-feira, dia do exame de Matemática.

"Não há qualquer hipótese de alguém lhes conseguir sequer tocar", garantiu o responsável pela Divisão de Oeiras da PSP, Sá Santos.

Só às 9:30 os alunos podiam finalmente ver a prova de Português. Contudo, alguns estudantes, mais ansiosos, foram bem mais cedo para a escola. Quando Afonso e Tiago, ambos de dez anos, chegaram ao portão da Escola EB 1 S. Bruno, os agentes da Escola Segura preparavam-se para abandonar o estabelecimento. Eram 8:00.

Sandra, mãe de Afonso, contou à Lusa que hoje acordaram "um bocadinho mais cedo, por causa do nervosismo". O Afonso e o Tiago, ambos da Escola Visconde de Leceia, foram dos primeiros a chegar à Escola EB 1 S. Bruno.

A maioria dos alunos prestou hoje provas numa escola que não é a sua. Quando terminar a prova de Português, regressam à sua sala de aula: uns de autocarro e outros a pé, como acontece com os alunos do recém-criado agrupamento de que faz parte a Escola Secundária Sebastião e Silva, também em Oeiras.

Este agrupamento engloba cinco escolas com 2.700 alunos. Duzentos são do primeiro ciclo e vão regressar a pé, com os seus professores, para a escola onde habitualmente têm aulas.

O trabalho de preparação para os exames passou também pelas escolas que hoje e na sexta-feira recebem os estudantes. Na Secundária Sebastião e Silva, as salas de aula têm hoje apenas 20 secretárias, em vez dos habituais 30 lugares.

"Para nós é um trabalho rotineiro", contou à Lusa Domingos Santos, o professor responsável pela Escola Secundária Sebastião e Silva, referindo-se aos exames do 6.º, 9.º e 12.º.

"Hoje é o primeiro dia, depois de uma interrupção de décadas, em que voltam os exames nacionais do 1º ciclo", acrescentou.

A "Operação Gaio 2013" não terminou às 08:00. Ao final da manhã, os polícias regressam às escolas para recolher os exames e transportá-los até à sede de agrupamento. Durante a correcção dos testes, a PSP irá reforçar a segurança nas escolas onde os exames se encontram.

A prova foi vigiada por cerca de 10 mil professores. Os resultados serão conhecidos a 12 de Junho. Os que não conseguirem atingir os obcjetivos terão aulas de recuperação.

O objectivo é permitir a estes alunos um acompanhamento mais individualizado durante esse período, de forma a conseguir a aprovação na segunda fase das provas, que se realiza entre 09 e 12 de Julho.