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Emoções com som

Sociedade

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D.R.

Um sonoplasta e psicólogo avalia o impacto da música e da voz nos estados emocionais, a pensar nos seus efeitos terapêuticos

Uma sala, computadores e auscultadores. E um programa informático com nove excertos de música e vocalizações. A experiência foi feita com a ajuda de 69 funcionários, no serviço de saúde da Câmara Municipal de Loures.

Os participantes ouviam excertos e assinalavam o que sentiam (alegria, medo, tristeza, indiferença). "Quis perceber se determinados sons podem representar emoções básicas", explica o autor da pesquisa, Mésicles Helin, conhecido pelos trabalhos de sonorização na TSF. Esta tese de mestrado, em neuropsicologia, dá rosto à sua faceta de psicólogo. Foi com alguma reserva que acedeu a falar dos resultados e esclarece porquê: "Apesar de o pré-teste ter corrido bem, tal não aconteceu no estudo, porque reduzi os trechos de 15 para sete segundos, a pensar nas aplicações com ressonância magnética. Se calhar é preciso mais tempo para o som se instalar na pessoa."Mas há novidades. A alegria é a mais identificável das emoções e reconhece-se melhor à medida que os anos passam.

As mulheres levam a palma, "talvez por estarem mais familiarizadas com a exteriorização de sentimentos". O medo, que até pode ser confundido com tristeza, revela-se um enigma, quem sabe se por ação dos centros do cérebro envolvidos na tomada de decisão.

A finalidade desta linha de pesquisa é refinar o diagnóstico em lesões cerebrais - "na doença de Parkinson não há sintonia de ritmos" - e criar tipos de música para patologias concretas: "No Canadá, doentes com síndrome de Tourette [perturbação neurológica marcada por tiques motores e vocais] relataram redução dos sintomas com sessões grupais de bateria." O homem da rádio confessa: "Isto fez-me repensar a sonoplastia e a não ser muito radical na escolha da música para os programas, assumindo que o ouvinte sente a emoção que quero passar." Na pele de clínico, Mésicles não resiste a "receitar" música a certos pacientes: "Não é como som de fundo. É ouvir mesmo, durante uma hora e de olhos fechados."