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Doença misteriosa causa sintomas de sida em doentes não infetados com VIH

Sociedade

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As vítimas - sobretudo asiáticos, mas também norte-americanos - ficam com o sistema imunitário danificado, incapaz de lidar com as mínimas ameaças, mas a doença, que ainda não foi identificada, não parece ser contagiosa

Para já, o que se sabe é isto, nas palavras da cientista Sarah Browne, à Associated Press: trata-se de uma deficiência imunitária adquirida, não hereditária e que não se contagia com a infeção com o vírus da sida.

Kim Nguyen, 62 anos, uma costureira vietnamita, que vive no Tennessee desde 1975, procurou o médico, em 2009. devido a uma febre persistente. Tinha infeções nos ossos e outros sintomas e há vários anos que tinha doenças intermitentes. Atualmente encontra-se internada e é considerada uma das vítimas da misteriosa doença. No hospital há um ano, diz agora, no entanto, que se sente "ótima" . 

Os investigadores têm estado a analisar vários casos semelhantes na Tailândia e em Taiwan e publicam os resultados esta quinta-feira, no New England Journal of Medicine.

"É absolutamente fascinante", considera Dennis Maki, um especialista em doenças infecciosas na Universidade de Wiscosin, que avança a possibilidade de a patologia ser desencadeada por uma infeção, apesar de a doença em si não parecer ser contagiosa.

A idade média dos afetados ronda os 50 anos e não se encontrou mais que um afetado na mesma família, tornando improvável que haja um único gene responsável.

Alguns dos pacientes morreram com infeções generalizadas, mas Sarah Browne não consegue precisar quantos.

O vírus da sida destrói as células T, os principais "soldados" do sistema imunitário. Esta nova doença não afeta estas células, mas, concluíram os investigadores, produz autoanticorpos que bloqueiam o sinal químico que ajuda o corpo a lidar com as infeções. Na prática, os doentes ficam, à semelhança dos afetados com sida, vulneráveis a vírus, parasitas, bactérias, etc.

Os antibióticos não se têm revelado eficazes em todos os casos, pelo que os médicos estão a tentar várias alternativas, incluindo um medicamento usado para combater o cancro, que suprime a produção de anticorpos. 

O facto de quase todos os afetados serem asiáticos sugere a existência de um fator ambiental e genético.