Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Do Facebook para a prisão

Sociedade

  • 333

A propósito do caso de Justin Carter, de 19 anos, que arrisca oito anos de prisão causa de um comentário no Facebook, a VISÃO recorda-lhe outros casos em que o que foi dito na rede social deu acesso direto ao mundo atrás das grades

Comentários com ameaças contra escolas 

O caso de Justin Carter é o mais recente. O americano, de 19 anos, esteve detido desde fevereiro até à última sexta-feira depois de, a meio de uma discussão online sobre um jogo, ter escrito que ia "abrir fogo numa escola". O jovem garante que mensagem foi uma resposta sarcástica a um insulto por parte de um adversário no jogo League of Legends.

No entanto, a mensagem deixou uma mulher canadiana preocupada e, depois de alertadas as autoridades, Carter foi detido. Arrisca-se a uma pena de oito anos de prisão.

Piadas sobre crianças desaparecidas

O britânico Matt Woods, também com 19 anos, foi condenado em outubro de 2012 a três meses de prisão por ter publicado comentários com piadas sobre crianças desaparecidas. Woods publicou no Facebook "Esta manhã acordei na parte de trás de uma carrinha com duas lindas meninas. Encontrei a April num sítio sem esperança, mas quem é que no seu perfeito juízo iria raptar uma criança ruiva?" - o jovem referia-se às crianças desaparecidas April Jones e Madeleine McCann.

Apesar de Woods ter publicado mais tarde um outro" estado", em que pedia desculpa pelos comentários ofensivos, o tribunal considerou que o jovem cometeu um crime "repugnante, desprezível e completamente abominável".

Incentivos a motins

Jordan Balckshaw, 20 anos, e Perry Sutcliffe-Keenan, 22, são outros dois jovens que também foram condenados - estes a quatro anos de prisão - depois de terem criado um evento no Facebook que incentivava um motim, em 2011, quando a Inglaterra enfrentava uma onda de tumultos que começou depois da realização de uma manifestação pacífica pela morte de um jovem de 29 anos num tiroteio com a polícia. 

Blackshaw criou o evento "Arrasar com a cidade de Northwich" e Sutcliffe-Keenan uma página para organizar motins.

O juiz que condenou os dois jovens afirmou que eles cometeram "um ato de maldade".

Conduzir embriagado, bater, fugir e... contar no Facebook 

Paula Asher, de 18 anos, foi condenada a dois dias de prisão, em Setembro de 2012, ao publicar no Facebook: " Estava a conduzir sob o efeito de álcool e bati num carro...lol (laughing out loud, ou em tradução livre, "rir a bandeiras despregadas")

A jovem estava alcoolizada quando bateu com o seu carro num outro que transportava quatro adolescentes e não parou. Quando teve oportunidade publicou essa frase na rede social.

Os pais descobriram e pediram a um juiz que lhe pedisse para eliminar a mensagem e que a proibisse de utilizar o Facebook. No entanto, Asher recusou e o tribunal condenou-a a dois dias de prisão.

"Peço desculpas a todos e ao juiz. Não queria magoar ninguém", lamentou mais tarde Paula Asher.

Ameaças terroristas

Cameron D'Ambrosio, de 18 anos e aspirante a rapper, viu publicadas no Facebook algumas das letras das suas músicas e foi detido por serem consideradas "uma ameaça terrorista": "F... para as bombas em Boston, esperem para ver a m... que eu sou capaz de fazer. Sou famoso por rimar e venço todas as acusações de assassinato que me perseguem". Cameron D'Ambrosio acabou por não ser condenado.

Ameaças aos governantes

No Bangladesh, Muhammad Ruhul Amin Khandaker foi condenado a seis meses de prisão por ter publicado piadas que expressavam o seu desejo de ver o primeiro-ministro morto. Khandaker estava no Departamento de Informação e Tecnologia da Universidade de Jahangirnagar a publicar no Facebook informações sobre vários acidentes de trânsito fatais, que eram de interesse jornalístico, e acabou por publicar: "Porque é que isto não acontece ao primeiro-ministro Sheikh Hasina?".

E até mesmo falsas ameaças... 

No início de 2011 David Voelkert também foi detido: Tudo começou com um pedido de amizade de "Jessica Studebaker". Tudo indicava que o pedido de amizade feito no Facebook era de uma adolescente, mas Voelkert desconfiou que por trás da jovem estava a ex-mulher.

De forma a descobrir se a sua suposição era verdadeira, David Voelkert teve várias conversas com "Studebaker" sendo que uma delas dizia: "Coloquei um aparelho GPS no carro da minha ex-mulher para a conseguir encontrar e matar".

A suspeita de Voelkert veio a ser confirmada após esta conversa, porque a sua ex-mulher fez queixa às autoridades. David Voelkert foi detido pouco depois, mas valeu-lhe a prudência de ter escrito uma declaração, antes de começar a sua "investigação", em que explicava que estava a mentir a "Jessica Studebaker" e que não queria magoar a ex-mulher, mas sim descobrir a verdade. Acabou por ficar em liberdade.