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Cura para a dependência da metanfetaminas em teste

Sociedade

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Os EUA já têm luz verde para testar em seres humanos uma possível cura para a dependência de metanfetaminas 

Numa experiência recente, investigadores da Universidade da Califórnia administraram o medicamento Ibudilast, ou MN-166, a 11 voluntários dependentes de metanfetaminas, que não puderam sair da unidade hospitalar durante três semanas. Os resultados da primeira fase deste estudo, que procurava verificar se era seguro tomar Ibudilast com metanfetaminas, foram positivos, já que os participantes revelaram uma diminuição do comportamento dependente.

A directora do Centro para a Medicina Comportamental e do Vício, na Universidade da Califórnia, Dra. Aimee Swanson confirmou que os dados "indicam que o Ibudilast pode moderar o anseio pelo consumo da droga, e melhorar o funcionamento cognitivo." Swanson acrescentou que este tipo de tratamento deverá ter uma maior taxa de sucesso do que apenas o acompanhamento em centros de reabilitação, que apresentam um elevado número de recaídas.

"Quando alguém quer participar neste estudo, geralmente é em último recurso, porque muitos já não conseguem manter um emprego, e o relacionamento com a família tornou-se tenso. O principal objectivo destas pessoas é consumir metanfetaminas." Ibudilast pode bloquear a activação de certas células do sistema nervoso central, as neuróglias, que estão associadas a comportamentos aditivos.

Há vinte anos que vários grupos de cientistas tentam desenvolver uma medicação que cure a dependência de narcóticos. Em 2011, existiam cerca de 439 mil dependentes de metanfetaminas nos Estados Unidos, e, em 2005, o tráfico e consumo de metanfetaminas custaram ao país cerca de 18,3 mil milhões de euros.

O fármaco Ibudilast foi desenvolvido no Japão, e desde 1989 que é usado para tratar a asma. Agora, se tiver sucesso num universo de 140 indivíduos dependentes de metanfetaminas, ao longo de um período de doze semanas, este medicamento será o primeiro tratamento não opiáceo para a dependência dos vários tipos de anfetaminas, bem como de heroína e outras dependências a opiáceos.

Os resultados desta fase serão publicados em 2015 e, se forem positivos como até aqui, em 2018 o tratamento para a dependência destas drogas estará disponível em qualquer parte do mundo.