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Conheça cinco das novas doenças da 'Bíblia da psiquiatria'

Sociedade

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A nova edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais classifica como doença mental diversas atitudes e sentimentos até aqui considerados "normais"

É considerado a  "Bíblia da psiquiatria", usado por médicos de todo o mundo. A nova edição do DSM (a sigla inglesa para Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders) prestes a ser lançada, traz algumas novidades. E se algumas têm sido recebidas quase com unanimidade no meio científico, outras estão a provocar debates acesos.

Uma das alterações mais polémicas diz respeito ao diagnóstico da depressão. Na edição anterior do DSM, em caso de luto, só sintomas de depressão que se mantivessem por mais de dois meses era diaganosticados como doença. À luz do novo manua, duas semanas, mesmo em luto, são suficientes para se poder receber diagnóstico de depressão.

Outra alteração controversa diz respeito aos critérios para o diagnóstico de Transtorno de Défice de Atenção e Hiperatividade. O número de sintomas permanece o mesmo mas a idade para o surgimento dos sintomas, que era de até sete anos, passou a ser de até 12.

Já a Síndrome de Asperger passa a ser um subtipo de autismo, incluída numa nova categoria chamada de Transtorno do Espectro Autista.

As polémicas em volta da "Bíblia da psiquiatria" não são inéditas. . Até 1970, por exemplo, o manual classificava a homossexualidade como doença.

Cinco novas doenças psiquiátricas:

Compulsão alimentar

Na edição anterior, a compulsão alimentar era referida como um problema a necessitar de investigação antes de ser definida como doença. Nesta edição, já surge o Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica, em que o doente ingere quantidades excessivas de alimentos, e de forma descontrolada, durante um período limitado de tempo mas repetido, pelo menos, uma vez por semana durante três meses.

Distúrbio de Hoarding

A acumulação compulsiva e a incapacidade de se desfazer de objetos, mesmo que sejam lixo, conhecida como "hoarding" em inglês, que era até agora considerada um sintoma de transtorno obsessivo-compulsivo, passa a ser considerada uma doença. Caracteriza-se pela "dificuldade persistente de se desfazer ou se separar de suas posses, independentemente de seu valor real".

Provocar escoriações da pele

O "skin-picking", em inglês, que consiste em arranhar e arrancar a pele constantemente, o que resulta em ferimentos, foi incluída no capítulo sobre transtornos obsessivos-compulsivos.

Transtorno Disfórico Pré-Menstrual

É uma forma mais grave de TPM (Tensão Pré-Menstrual). No apêndice da edição anterior do DSM, vinha a indicação da necessidade de mais pesquisas sobre o tema. Agora já é mesmo classificado como uma doença mental pela Associação Americana de Psiquiatria.

Os sintomas da doença incluem tensão, alterações de humor, irritabilidade, ansiedade, raiva, tristeza, letargia, mudanças no apetite e insónia, entre outros, manifestados nas duas últimas semanas do ciclo menstrual, durante a maioria dos ciclos menstruais do último ano.

Transtorno disruptivo de desregulação do humor

Crianças ou adolescentes de até 18 anos de idade que apresentam "irritabilidade persistente e episódios frequentes de extremo descontrolo comportamental", pelo menos três vezes por semana, ao longo de um ano, poderão ser diagnosticadas com esta nova doença.

Esta é uma das partes mais polémicas do novo manual, com os críticos a dizerem temer que uma criança sem qualquer doença, apenas com uma birra, possa receber o diagnóstico e ser medicada nesse sentido.