Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Complicações de uma doença normal

Sociedade

  • 333

O caso de Mário Soares vem recordar que uma gripe pode ser mais do que febre e nariz a pingar. CONHEÇA AS SEQUELAS MAIS FREQUENTES E COMO AS IDENTIFICAR

Na última semana, não houve bloco noticioso que não incluísse o boletim clínico de Mário Soares. As primeiras notícias eram vagas e davam conta de uma "indisposição" resultante de uma gripe. As últimas já se referiam a uma "infeção no cérebro", consequência da mesma gripe. Além da preocupação pela saúde do ex-Presidente da República, de 88 anos, a notícia veio levantar uma questão: mas, afinal, o Influenza é assim tão mauzinho?

O grande senão do vírus da gripe são precisamente as complicações que podem surgir. Na maioria das vezes, a infeção resolve-se em três a cinco dias, com paracetamol para a febre e as dores no corpo. A sensação de cansaço ou a tosse podem prolongar-se por duas ou três semanas até a maleita não ser mais do que a recordação de uns dias passados entre a cama e o sofá.

Em alguns casos, na população mais idosa, em crianças muito pequenas, ou nas pessoas com doenças crónicas como a diabetes, insuficiência renal ou cardíaca, a gripe pode ser um caso muito sério. "As complicações mais comuns, e que levam ao internamento, são a pneumonia ou a descompensação de patologias crónicas", nota Filipe Froes, 51 anos, pneumologista e consultor da Direção-Geral da Saúde. "Na fase final da infeção viral", continua o médico, "pode haver diminuição das defesas, o que favorece o aparecimento de outras infeções."

Medo da vacina

A encefalite (caracterizada por cefaleias, alteração do estado de consciência, desorientação, prostração) é, apesar de tudo, uma complicação mais rara, que escolhe idosos ou pessoas com o sistema imunitário muito debilitado. De acordo com um estudo sueco, a incidência de encefalite associada ao Influenza é de 0,21 por milhão de habitantes e de 1,5 por mil pacientes internados com gripe.

Mário Soares teve alta na segunda-feira, 21, mas o susto não terá sido suficiente para convencer os portugueses a tomarem a mais eficaz medida de contenção da gripe: a vacina. Mesmo gratuita para os maiores de 65 anos, a cobertura vacinal não chega aos 50%, nesta população de risco.

Subsistirão alguns receios, infundados, quanto à segurança da vacina. E também há a ideia generalizada de que, depois de novembro, já não vale a pena tomá-la. O que Francisco George, diretor-geral da Saúde, veio desmentir, apelando à vacinação ainda durante o mês de janeiro, uma vez que o pico da epidemia só é esperado para meados de fevereiro e a vacina tarda duas semanas a fazer efeito.

Talvez fosse igualmente importante o Ministério da Saúde mostrar que leva a gripe a sério. O que não parece ser o caso. No final de dezembro, foi encerrada, no Hospital Pulido Valente, em Lisboa, a mais bem preparada unidade de cuidados intensivos, exclusivamente dedicada à doença.