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Como lidam as grandes empresas com o Facebook

Sociedade

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Veja as políticas para as redes sociais de alguns gigantes do mundo empresarial, conheça quatro casos de conflitos labororais por causa do Facebook e recorde as regras para manter a sua privacidade online

VEJA TAMBÉM: Como ter um perfil (mesmo) privado

No local de trabalho, bloquear o acesso ao Twitter e ao Facebook é já comum. Em Portugal, a banca foi o primeiro setor a fazê-lo, de forma generalizada - exemplo entretanto seguido por muitas das maiores empresas. Mas os cuidados não ficam por aqui. Veja as políticas para as redes sociais de alguns gigantes do mundo empresarial:

- A Walmart avisa os seus funcionários que não podem divulgar informação confidencial interna nem falar em nome da cadeia americana de supermercados sem autorização por escrito, incluindo responder a comentários ou dúvidas de clientes

- A Cisco recomenda bom-senso aos seus trabalhadores e exige que qualquer comentário sobre a empresa de novas tecnologias ou os seus interesses (mesmo que indiretos) seja acompanhado pela declaração de que é uma visão pessoal e não empresarial

- A IBM diz aos seus funcionários para "não terem medo de serem genuínos", mas sem desrespeitarem quem quer que seja - colegas e potenciais clientes -, evitando insultos e obscenidades. "Responsabilidade" é a palavra mais importante, nas políticas de redes sociais da empresa

- O Washington Post recorda aos seus colaboradores que, na internet, tudo corre o risco de se tornar público. Por isso, os jornalistas não devem escrever, nas redes sociais, frases que revelem preconceitos ou favoritismos raciais, políticos, religiosos ou sexistas, para não comprometer a credibilidade do jornal

Quatro casos de conflitos labororais:

Desmascarada pelo Facebook

Muitas vezes, a funcionária de um escritório de Lisboa não ia trabalhar à segunda-feira por estar "doente". Mas as fotos das suas festas de fim de semana, que ela própria publicava no Facebook, contavam aos seus colegas e chefes uma história diferente. O copo transbordou quando Carolina, de baixa médica, escreveu que estava de partida para uma grande festa no Sul do País. Uma amiga ainda lhe perguntou, na secção de comentários, se ia de viagem depois do trabalho, ao que ela respondeu, publicamente, "Não, estou de baixa, posso ir quando quiser." Quando regressou, a empresa fez-lhe uma proposta de despedimento, que Carolina, ao ser confrontada com os factos, se sentiu obrigada a aceitar.

Para grandes males...

Naquele dia, o funcionário de uma empresa que dá apoio técnico, por telefone e e-mail, aos utilizadores de uma marca de telemóveis estava particularmente frustrado com o trabalho e desabafou, no Facebook, qualquer coisa como "a Produtora dos Equipamentos não tem grande interesse pelo grau de satisfação dos seus clientes, ao contrário da Firma de Apoio Técnico". E, a esse propósito, publicou o vídeo de uma música chamada Scum (Escumalha). O nome das empresas não aparecia no post, mas isso não impediu a sua supervisora de se sentir incomodada e de lhe pedir para não voltar a fazer aquele tipo de comentários. Paulo decidiu, então, incluir todos os seus superiores hierárquicos numa lista de "conhecidos", no Facebook. A partir daí, quase tudo o que publica só é visível por "amigos chegados".

Insulto custa milhares de euros

Por cortesia profissional, muitos comandantes de aviões oferecem lugares em executiva a outros pilotos que se encontrem a bordo. Mas, ao regressar de férias, num voo da TAP, de Maputo para Lisboa, um piloto não teve essa sorte: o seu colega entregou os lugares disponíveis na frente do avião a outros passageiros. Frustrado, o homem desabafou no Facebook. "Foi tão bom ter vindo dez horas na penúltima fila. Eu, a minha mulher e a mulher do copiloto, apesar de haver lugares em executiva." Até aqui, nada de grave. Pior foram os comentários de apoio que outros colegas publicaram no seu mural, chamando "filho da..." ao comandante que não lhe cedera o lugar. Ora, como é comum nas redes sociais, dezenas de funcionários da TAP eram "amigos" do piloto que viajara em económica e leram os comentários. O episódio acabou em tribunal, com os autores dos insultos (o piloto Luís Baeta e a assistente de bordo Anabela Moniz) a serem condenados a multas de 1 200 euros e a pagar uma indemnização ao visado de 10 mil euros.

Censura política

A funcionária municipal de uma divisão de melhoramentos urbanísticos estava em casa, a recuperar de uma operação, quando respondeu a uma munícipe, que se queixava, na página de Facebook, de uma freguesia do concelho devido à demora de algumas obras. Na sua perspetiva, Cláudia não fez mais do que defender a Câmara, ao explicar que os serviços não conseguiam estar em todo o lado ao mesmo tempo. Mas o presidente da autarquia não gostou: interpretou a situação como uma defesa do vereador daquela área, que pertencia à oposição, repreendeu-a por telefone e, mais tarde, instaurou-lhe um processo disciplinar. Felizmente para a funcionária, que apelida o caso de "pidesco", o processo foi bloqueado em reunião de Câmara.

Nota: Exceto no caso da TAP, que foi tornado público, os nomes das pessoas envolvidas foram alterados