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Chiado, a montra de Lisboa

Sociedade

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Renascido das cinzas, 25 anos depois do incêndio que o consumiu, o Chiado é novamente um dos bairros mais cosmopolitas e movimentados da cidade. VEJA AS FOTOS

Paris em Lisboa - A loja está na família de José Sousa Gomes desde que abriu, no final do século XIX. Deixou de vender tecidos a metro para se adaptar aos novos mercados - mas lamenta a falta de limpeza e policiamento
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Paris em Lisboa - A loja está na família de José Sousa Gomes desde que abriu, no final do século XIX. Deixou de vender tecidos a metro para se adaptar aos novos mercados - mas lamenta a falta de limpeza e policiamento

Pequeno Jardim - Num vão de escada, a florista da Rua Garret vive sobretudo dos turistas que gostam de levar sementes das plantas portuguesas. A sócia gerente, Elisabete Monteiro não troca aquele ‘buraco’ por nada
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Pequeno Jardim - Num vão de escada, a florista da Rua Garret vive sobretudo dos turistas que gostam de levar sementes das plantas portuguesas. A sócia gerente, Elisabete Monteiro não troca aquele ‘buraco’ por nada

Casa Pereira - Do outro lado do balcão há 35 anos, José António Lemos fez-se sócio do pai para levar o negócio por diante. Trocaram os chocolates pela garrafeira mas a imagem de marca ccontinua a ser o café
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Casa Pereira - Do outro lado do balcão há 35 anos, José António Lemos fez-se sócio do pai para levar o negócio por diante. Trocaram os chocolates pela garrafeira mas a imagem de marca ccontinua a ser o café

Santini - Henrique é hoje um orgulhoso funcionário da famosa geladaria que há três anos não resistiu à chamada e saiu de Cascais. O destino? Uma loja no meio da Rua do Carmo
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Santini - Henrique é hoje um orgulhoso funcionário da famosa geladaria que há três anos não resistiu à chamada e saiu de Cascais. O destino? Uma loja no meio da Rua do Carmo

Café Lisboa - Quando deixou o Tavares, o chef José Avillez procurava um espaço para se manter na zona. Acabou por encontrar quatro. O mais recente, no largo do Teatro São Carlos, abre para a semana
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Café Lisboa - Quando deixou o Tavares, o chef José Avillez procurava um espaço para se manter na zona. Acabou por encontrar quatro. O mais recente, no largo do Teatro São Carlos, abre para a semana

A Vida Portuguesa - Instalada numa transversal da Rua Garret, a agora empresária Catarina Portas insiste que o que é nacional é bom – e as pessoas viajam para ver coisas diferentes
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A Vida Portuguesa - Instalada numa transversal da Rua Garret, a agora empresária Catarina Portas insiste que o que é nacional é bom – e as pessoas viajam para ver coisas diferentes

Quiosque do Carmo - André Quintino mal tem tempo para acorrer aos pedidos dos clientes que lhe enchem a esplanada, desde que abriu no início do verão. Mas não se importava de ter mais: pudera! Faz uma média de 800 euros por dia
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Quiosque do Carmo - André Quintino mal tem tempo para acorrer aos pedidos dos clientes que lhe enchem a esplanada, desde que abriu no início do verão. Mas não se importava de ter mais: pudera! Faz uma média de 800 euros por dia





Vem aí a retoma, não, afinal não vem já, mas isso pouco parece interessar à multidão que sobe e desce o Chiado, num ritual diário.

Haverá alguns que fazem daquele caminho o percurso para ir trabalhar mas a maioria, em passo bem menos apressado, de óculos escuros e mapa na mão, procura as relíquias e outras recomendações dos guias turísticos.

Num primeiro olhar distraído, podia ver-se ali apenas um imenso centro comercial a céu aberto, desde que as grandes marcas voltaram a instalar-se na zona. Mas, um quarto de século depois de uma boa parte ter ficado carbonizada - a contabilidade oficial refere 18 prédios destruídos, 2 mil desempregados, dezenas de feridos e desalojados -, a tragédia da madrugada de 25 de agosto de 1988 acabou por revelar-se a oportunidade de devolver à zona o papel de montra da capital.

E se, naquele final dos anos 80, pouco antes de ser consumido pelo fogo, o Chiado se vira preterido pelo então novíssimo Amoreiras Shopping Center, hoje tem das rendas mais caras da cidade e quase destronou a nobre Avenida da Liberdade, no ranking lisboeta do imobiliário de luxo. No topo das preferências de um público jovem, trendy e com um poder de compra acima da média, ganhou ainda uma série de incontestáveis - desde a cadeia francesa Fnac, que, a partir de 1999, se tornou a primeira âncora do comércio na área, até à portuguesíssima geladaria Santini, que, em 60 anos de existência, nunca saíra de Cascais mas há três anos acabou por também não resistir à chamada. É verdade que, ali, Lisboa é moda, história e também poesia - veja-se a famosa escultura de Lagoa Henriques, feita para assinalar o centenário do nascimento de Fernando Pessoa, sempre rodeada de gente. E há cada vez mais para descobrir: na próxima semana, abre o quarto 4.º! espaço de restauração assinado pelo talentoso José Avillez.

"Apaixonei-me pela vida aqui", diz o chef, 27 anos, sentado num dos bancos do Largo São Carlos, depois de lembrar que já lá vão seis anos desde que saiu de Cascais para a cozinha do Tavares, nas imediações. Quando decidiu procurar outro poiso, não foi além das fronteiras do Chiado. "Queria um espaço nesta zona, acabei por encontrar quatro", confirma, a rir-se, aquele que é a mais jovem estrela Michelin do País, contabilizando já o ainda por estrear Café Lisboa, uma esplanada estendida à porta do Teatro São Carlos.

"Até comprei casa perto."

 

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