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Benefícios do exercício para o cérebro são passageiros ou duradouros?

Sociedade

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Getty Images

Que o exercício beneficia o cérebro - aumentado o ritmo de criação de novos neurónios, o bom humor, a memória e até o racioncínio - isso, já se sabe. Mas o que acontece quando a atividade física é interrompida?

Vários estudos, com animais e humanos, têm provado que alguns meses de exercício físico moderado são um incentivo à criação de novos neurónios, melhoram o humor, a memória e o raciocínio. O que ainda não se tinha verificado é se estas consequências são ou não permanentes. Ou seja, se alguém começar a fazer exercício durante um tempo, mas depois parar, o cérebro volta ao estado inicial, à semelhança dos músculos quando não são exercitados?

A questão é colacada assim pelo The New York Times, que se socorre de dois estudos recentes, com ratos de laboratório, apresentados num congresso de neurociência, para encontrar a resposta.

Investigadores da Universidade de São Paulo, Brasil, começaram por permitir a um grupo de ratos adutos e saudáveis correr nas rodas normalmente usadas para o efeito, durante uma semana. Um outro grupo de ratos, para controlo, ficou confinado a gaiolas sem possibilidade de se exercitar.

Para poder acompanhar o nascimento de neurónios, os cientistas injetaram a todos os animais uma substância que lhes permitiria depois avaliar quantas células cerebais tinham sido criadas - sabe-se que animais e pessoas inativas continuam a produzir novos neurónios, mas o exercício aumenta o ritmo deste processo em duas a três vezes.

Decorrida a semana de exercício, os ratos "corredores" também ficaram inativos. Uma semana depois - de inatividade para todos -, alguns roedores dos dois grupos foram submetidos a testes de memória, que consistiam em recordar a localização de uma plataforma que lhes permitiria sair de uma pequena piscina. Os que tinham melhor memória lembraram-se mais rapidamente da localização da plataforma. Os restantes animais foram submetidos aos mesmos testes ao fim de três e seis semanas de inatividade.

Ao fim de uma semana sem qualquer exercício, os ratos que tinham corrido na roda sairam-se muito melhor no teste. E também tinham, pelo menos, o dobro dos neurónios recém-nascidos no hipocampo. Resultados animadores para os fãs dos treinos só para preparar o corpo para a praia? Nem por isso: Ao fim de umas semanas, as vantagens adquiridas tinham praticamente desaparecido, levando os autores do estudo a concluir que "os benefícios induzidos pelo exercício podem ser transitórios".

O outro estudo referido pelo The New York Times chega à mesma conclusão, mas, desta vez, sobre os impactos do exercício físico no humor.