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A relação com Kelly Slater

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O que mudou com o regresso à Quiksilver?

A logística mudou bastante, a forma como me organizo. A Quiksilver trata de 50% da minha logística, o que é ótimo. Tratam do alojamento de todos os atletas do tour durante o ano inteiro. Só tenho que me preocupar em levar as pranchas e chegar ao destino.

Estar na equipa do campeão do mundo é diferente?

Não. Não sinto grande diferença.

E o convívio com Kelly Slater? É maior, agora que fazem parte da mesma equipa?

Ser colega dele significa, muitas vezes, partilhar casa com ele. Passo mais tempo com ele do que antes...

São mais próximos do que quando estavam em equipas diferentes?

Não. O Kelly não é uma pessoa de relacionamento fácil. É muito fechado, tem um nível de interação bastante limitado e é muito voltado para si mesmo. Jantamos juntos, falamos sobre vários assuntos, por vezes surfamos juntos, e pouco mais. É uma pessoa cheia de mistérios, não comunica muito, gosta de brincar, de dizer uma piadinha, mas não vai além disso. 

Ele não lhe dá conselhos?

Não. Às vezes analisa um pouco os meus heats, diz-me o que o meu adversário fez, o que eu poderia ter feito, mas nunca me dá uma dica. Faz análises muito superficiais. Julgo que ele se defende um bocado. Já nos defrontámos várias vezes e o saldo não era muito positivo para o lado dele [Slater venceu a eliminatória, Tiago ficou em terceiro e as contas são, agora, diferentes].

Pensa no embate com o Kelly, que se aproxima?

Sim, penso. Vou encontrá-lo na ronda inicial do Quik Pro de França. Defrontar o Kelly é sempre mais exigente, porque o júri nunca nos dá as pontuações que daria se estivéssemos contra outro atleta.

Prejudicam os opositores do Kelly?

Provavelmente vão ser mais exigentes com eles. Ou o Kelly vai ter umas notas um pouquinho acima do que mereceria. Ele é, muitas vezes, favorecido nas notas. Não quero, com isto, retirar-lhe mérito. É o melhor surfista de sempre, um fora de série. No meu último heat com ele, na Califórnia, apesar de ele ter ganho, com todo o mérito, houve uma distância entre as notas dele e as minhas que não considerei justa, e isso acontece várias vezes.

Os 11 títulos mundiais contam algumas décimas?

Exatamente! Mas defrontá-lo é bom, porque me obriga a estar no limite, no meu melhor. E gosto de sentir isso. [Entretanto, Kelly venceu a eliminatória e Tiago ficou em terceiro].

Slater é conhecido por tentar desconcentrar os adversários. Uma das técnicas é atirar salpicos de água...

Nunca comprei esses truques dele, e já os usou contra mim...

É o único com estas manhas?

É. Começou a competir nos anos 80 e a competição era muito menos respeitadora, mais suja. Os competidores envolviam-se muito mais uns com os outros. Ele vem dessa escola e trouxe várias coisas com ele que, se calhar, resultavam... Hoje, ainda tenta colocá-las em prática.

Tem algum truque para intimidar os adversários?

Não. Gosto de viver o meu heat, de me fechar em mim próprio e fazer coisas que são normais para quem quer ganhar, como colocar pressão sobre o adversário. Se calhar, quando estou a ganhar, junto-me um pouco mais a ele, para ele sentir a minha respiração. Tento fazer com que ele reme para ondas más. São truques de competição, lícitos, que todos nós temos. Fazem parte do jogo e normalmente fazem-nos ganhar heats. Truques manhosos, não tenho.