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A minha avó dava um filme

Sociedade

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Todos os anos, Maria Amélia senta-se ao volante da sua autocaravana parte sozinha para Marrocos

O seu BI diz que tem 78 anos mas o seu espírito continua a clamar por aventura. Maria Amélia Fernandes não consegue estar parada muito tempo. De clausura já lhe bastaram os anos enfiada em casa, a cuidar dos seis filhos e com o marido, capitão da Marinha mercante, muito tempo ausente. Com apenas 27 anos e o quinto filho acabado de nascer, pediu licença ilimitada das aulas do ensino primário e nunca mais voltou à escola. "Era a única forma de estar com o meu marido algum tempo. Ele passava longos períodos na Terranova, na pesca do bacalhau", recorda.

É nessa altura que lhe nasce o gosto pelo campismo, primeiro, e pelo caravanismo, depois. Com ou sem a companhia dos filhos, o casal aproveitava as férias para longos passeios pelo País e pela Europa. E nem a morte do marido, Juvenal Fernandes, há 12 anos, alterou os hábitos de Maria Amélia. "Não fazia sentido ficar em casa, a limpar. Decidi que ia aproveitar o tempo a passear." E foi assim que se fez à estrada. Todos os anos, desde então, sempre em novembro, "para fugir ao frio", prepara a autocaravana, deixa a casa coberta de heras entregue aos cuidados dos filhos e abala da pacata Gafanha da Nazaré, perto de Aveiro, rumo a Marrocos.

Orgulhoso da independência e coragem da avó, o neto, Luís Cardoso, de 28 anos, resolveu acompanhá-la numa dessas viagens e, ao longo de uma semana, registou em vídeo a história que a está a tornar famosa:  A van da minha avó é já um caso sério de sucesso nas redes sociais.

"Apaixonei-me pelo país, gosto das pessoas, da forma de estar, do clima, da gastronomia e da paisagem", conta Maria Amélia. Durante cinco meses, até meados de março, instala-se num parque de campismo em Agadir, a sua cidade marroquina preferida, e faz a sua vida, como se estivesse em casa. E está mesmo, garante. Durante os últimos 12 anos, conquistou também muitos amigos, na maioria marroquinos, e é com eles que convive e conversa, em francês mas também em árabe, que estudou por sua conta. "A ler safo-me melhor porque estudei árabe clássico e eles falam um dialeto, que é um pouco diferente", explica.

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