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A história deliciosa da família Pantagruel

Sociedade

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Como Bertha Rosa Limpo, uma senhora da alta burguesia, que não sabia estrelar um ovo quando se casou, acabou por se tornar numa das maiores divulgadoras da cozinha em Portugal. A saga de O Livro de Pantagruel, que hoje permanece um clássico da literatura gastronómica, é agora renovada pela sua filha, Maria Manuela Limpo Caetano. VEJA O VÍDEO

A casa da Avenida António Serpa, em Lisboa, era o centro do mundo de Bertha Rosa Limpo (1894-1981). Era lá que Bertha acolhia os amigos, portugueses e estrangeiros; era lá que experimentava todas as receitas de O Livro de Pantagruel; era lá que recebia as manequins e as cantoras mais conhecidas da época que propagandeavam os produtos da fábrica de cosmética Thaber, fundada uns anos mais tarde com base no receituário do seu pai, um oficial da Marinha que havia sido proprietário de uma farmácia.

Lançado originalmente em 1945 pela Editorial O Século, O Livro de Pantagruel resulta da recolha de receitas de Bertha Rosa Limpo. Hoje, tornou-se um clássico da literatura gastronómica, continuando a ser "um manual imprescindível a quem pretenda iniciar-se nos segredos da arte", nas palavras do crítico José Quitério: 75 edições de um volume que tem vindo a ser aumentado e que atualmente integra 5000 receitas. Aos 90 anos, a filha de Bertha Rosa Limpo, Maria Manuela Limpo Caetano - que a partir da 23.ª edição também passou, juntamente com o irmão, Jorge Brum do Canto, a colaborar no livro da mãe - publica agora um "novo" O Livro de Pantagruel (Esfera dos Livros, 408 páginas, €26), com mais de 600 pratos tradicionais de todo o mundo. Entre as memórias familiares da avó e da mãe, Nuno Alves Caetano, 55 anos, recorda, em entrevista à VISÃO, as origens desta saga pantagruélica.