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A guerra das novelas

Sociedade

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Todos os dias as televisões generalistas emitem 13 horas de telenovelas. Não admira: é sobretudo com elas que se ganha ou perde audiências 

D.R.

Arrisca-se escrever que as noites de verão, este ano, foram mais caseiras, por culpa de Avenida Brasil. Esta novela brasileira, uma grande produção da Rede Globo, transmitida pela SIC, liderou as audiências durante 12 meses consecutivos, com uma média de 1 milhão e 200 mil telespectadores diários. Invariavelmente, as conversas, mesmo dos que não são assíduos destes produtos, caíam na história de vingança de Nina (Débora Falabella) contra Carminha (Adriana Esteves), que se desenrolava na maior avenida do Rio de Janeiro, no mais cru espelho das assimetrias sociais do Brasil. Durante quase 200 capítulos, a pergunta pairou: Quem matou Max?    

Mas a Avenida... acabou aos primeiros dias de setembro e enterraram-se as personagens que durante um ano fizeram parte da vida dos portugueses. Outros protagonistas, igualmente de sotaque brasileiro, apareceram no seu lugar, em Amor à Vida, e também já são acompanhados por milhão e meio de pessoas. Está provado: uma receita certa de novelas faz a diferença entre o primeiro e o segundo lugar no ranking diário das audiências. Os números assim o têm ditado. Ainda no tempo do monopólio da RTP, as produções da Globo eram soberanas, embora tivesse havido algumas experiências mal sucedidas de tentar fazer a coisa com a prata da casa. Quando a SIC entrou no mercado, em 1992, roubou o ouro à televisão estatal e passou ela a exibir as tramas brasileiras. E os telespectadores mudaram de canal.Só no início deste século, a TVI descobriria que as produções nacionais podiam arrecadar enormes audiências. Aos poucos, os portugueses trocaram os dramas brasileiros pelos nacionais e atingiram-se recordes inimagináveis. A produção de novelas deixou--se de experiências avulso e criou uma indústria. Até que, no ano passado, a excelência da Globo voltou a cativar os portugueses que se renderam às histórias brasileiras e assim levaram a SIC de volta ao topo do prime time (20h-23h), de onde tinha saído havia uma década.

D.R.

Sete estreias

A estratégia não é nova, mas a rentrée, neste setembro, ficará marcada pela estreia de sete novelas, nos três canais generalistas. Quatro são produções nacionais. "Foi uma coincidência terem acabado três novelas da Globo quase ao mesmo tempo", justifica o diretor--geral da SIC, Luís Marques. Soma-se aqui Sol de Inverno, a aposta anual, com carimbo SP, que vai para o ar a partir de segunda-feira, 16, em substituição de Dancin' Days.  

A RTP, pela primeira vez em muitos anos, produziu uma novela, que passará, também a partir do dia 16, mas ao meio-dia, criando um novo segmento horário para este tipo de produto. Os Nossos Dias vai contribuir para quebrar o formato day time (A Praça da Alegria acabará mais cedo) que vigora nas generalistas. "Criou-se uma ficção específica para o público que àquela hora vê televisão. A história é mais simples, mais próxima das pessoas, com forte componente de atualidade", explica Hugo Andrade, diretor de programas do canal estatal.   

A TVI, por sua vez, continua na mesma linha, estreando duas produções cem por cento nacionais: I Love It dirige-se a um público mais jovem, ocupando, ao final da tarde, o lugar de Doida por Ti (que passa a semanal, aos sábados), e Belmonte, que se baseia no original chileno Hijos del Monte. "Até ao final do ano, estrearemos outra para substituir Mundo ao Contrário", anuncia Luís Cunha Velho, diretor-geral da estação de Queluz. 

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