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Inglaterra discute a proibição de fogo-de-artifício para proteger os seus animais

Sociedade

Dan Steel/Getty Images

A morte de um cachorro de 18 semanas desencadeou uma onda de protesto, com uma petição online já assinada por mais de 500 mil pessoas

Em South Yorkshire, Susan Paterson está convencida que o seu pequeno animal de estimação morreu de susto, de ataque cardíaco, no passado sábado, 2, depois dos estrondos fortes dos rebentamentos de fogo-de-artifício. A história da morte de Molly, uma jovem terrier de 18 semanas foi partilhada nas redes sociais por Susan Paterson, no grupo local do Facebook Wombwell Wise, tendo mais de 60 mil partilhas. “Por favor, pense nos animais. Molly tinha apenas 18 semanas e morreu de susto causado por fogos de artifício”, dizia a dona.

Daí à criação de uma petição online (que pede a revisão urgente da lei que permite o uso de fogo-de-artifício) foi um passo, e já conseguiu mais de 500 mil assinaturas. O primeiro parágrafo da petição diz: “Os fogos-de-artifício podem causar sérios problemas aos animais. Eles não sofrem apenas psicologicamente, mas também fisicamente, uma vez que muitos tentam fugir ou esconder-se da franja. Com níveis extremos de ruído e as pessoas a largarem fogos-de-artifício em qualquer época do ano, é difícil para aqueles que cuidam de animais poderem implementar medidas para protegê-los.”

Cerca de 40% dos cães têm medo de barulhos altos, como fogos-de-artifício, o que significa que a vida de milhares de animais é transtornada pelos rebentamentos aleatórios, alguns começando no início de outubro até a noite de Guy Fawkes (Bonfire Night) e continuando até janeiro – informação acrescentada no texto da petição.

Como o documento já reuniu mais de 100 mil signatários, o parlamento britânico é agora obrigado a debater o assunto. Reunidas as evidências, os membros do parlamento consideram vir a proibir a venda de fogos-de-artifício, restringir o seu uso privado a festejos “tradicionais”, como a noite de Guy Fawkes, a véspera de Ano Novo, o Ano Novo Chinês e Festival das Luzes (Diwali), além de reduzir o número máximo de decibéis permitidos na pirotecnia.

A Sainsbury’s, terceira maior cadeia de supermercados no Reino-Unido, já deixou de vender fogos-de-artifício em todas as suas 2 300 lojas, depois de aumentar o protesto nas redes sociais.

Sem uma autópsia é difícil determinar a causa de morte de Molly, mas segundo a Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals (RSPCA) é possível que o stresse ou o medo significativos tenham impacto na saúde de um cão ou desencadeiem um problema de saúde. A organização sem fins lucrativos que promove o bem-estar dos animais recebeu desde 2014 mais de 2 200 chamadas sobre incidentes relacionados com fogos-de-artifício: 434 em 2016, 533 em 2017 e 411 casos no último ano. Desde aí, lançou uma campanha, Bang Out Of Order, para pressionar a discussão do tema.

Numa outra pesquisa da RSPCA, 62% dos donos de cães e 54% dos donos de gatos responderam que o seu animal de estimação mostrava sinais de angústia durante a temporada de fogos-de-artifício. Dados corroborados num inquérito da cadeia veterinária Vets Now, em que 96% dos mais de sete mil clientes apoiam controlos mais rígidos, enquanto 73% disseram que os seus animais de estimação tinham medo dos barulhos fortes.

Não são apenas os cães os animais que se assustam com o estrondo surpresa dos festejos. Um cavalo chamado Harry foi encontrado empalado com ferimentos graves em Holywell, no norte do País de Gales. Aparentemente terá tentado escapar da sua cerca depois de se ter assustado com fogos-de-artifício. Foram necessárias quatro pessoas (proprietário, veterinário e dois trabalhadores da RSPCA) para conseguir libertar o cavalo, que tinha esmagado a sebe. Desde 2010, a British Horse Society registou 20 mortes e 10 feridos graves por fogos-de-artifício.

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