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Para que serve a intervenção a que o Presidente vai ser sujeito hoje

Sociedade

DON EMMERT

Marcelo Rebelo de Sousa lançou o tabu sobre a sua recandidatura ao anunciar que vai ser sujeito a um cateterismo – sobre o qual adiantou apenas: “Será um exame para ver se há cálcio excessivo num determinado vaso sanguíneo”. Mas, afinal, de que se trata?

A revelação foi feita pelo próprio Presidente da República, numa entrevista à SIC, difundida na nos primeiros dias de outubro, durante a qual voltou a referir a sua hipocondria, mas também a existência de doentes cardíacos na família - no caso, o pai - o que, além da idade, é também considerado um fator de risco para as doenças cardiovasculares.

Em termos médicos, trata-se de um exame que ajuda a identificar se há algum entupimento das artérias que irrigam o coração, porque sem essa irrigação o coração pode sofrer um enfarte e parar de bater.

“O Presidente deve ter feito um exame para avaliar o estado do coração que revelou a presença de uma quantidade anormal de cálcio, e isso sabemos que pode resultar num problema nas veias coronárias”, explica à VISÃO Luís Baquero, coordenador do Departamento de Circulação e Cirurgia Cardiotorácica do Hospital da Cruz Vermelha.

Neste momento, adiantou, é um processo considerado comum e pouco moroso. “Antigamente, este tipo de exame implicava uma intervenção cirúrgica que podia ser complicada, agora usam-se métodos mesmo assim menos invasivos”, considerou ainda o mesmo especialista, a lembrar que a recuperação costuma ser rápida e não deve obrigar o Presidente da República a ausentar-se muito tempo da vida pública.

É com recurso a um líquido que faz contraste que, nas angiogragias coronárias ou cateterismos, é possível identificar obstruções nas artérias do coração

É com recurso a um líquido que faz contraste que, nas angiogragias coronárias ou cateterismos, é possível identificar obstruções nas artérias do coração

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Este exame de que falamos - cateterismo ou angiografia coronária - é feito com recurso à introdução de um tubo flexível numa artéria, que vai depois avançando até ao coração. Pelo caminho, descreve Carlos Rabaçal, cardiologista e diretor clínico do Hospital de Vila Franca de Xira, liberta-se um líquido de uma cor que faça contraste, permitindo visualizar se há algum estreitamento das vias por onde o sangue passa.

“Caso se detete esse aperto, é possível dilatá-lo na hora, através da introdução de um dispositivo – chamado stent – que permite o regresso da via ao tamanho normal”, segue este especialista, sublinhando ainda que o procedimento permite evitar situações posteriores que podem ser bem mais complicadas. “As artérias coronárias têm como função irrigar o músculo do coração. Sem isso, este pode sofrer um enfarte e parar de bater.”