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Derrocada na Madeira soterra vários turistas, um deles conseguiu escapar para pedir ajuda

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Levada na Madeira

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As 11 vítimas foram resgatadas com vida. A levada do Caldeirão Verde é um dos percursos pedestres mais populares na ilha e este tipo de derrocadas não é comum naquela zona da serra

Foi uma das vítimas que ligou para os serviços de emergência, pedindo ajuda para salvar outros 10 turistas que ficaram soterrados a meio do percurso da levada do Caldeirão Verde, na sequência de uma derrocada de pedras e terra. Eram 13h57 quando o Centro Integrado de Comunicação do Comando Regional de Operação de Socorro recebeu o alerta, enviando de imediato para o local 13 viaturas e cerca de 50 operacionais de socorro e emergência médica.

Entre os feridos, os casos de maior gravidade são os de uma turista francesa de 62 anos, que ficou com um braço amputado, e um homem português, de 30 anos, que permanece nos cuidados intensivos do Hospital Dr. Nélio Mendonça, no Funchal, com um traumatismo craniano-encefálico.

Os outros turistas apanhados pela derrocada, com idades entre os 30 e os 62 anos, são um cidadão português, cinco franceses, dois alemães e um brasileiro, e sofreram escoriações sem grande gravidade. O susto deixará, com certeza, marcas mais profundas.

Um resgate complexo

Passava pouco das 15h00 quando foi iniciada uma operação de resgate de helicóptero pelos serviços regionais de proteção civil.

O geógrafo Raimundo Quintal, autor de vários livros e documentários sobre as levadas e a flora da Madeira, atendeu nessa altura o telefone no meio da serra, no Parque Ecológico que ajudou a criar, e disse à VISÃO que ouvira esse helicóptero a sobrevoar a zona.

Se há pessoa que conhece as levadas da ilha é este investigador, que dedicou a sua vida a projetos de conservação da natureza, requalificação paisagística e educação ambiental. Este tipo de derrocadas, explica, não são comuns naquele percurso. Nem mesmo na sua continuação, numa zona de acesso mais difícil, até ao Caldeirão do Inferno. São zonas estabilizadas há muitos anos, até pela grande afluência de turistas que por ali entram na maior área de floresta Laurissilva que ainda sobrevive na Europa desde o período Terciário, sendo contemporânea dos dinossauros.

"Só recordo uma derrocada ali quando se andava a fazer a levada dos Tornos, que ainda hoje serve uns 60% da água que chega ao Funchal, e que foi construída numa quota inferior à levada do Caldeirão Verde", explica. "Morreram oito operários nessa altura, e ali estão soterrados desde os anos 60", lembrou.

Os acidentes mais comuns nas levadas, caminhos estreitos e em altitude, são as quedas de pessoas, havendo registos de mortes sobretudo quando existem desvios dos 30 percursos marcados pela direção regional das Florestas e da Conservação da Natureza.

A operação de hoje foi classificada como sendo de “elevada complexidade”, explicaria mais tarde, em conferência de imprensa, o responsável da Proteção Civil, José Dias, até porque a derrocada ocorreu a meio do percurso, a uma hora a pé da estrada mais próxima.

Durante a tarde foram montados dois postos de comando e enviadas para o local 19 viaturas, um helicóptero e 70 operacionais: além de bombeiros e médicos, também uma equipa de resgate de montanha.

O trilho permanece encerrado até que sejam apuradas as razões da derrocada e avaliadas as condições de segurança.

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