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Cientistas alcançam "supremacia quântica" e acreditam que isso pode mudar o mundo

Sociedade

TimeStopper

A designada "supremacia quântica" representa o primeiro passo num campo que os investigadores acreditam possa "mudar o mundo"

Em teoria, um computador quântico consegue chegar onde não chegam os computadores atuais e de forma muito mais rápida. No final de setembro, a NASA publicou (e retirou rapidamente do ar) um relatório que dava conta de que a Google tinha alcançado a “supremacia quântica” ao criar e resolver “a primeira computação que apenas pode ser efetuada num computador quântico”, que a própria marca construiu.

Agora, é oficial: a Google publicou a investigação na prestigiada Nature, deixando para trás os rumores, que já têm algum tempo, e as críticas, como da IBM, que alegava que os avanços não não eram assim tão significativos.

Naquele primeiro relatório, a Google anunciava que o seu processor quântico, a que chamou Sycamore, tinha conseguido provar a aleatoriedade dos números produzidos por um gerador de números aleatórios em 3 minutos e 20 segundos, quando o mais rápido dos processadores atualmente existentes demoraria... 10 mil anos a resolver. Já um computador normal nunca o conseguiria fazer.

No trabalho agora publicado, a gigante tecnológica confirma o feito. "Este aumento dramático de velocidade, em comparação com todos os algoritmos clássicos conhecidos é uma conquista experimental da supremacia quântica para esta tarefa computacional específica, anunciando um paradigma computacional há muito esperado", lê-se.

"Estamos apenas a um algoritmo de distância de [alcançar] valiosas aplicações a curto-prazo", concluem os investigadores. A Google vê estas aplicações a vários níveis, desde a concepção de novos materiais (baterias mais leves para carros e aviões),catalisadores para produzir fertilizantes de forma mais eficiente (um processo que hoje representa mais de 2% das emissões mundiais de carbono) e medicamentos mais eficazes.

Para quando estes efeitos práticos? Não para já: "Alcançar as capacidades computacionais necessárias ainda vai implicar anos de trabalho duro de engenharia e científico. Mas agora vemos um caminho claro e estamos ansiosos por seguir em frente".